Título conquistado pelo Fluminense em Juiz de Fora completa 10 anos

Tricolor venceu a Primeira Liga sobre o Athletico-PR em jogo marcado por confusão no apito final


Por Vinicius Soares

19/04/2026 às 07h00

A Primeira Liga foi uma competição criada por clubes de Minas Gerais, da Região Sul e pela dupla Flamengo e Fluminense em meados de 2015, com a intenção de reeditar a extinta Copa Sul-Minas, após a Copa do Nordeste, retomada em 2013, ser um sucesso. A competição teve apenas duas edições, porém segue viva na memória dos juiz-foranos, especialmente dos tricolores, que viram o Fluminense conquistar o torneio no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio naquele dia 20 de abril de 2016, que completa dez anos nesta segunda-feira (20).

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João Victor recorda com carinho as lembranças da final (Foto: Arquivo pessoal)

Na noite daquela fria quarta-feira, 23.985 pagantes, de imensa maioria tricolor, estiveram presentes nas arquibancadas para acompanhar a final da Primeira Liga entre Fluminense e Athletico-PR. O juiz-forano Breno Liguori e João Victor Pecly, carioca radicado em Juiz de Fora, lembram daquela final com carinho.

Breno, com 15 anos à época, guarda lembranças daquela campanha. Além da final, ele se lembra da vitória do Fluminense sobre o Cruzeiro, no Mineirão, por 4 a 3, com três gols marcados por Diego Souza, e da partida contra o Criciúma, na fase de grupos, que também aconteceu em Juiz de Fora. “Eu pude ir no jogo contra o Criciúma e foi bem legal acompanhar o time na competição aqui em Juiz de Fora”, recorda.

João Victor, que havia se mudado para Juiz de Fora há pouco tempo, lembra que, após o Fluminense se classificar para a final, havia a expectativa de que o jogo fosse realizado em Juiz de Fora, já que o Estádio Municipal recebeu a outra semifinal, entre Flamengo e Athletico-PR. “Existia uma comoção por essa final ser aqui, já que poderia ser um Fla x Flu, e aí começou aquela ansiedade para comprar os ingressos e estar presente”, conta.

Com Breno não foi diferente. Assim que saiu a confirmação de que o jogo aconteceria em Juiz de Fora, rapidamente se planejou para comprar os ingressos. “Lembro que, no dia da venda, saí direto da aula e fiquei por uma hora na fila que estava bem grande no Shopping Santa Cruz, tinha muita procura pelo jogo”, afirma.

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Breno vai ao Maracanã sempre que pode (Foto: Arquivo pessoal)

As memórias das arquibancadas

Por ter morado no Rio de Janeiro antes de se mudar para Juiz de Fora, João Victor já havia assistido do estádio outras finais com o Tricolor em campo, mas a da Primeira Liga foi mais especial que as demais que vivenciou à época. “Pelo fato de ser em Juiz de Fora era diferente. Tinha a questão de estar na porta de casa, receber seu time em casa, em um estádio que sempre esteve presente na nossa vida”, diz. Breno vivia a expectativa de assistir a sua primeira final com o Fluminense em campo do estádio. “Foi uma experiência marcante para sempre”.

Breno foi acompanhado do pai para o jogo, já João Victor se reuniu com amigos para ir. Ambos foram de ônibus e, quando chegaram aos arredores do estádio, a torcida do Fluminense já estava fazendo a festa. “O trânsito para o estádio estava muito cheio, então descemos com vários torcedores do Fluminense bem longe e continuamos a pé, já que não andava e não chegaríamos a tempo. A caminhada valeu a pena”, conta Breno.

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Breno guarda o ingresso da final até hoje (Foto: Arquivo pessoal)

Além dos tricolores de Juiz de Fora, muitos torcedores vieram do Rio de Janeiro rumo ao Estádio Municipal. “Foi uma festa bonita, estava extremamente lotado de tricolores. Estávamos muito confiante com o título, que tinha uma comoção por ser uma parada inédita”, afirma João Victor.

Se a festa nas arquibancadas foi dominada pela torcida tricolor, o que aconteceu no campo foi diferente. A partida foi marcada pelo equilíbrio, até que Marcos Júnior, aos 35 minutos do segundo tempo, recebeu passe de Magno Alves e arrancou até a grande área, onde ficou cara a cara com o goleiro Weverton e bateu no canto para marcar o gol do título do Fluminense naquela noite. “O gol do Marcos Júnior no final da partida foi emocionante, eu estava na arquibancada bem em frente, o estádio foi abaixo”, recorda Breno.

“Lembro exatamente do gol do Marcos Júnior, ele dá uma arrancada de trás do meio de campo, perde a passada e finaliza meio desequilibrado. Um amigo que estava do meu lado só falava ‘ele não pode perder, não acredito que ele vai perder’, e ele fez. Foi uma sensação incrível! Lembro de todo mundo se abraçando, o Mário Helênio lotado de tricolores, foi uma emoção gigante”, relembra, com detalhes, João Victor.

Anos depois, Breno teve a oportunidade de ver o Fluminense ser campeão no Maracanã, mas a final da Primeira Liga sempre terá um espaço especial reservado na sua memória. “O Fluminense ter sido campeão exatamente na minha cidade foi uma sensação que vai ficar na memória pra sempre! Apesar de depois ter a oportunidade de ver ser campeão no Maracanã, ver um título em Juiz de Fora foi marcante”, conta.

Confusão e festa

Apesar da festa promovida pelos torcedores nas arquibancadas, o jogo também ficou marcado pela confusão. Após o apito final, membros de uma torcida organizada do Fluminense invadiram o campo para comemorar e foram repreendidos pela Polícia Militar (PM), que usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. A fumaça do gás também afetou torcedores que não estavam envolvidos, além dos jogadores em campo. “Com 15 anos na época, eu não sabia como era a sensação do gás. Foi bem ruim, mas ficou uma memória engraçada pela minha reação”, relembra Breno.

Título é chancela de reconstrução

Apesar da Primeira Liga ter tido uma vida curta e ter sido escanteada pela maioria dos clubes na sua segunda edição, a conquista foi muito importante para o Fluminense em virtude do momento que o clube atravessava na época. “Com a saída da Unimed a situação financeira do clube piorou muito, e passamos por anos complicados, então aquela taça acabou sendo um bom alento”, afirma Breno.

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(Foto: Leonardo Costa)

João Victor argumenta na mesma linha que Breno, mas relembra outro fator: a saída de Fred, que deixou o clube pouco tempo antes rumo ao Atlético-MG. “Era um momento complicado na política do clube, com a saída de um dos maiores ídolos e o primeiro título sem a Unimed. Era um Fluminense mais enxuto, sem grandes estrelas, mas era um time competente”, diz.

Tópicos: Fluminense