Na orelha da bola
Serenidade e tolerância
Tom ou vulto enorme o episódio ocorrido em Juiz de Fora na semana passada, em que um professor de Pouso Alegre, Ricardo Paula Lana, chamou um de seus alunos de burro durante uma partida de handebol do Jemg. Há quem enxergue como técnico e atleta, mas, sendo os Jogos Escolares de Minas Gerais escolares, eu prefiro chamar de professor e aluno, por mais que ali estivessem como comandante e comandado. E por mais que o garoto tenha cometido uma burrice, não é papel do professor xingá-lo de burro. Nem se fosse no alto rendimento. Essa coisa popularizada pelo Bernardinho de técnico gritar com atleta, de fazer jogadora chorar… é uma atitude desprezível. Gostaria de um dia ver uma grandalhona daquelas dar o troco no multicampeão e berrar no ouvido dele até ficar rouca.
Seja como for, errou o professor. Mas se fosse uma de minhas filhas a insultada, no calor da arquibancada eu talvez tivesse uma reação ainda mais condenável que a do técnico, o que não faria de mim um assassino ou um hooligan, mas só esta possibilidade já me impede de julgá-lo. Acho correto que receba uma punição exemplar, mas considero um exagero a pena de quatro anos imposta pela comissão disciplinar do Jemg, e um absurdo que tenha sido demitido.
Em Pernambuco, os dirigentes do Sport Club Recife voltaram atrás depois de mandarem embora o goleiro Gustavo, de 18 anos, que agrediu covardemente um jogador do Vasco durante a Copa BH de Futebol Júnior. O rapaz foi massacrado por todos, julgado sem direito a defesa, condenado e expulso do time. Felizmente, a diretoria do Leão mostrou grandeza ao assumir o próprio erro – cometido sob a pressão da opinião pública – e voltou atrás, reintegrando Gustavo ao elenco. Do contrário, perderia uma grande oportunidade de dar um exemplo de serenidade e tolerância. O Sport mostrou que é preciso dar uma segunda chance, cabe a Gustavo, um estudante de jogador profissional, aproveitá-la. Não deveria ser concedido ao professor indulto similar?









