Nada no balaio
O HOMEM DO ANO
Uma pesquisa feita pelo jornalista e professor Jorge Duarte, que também integra a assessoria de comunicação da Presidência da República, enumerou as principais reclamações de políticos, empresários, artistas e atletas em relação aos jornalistas. Todos, sem exceção, consideram a opção por divulgar sempre algo negativo como nosso principal defeito. O que não deixa de ser verdade, embora tal opção seja consequência da natureza da informação jornalística, que se compõe do novo, o inusitado, o sensacional e o misterioso.
Um distinto ministro no exercício de suas atribuições renderia boas notícias para jornalistas especializados em sua área quando divulgasse novidades da pasta. Caso usasse recursos do seu ministério para pagar motorista para sua esposa, empregada para sua casa e motel para sua festa, seria noticiado por ser enquadrado no aspecto inusitado ou até mesmo misterioso dos fatos. Agora, invertida a lógica, com a maracutaia correndo solta, é até justificável noticiar, quando possível, um ministro minimamente ministro.
Por isso que, na semana passada, a frequência dos deputados no primeiro semestre virou notícia. Dos 513, apenas 35 participaram de todas as sessões. A novidade, o inusitado, o sensacional e até mesmo misterioso não é haver tantos assíduos, mas o ex-jogador Romário (PSB) estar entre eles. Avesso a concentrações e treinos quando estava na ativa, o Baixinho tornou-se exemplo na política, o que não é lá nenhuma proeza. Uma revista de circulação nacional antecipou sua indicação como homem do ano na categoria política, superando o senador Aécio Neves (PSDB).
Romário ganhou mais versatilidade na política. Sai da zaga, onde se tornou a principal pedra no sapato do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para o ataque, sem preocupação com o corporativismo da nova classe. Fui um dos que votaram pela cassação (da deputada Jaqueline Roriz), mas sabia que isso não aconteceria. Lançou um site (www.romario.org) para fiscalizar o andamento das obras para a Copa de 2014. Mesmo atarefado, garante curtir hábitos antigos, como sair para casas noturnas uma vez por semana para curtir hip-hop, funk e ver as gostosas dançando na pista.








