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‘Uma nova visão de organização’


Por Bruno Kaehler

17/04/2016 às 07h00

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Dezenove dias se passaram desde a confirmação de Gustavo Mendes como novo diretor executivo de futebol do Tupi, e o carioca, de 41, anos começa, com o fim da participação carijó no Campeonato Mineiro, sacramentada no último domingo (10), a implementar seu estilo de trabalho no dia-a-dia do Alvinegro juiz-forano, prestes a disputar a Série B do Brasileiro, principal atração do profissional para o acerto. Formado em Comunicação Social, com pós-graduação em Gestão Esportiva, Mendes acumula, ainda, passagens por clubes como o Fluminense, Náutico, Avaí, ABC e Macaé – última agremiação defendida, onde participou da conquista do título da Série C em 2014. Casado e pai de dois filhos, o novo diretor do Tupi, em entrevista exclusiva, não fugiu de temas como a projeção do fim da revitalização do centro de treinamento em Santa Terezinha e a possibilidade de vendas dos jogos do Carijó na segunda divisão. Nem mesmo o incômodo com o som dos trens ao lado da sede social influenciaram nas respostas diretas e relatos sobre sua boa adaptação a Juiz de Fora. “Só não vou me acostumar com este barulho. Continuo me assustando.”

– Tribuna: Quais suas primeiras impressões do clube, estruturalmente e no relacionamento com os profissionais?

– Gustavo Mendes: Com o grupo de jogadores não tive nenhum problema. O momento era delicado e não era hora de fazer intervenções maiores. Todo grupo de trabalho tem uma dinâmica e ela já estava formada ali, então não tinha muito o que fazer. Nessa primeira fase, em termos de entrosamento, foi muito mais importante a convivência com a comissão técnica. Não errei na impressão que tinha de que a dupla com o Ricardo (Drubscky) seria bastante afinada e comecei muito bem com a comissão técnica. E estava talvez com essa necessidade: as pessoas trataram a chegada de um novo diretor executivo com deferência, às vezes com uma mesura até desmedida. Isso me marcou e se a coisa se encerrar daqui a uma semana vai ser uma lembrança que vou levar para sempre. Uma surpresa positiva foi a disposição da direção em recuperar Santa Terezinha. Este é um ponto fundamental e talvez nem eles saibam o bem que isso vai fazer para o trabalho do clube. Tomei como um projeto também meu e com pouco, o retorno vai ser muito grande.

– O CT de Santa Terezinha fica pronto até o início da Série B?

– Acho que não antes da primeira partida, mas no início da Série B. E foi muito bacana chegar e ter alguém pensando nisso. Além de tudo tem identidade com o clube. Santa Terezinha é a história do Tupi. Minha metodologia não é imune à cultura do clube, tenho que adaptar. A história do clube vai permear meu trabalho o tempo todo. Se não for assim, não vale a pena.

– O que é prioridade no aspecto técnico neste período da temporada?

– Será um novo time, muito mais com a cara do Ricardo (Drubscky), que chegou com o campeonato em andamento. Então será um time com maior participação dele, mesmo com pouco tempo para montar. Tenho que trabalhar nas contratações para atender o que foi traçado e dar todo o suporte para que ele consiga montar essa equipe. Por outro lado, consertar o carro andando, mas trazer uma nova visão de organização. E temos que definir um organograma, pensar como empresa. Não vou mandar ninguém embora, mas obviamente a gente pode estudar mudanças, realocação de funções.

– Qual o perfil necessário do jogador que será contratado para a Série B?

– As características que a competição exige. Não estou falando especificamente do que o Ricardo desenhou, porque ele vai além, desenhando esquema tático, por exemplo. Mas a Série B tem coisas notórias: força, velocidade, por ser uma competição longa você precisa de um elenco que aguente essa maratona, e creio que, para um time de orçamento reduzido, você tem que pensar em versatilidade.

– Os empréstimos junto a clubes como o Atlético Mineiro farão parte da estratégia do Tupi?

– Já está sendo adotada e os clubes estão sendo contatados, porém a adesão ao Profut e algumas coisas deram uma prejudicada nesse tipo de parceria, freou alguns clubes nesse sentido, mas vamos conseguir. E o mais importante é que não tem que ser bom só financeiramente, porque se for assim não adianta. O primordial é que ele nos ajude também tecnicamente. E dificilmente um jogador nesse aspecto vem para ser titular, porque o perfil desses atletas normalmente é de um jovem que ‘estourou’ a idade e o clube quer dar vitrine. Mas já tive conversas com seis clubes grandes que podem arcar com isso.

– Existe a necessidade de um líder técnico para a Série B?

– Não necessariamente. Depende de seu perfil, do momento. Já tive experiências positivas e negativas com isso. Não acho que tenha que ficar preso nessa situação e acho que o grupo já tenha lideranças.

– Quando você fala em liderança no Tupi, nomes como os de Osmar e Glaysson aparecem. Isto quer dizer que o clube seguirá contando com eles?

– Possuem contrato, então não tem porque colocar em cheque eles não estarem aqui. Mas há outras lideranças.

– Você acredita que a venda de jogos pode ser positiva ao clube pela pequena média de público?

– Primeiro quero tirar um argumento seu: a questão de ter pouco público. Se é pouco ou muito, é de torcedores do Tupi. Este é o público, mas não se sabe como vai ser na Série B. Também entendo que, dependendo da circunstância, pode haver uma proposta que seja irrecusável. E aí desde que bem negociada e explicada, de forma transparente e objetiva, mesmo que haja críticas, a coisa seja compreensível. Vejo como inevitável porque a questão financeira, o dia-a-dia, também são importantes. Em linhas gerais essa é minha opinião. E tenho certeza que com um bom começo essa média de público vai subir. É um sentimento de um torcedor de futebol. A Série B hoje é extremamente atrativa.

– Que recado você acredita ser importante passar ao torcedor neste momento?

– Que eles tenham a certeza de que está havendo muito trabalho. Isto é fundamental. Que todos aqui têm absoluta consciência do que a Série B representa para o Tupi e do que o clube precisa fazer na Série B. Que não sou mais importante do que ninguém, vim para ajudar, mas sei de como a minha figura representa a liderança disso e que estarei à frente das críticas.Que recebo todas com a maior tranquilidade e que vou procurar sempre aprimorar a partir delas. Mas que eles tenham a certeza de que aqui existem pessoas muito preparadas para o que fazem, falando de comissão técnica e gestão. Essa equipe, embora menor que outras, não perde para nenhuma favorita da Série B. Que a gente consiga transformar nossa capacidade na formação de um bom elenco.