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Juiz-forano inicia trabalho em academia de muay thai nos Estados Unidos

Fabiano Silva, irmão do lutador Felipe Silva, sonha em formar profissionais para grandes eventos em território norte-americano


Por Gabriel Silva, sob supervisão da editora Regina Campos

16/12/2021 às 07h00

“Estou muito feliz vendo essa nova etapa. Justamente por ver de onde eu saí e onde estou chegando”, reflete o treinador de muay thai Fabiano Silva, recém-chegado a Lake Jackson, cidade localizada no Estado do Texas, nos Estados Unidos. A quase oito mil quilômetros de distância de Juiz de Fora, cidade natal do esportista, fica difícil não lembrar do longo caminho percorrido por ele com base na “luta” cotidiana, seja no sentido literal ou figurativo. Agora, o juiz-forano abre portas em território norte-americano e tem objetivos ousados para a carreira em solo estrangeiro.

Ainda adolescente, Fabiano calçou as luvas e apostou no esporte como meio para ganhar a vida. O sonho anterior, de ser profissional do mountain bike, foi encerrado ainda aos 14 anos, quando ele teve que vender a bicicleta para ajudar em casa, após a mãe ser diagnosticada com câncer. O muay thai, por outro lado, permaneceu na vida dele e do irmão mais novo, Felipe Silva, durante as décadas seguintes.

 

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Fabiano Silva se diz muito feliz com essa nova etapa. "Justamente por ver de onde eu saí e onde estou chegando." (Fotos: arquivo pessoal

Por 26 vezes, Fabiano Silva entrou no octógono como lutador, até encerrar a carreira e iniciar um novo ciclo: o de treinador. Assim, o juiz-forano acompanhou de perto a carreira de destaque internacional do irmão mais novo, que alcançou a maior organização de MMA do mundo, o UFC, e, posteriormente, foi para o Brave.

A trajetória como treinador ainda tomou forma própria, para além da parceria com o irmão Felipe. “O que mais me orgulha é que alguns alunos se tornaram professores e, hoje, podem viver e tirar a sua renda do muay thai,  dando aula. Me orgulho também por ter contribuído para alguns campeões dentro do Brasil e também no cenário internacional, fazendo camping de alguns atletas profissionais de MMA”, diz Fabiano, que já havia passado por vários países ao longo dos 21 anos de dedicação ao esporte.

Oportunidade nos Estados Unidos

A pandemia obrigou Fabiano a mudar de rota, com o fechamento da academia em Juiz de Fora. Foi quando surgiu o convite de um amigo para começar a treinar atletas nos Estados Unidos. Na academia americana,  já eram ministradas aulas de jiu jitsu, mas ainda não havia quem preparasse atletas no muay thai. “(A academia) já tem bons atletas de jiu jitsu e acredito que, em um curto espaço de tempo, vou conseguir formar alguns bons atletas no muay thai”, projeta, otimista, o juiz-forano.

Atualmente, o trabalho é focado em atletas amadores, uma vez que, até então, não havia academia de muay thai em Lake Jackson. Por outro lado, Fabiano já começa a notar jovens lutadores promissores na cidade de pouco mais de 27 mil habitantes. “Já estão apontando alguns jovens que eu vejo que terão carreira brilhante pela frente, que estão empolgados e querendo aprender cada vez mais, já pensando em competir (…). Acredito que, dentro de um ano, já teremos uma boa safra de atletas por aqui”, afirma o treinador.

O trabalho já rendeu destaque em um jornal local, o Brazos Sports. Em edição do último mês de novembro, o veículo destacou o início da trajetória de Fabiano na cidade texana. A publicação é um sinal da boa recepção que o juiz-forano teve em solo norte-americano, o que surpreendeu o próprio treinador. “Estou até impressionado, eu não tinha a expectativa de ser tão bem recebido quanto fui. A cidade é acolhedora, o pessoal da academia é muito acolhedor, bem próximo do que a gente tem no Brasil, do que temos na nossa cidade”, diz. O acolhimento ajuda a superar o período distante da esposa e do filho, que também devem se mudar para os Estados Unidos no próximo ano. “Teremos uma oportunidade de conhecer uma nova cultura, viver em um país novo”, complementa.

‘Nova etapa’

Em matéria veiculada pela Tribuna em 2020, Fabiano Silva lembrou os perrengues passados com o irmão Felipe no início da carreira no MMA. “Chegamos a dormir em academia porque não tínhamos dinheiro para pagar o hotel. Era tudo contado porque eu não estava trabalhando, pegava às vezes R$ 50 pra comer no fim de semana, eu e ele”, relatou, na ocasião.

A trajetória de sucesso no esporte e a mudança de vida proporcionada pela luta passam a ter um sentido especial para o juiz-forano. “Estou muito feliz vendo essa nova etapa. Justamente por ver de onde eu saí e onde estou chegando. Saber que estou sendo bem reconhecido, que fiz um bom trabalho e que está sendo reconhecido. É muito gratificante”, reflete Fabiano. “Eu venho de uma família que sempre lutou pelos objetivos (…). Através da minha experiência, eu quero encorajar jovens que, muitas das vezes, não têm muita noção do que vai ser do futuro, mas deve acreditar. Sempre quando você faz algo de coração e com todo carinho, toda dedicação, você pode ir muito longe”, garante.