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Patrocinadores avisam que deixarão o Santos se clube seguir com Robinho

Em áudio, jogador diz estar rindo e nem aí para o caso. Ainda conforme o atleta, mulher que denunciou o estupro estaria bêbada


Por Agência Estado

16/10/2020 às 18h13- Atualizada 16/10/2020 às 18h16

O Santos está em situação delicada com seus patrocinadores após anunciar a contratação do atacante Robinho. Muitos deles já avisaram que se o clube mantiver o projeto de manter em seu elenco o jogador, que está sendo acusado de estupro na Itália e foi condenado em primeira instância, eles vão deixar de patrocinar o clube.

“A Tekbond repudia toda e qualquer situação de violência e promove o respeito à diversidade e a inclusão em suas operações. A empresa não teve conhecimento prévio sobre a contratação ou intenção do clube em contratar jogadores. Manifestamos nossa preocupação sobre o fato ao Santos assim que soubemos e, neste momento, a continuidade do nosso patrocínio está condicionada ao cancelamento da contratação do jogador pelo clube”, disse a empresa.

Quem também havia se manifestado anteriormente foi a Orthopride, que rompeu o contrato de patrocínio que tinha com o clube até fevereiro de 2021. A empresa de ortodontia estética estampava sua marca dentro do número das camisas e não quis ver seu nome atrelado a um jogador condenado por estupro na Itália.

Outra empresa que também prometeu que se o jogador entrar por uma porta ela sai por outra foi a Kicaldo, que avisou que se o Santos mantiver as negociações com Robinho ela vai deixar de patrocinar o clube da Vila Belmiro.

Advogados se posicionam e apontam “equívoco de interpretação”

Em meio à situação, a defesa do jogador se posicionou a respeito dos detalhes do processo. Os advogados do atleta afirmaram que houve um “equívoco de interpretação” em relação às conversas gravadas com autorização judicial e divulgadas pelo GE.Globo nesta sexta-feira e voltaram a negar que o atacante seja culpado pelo crime.

Transcrições de interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial e divulgadas pelo site mostraram que Robinho revelou ter participado do ato que levou uma mulher albanesa a acusar o jogador e cinco amigos de estupro coletivo, em Milão. Em 2017, a Justiça italiana se baseou principalmente nessas gravações para condenar o atacante em primeira instância.

De acordo com a investigação, Robinho e outros cinco amigos, incluindo Ricardo Falco, que também foi condenado, levaram a mulher ao camarim de uma boate chamada Sio Café, em Milão, e lá abusaram sexualmente dela. O caso aconteceu em 22 de janeiro de 2013, quando o atleta defendia o Milan. Os outros suspeitos deixaram a Itália ao longo da investigação, e por isso a participação deles no ato é alvo de outro processo.

Segundo os advogados de Robinho, Alexander Guttieres, Franco Moretti e Marisa Alija, ele não é culpado pelo crime e a relação sexual foi consentida. “O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida”, diz trecho da nota oficial enviada ao Estadão.

A defesa do jogador afirmou que “não houve violência sexual, tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas”. Também declarou que “há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho” e que existem “outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana que certamente levarão à sua absolvição”.

“A mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”

Além da interceptação telefônica com autorização da Justiça, a polícia italiana instalou grampo no carro utilizado por Robinho no país. Em um dos diálogos com o músico Jairo Chagas, que tocou na boate em Milão na noite do episódio, o jogador revelou que a vítima estava alcoolizada.

“Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”, diz Robinho Segundo o processo, em outro trecho da conversa, o atacante confirma que tentou transar com a mulher e o músico, que o avisou sobre a investigação, ressalta que viu o atleta “quando colocava o pênis dentro da boca dela”.

Para os advogados, houve um erro de interpretação da Justiça na tradução dos diálogos para o idioma italiano. “Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação”, afirma o comunicado.

A decisão do tribunal de Milão, proferida em 2017, ainda não é definitiva e foi alvo de contestação das defesas do jogador do Santos e de Ricardo Falco, o outro amigo condenado. Os advogados dos dois apresentaram recurso e ambos respondem em liberdade. Há mais duas instâncias na Itália até o trânsito em julgado da ação, isto é, até se esgotarem os recursos. O caso será apreciado em segunda instância pela corte de apelação de Milão em dezembro.