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Exclusiva: o homem do Mundial em Minas Gerais


Por WALLACE MATTOS

16/10/2011 às 07h00

Juiz de Fora foi sede do segundo Seminário de Centros de Treinamento de Seleção (CTS), organizado pela Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), em parceria com o Sebrae-MG e a Prefeitura. O evento trouxe à cidade, na última sexta-feira, o titular da pasta estadual destinada a coordenar as ações mineiras visando o Mundial de 2014, Sérgio Barroso, que falou com exclusividade à Tribuna após o encerramento dos painéis.

Desde a criação da Secopa, em janeiro, à frente da pasta, Barroso tem uma vida empresarial de sucesso. Foi o primeiro brasileiro a ocupar a presidência da Cargill no país, depois de integrar os quadros da Light e da Bunge. Mineiro de Cipotânea, é mestre em Economia Internacional pela Universidade de Boston, com especialização em Administração de Empresas pela Universidade de Michigan, Gerenciamento de Executivos pela Universidade Columbia, bem como pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Após aposentar-se no setor privado, assumiu por dois anos a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas. Foi presidente do conselho da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais (Codemig), do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) e vice-presidente do conselho do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Atualmente também preside o conselho da Light.

Na entrevista, Barroso falou sobre sua relação com a Zona da Mata. O secretário, avaliou a candidatura de Juiz de Fora a receber uma seleção internacional e a possibilidade de o Aeroporto Regional se tornar o centro logístico do Mundial. Também disse o que espera da reunião da próxima quinta-feira, quando a Fifa irá anunciar, em Zurique, na Suíça, em quais cidades acontecerão jogos marcantes da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações de 2013, além de projetar o que a Secopa quer deixar de legado para os mineiros.

Tribuna – O senhor nasceu em Cipotânea. Qual sua relação com nossa região, a Zona da Mata e Juiz de Fora?

Sérgio Barroso – Sou nascido em Cipotânea, minha família é de lá, então, tenho um carinho todo especial pela Zona da Mata. Nossa primeira capital era Barbacena, e a capital maior ainda, um pouquinho mais longe, era Juiz de Fora. Mas, tenho realmente muito carinho porque tenho parentes que moram aqui em Juiz de Fora, gente da família que mora em Barbacena, tive passagens importantes da minha vida em Rio Pomba, Tabuleiro, Coronel Pacheco, Mercês, enfim… conheço muito e tenho muito apreço por essa região.

– A candidatura de Juiz de Fora tem essa característica regional, integrando cidades como Matias Barbosa, onde está sendo construído um hotel para abrigar uma possível delegação, e Goianá, que possui o Aeroporto Regional da Zona da Mata. Como o senhor vê essa proposta?

– Fiquei muito satisfeito em ver que, principalmente Matias Barbosa e Juiz de Fora – certamente com outros municípios que virão a se integrar a esse esforço -, estão trabalhando em conjunto para ser um grande Centro de Treinamento de Seleção. A gente vê que a região está muito empenhada em trazer uma seleção para cá, reconhecendo a importância que isso tem não só para um município.

– Depois da apresentação das possibilidades que as cidades mineiras têm, como a Secopa pretende atuar para ajudar na atração das seleções estrangeiras?

– Primeiro, vamos continuar o trabalho de interiorizar a Copa. E isso passa por conhecer mais cada um dos 19 candidatos. Por exemplo, a questão da hotelaria. Achamos que o estado e as cidades têm que induzir mais os empresários a investirem no setor. Não só para atender a quem vem para a Copa do Mundo, mas a demanda crescente que todos estamos tendo. Ontem (quinta-feira), tive dificuldades em me hospedar em Juiz de Fora, por conta de um evento que está acontecendo aqui (JF Folia). Como vai ser quando ocorrerem três ou quatro ao mesmo tempo? Há que se ter uma hotelaria mais pujante. Tem também a questão dos aeroportos. Como vamos fazer para induzir mais o movimento de aeronaves, de linha aéreas aqui para a região? A questão é a melhoria no plano diretor do município, principalmente no desenvolvimento da grande cidade da Zona da Mata que é Juiz de Fora. Tudo isso entra também nesse contexto da vontade das cidades mineiras de receberem uma seleção para treinos.

– O senhor fez uma visita o Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, e viu como está o local agora. Recentemente, surgiu uma possibilidade de ele ser o centro logístico do Mundial. Como o senhor encara essa possibilidade?

– Conheço muito bem o aeroporto, gosto muito dele. A pista de 2.583m é a segunda mais longa de Minas Gerais, a décima do Brasil. Tem um terminal de passageiros e cargas extremamente novo, bonito e muito operacional. O sistema de segurança totalmente adaptado. Conta com Polícia Federal, Receita Federal e todo o sistema que um grande aeroporto merece e deveria ter. Estão acabando de fazer umas aparas em um morro que causava um encurtamento de pista, já, já isso estará resolvido. Somado à localização próxima a Juiz de Fora, será uma grande alternativa aos aeroportos do Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

– É um trunfo na atração de uma seleção para se hospedar aqui?

– Eu considero um grande trunfo. Estou muito satisfeito com o que vi em Goianá.

– O senhor embarca para Zurique, na Suíça, no início da próxima semana, para a cerimônia na qual a Fifa vai determinar em quais cidades acontecerão grandes jogos da Copa de 2014 e da Copa das Confederações em 2013. O que espera trazer de lá?

– Não sei, pois é uma decisão que cabe estritamente à Fifa. Mas, Minas Gerais tem se preparado desde o início com planejamento estratégico perfeito. Hoje, estamos à frente de todos os outros estados que têm cidades-sede, com o Mineirão ficando pronto em dezembro de 2012, o aeroporto pronto em 2013 (Confins passará por um processo de ampliação), as obras de mobilidade prontas também em 2013, assim como hotéis e a capacitação de pessoal. Então, vários meses antes da abertura da Copa, estaremos 100% preparados para fazer um grande Mundial. O Mineirão ficará perfeito, com 64.500 cadeiras cobertas, infraestrutura tecnológica de última geração, um Museu do Futebol e uma esplanada externa que pode ser usada para eventos de até 65 mil pessoas. Agora, o que a Fifa vai decidir e a maneira que isso vai se dar, não sabemos. Se fosse por méritos, a Fifa deveria decidir que Belo Horizonte vai fazer a abertura da Copa do Mundo de 2014.

– Qual sua avaliação sobre esse tempo à frente da Secopa? O que projeta para o futuro?

– Vejo tudo com muito pragmatismo. O governador me deu uma função difícil, espinhosa, na qual devo trabalhar com paixões, e venho procurando cumprir. As pessoas têm paixão pelo futebol, que é apenas uma parte da Copa do Mundo, e a minha obrigação é juntar a razão e a emoção dentro de um pacote só. Tenho que agradar a quem é apaixonado pelo futebol e agradar à sociedade, acelerando o processo de desenvolvimento de Minas Gerais, atraindo mais investimentos para o estado através das entradas aeroportuárias, importantíssimas no nosso caso. É preciso evoluir em questões como a hotelaria, a mobilidade urbana, e não só em Belo Horizonte, mas nas grandes cidades do interior também. O objetivo é envolver todo o estado na Copa do Mundo, focando na questão da capacitação profissional, através da qual o maior legado do Mundial, a meu ver, ficará. Pessoas que hoje talvez não tenham profissão ou especialização para oferecer um serviço de qualidade vão poder se inserir e competir melhor no mercado de trabalho. Essa é a mentalidade para o futuro, sempre apoiado na ideia de que Minas Gerais tem que ser o melhor estado para trabalhar e o melhor estado para se viver.