Fisiologista do Tombense é representante de Juiz de Fora na decisão do Mineiro
Guilherme Stroppa tem passagem recente pelo Tupi, onde foi campeão do interior, e volta a trabalhar em clube de destaque no Estadual
Se o Tombense é a Zona da Mata na decisão do Campeonato Mineiro deste ano, e Tupi e Tupynambás ainda têm futuro incerto no futebol estadual após a pandemia, Juiz de Fora possui outro representante na final. O fisiologista Guilherme Stroppa, com história no Galo Carijó, está em seu segundo ano defendendo as cores da equipe de Tombos (MG), destaque na divisão de elite de Minas Gerais em 2020. Mesmo morando a 231 quilômetros de distância do território juiz-forano, o profissional é quem ainda leva a bandeira da cidade no certame.
Nenhum clube do estado pode se orgulhar por ter o título de campeão mineiro do interior por duas vezes em três anos. Stroppa, no entanto, ostenta a respeitosa marca. O juiz-forano foi o responsável por inaugurar, no final de 2017, o departamento de fisiologia no clube. O trabalho foi fator considerado determinante para o título do interior do Galo Carijó, conquistado no ano seguinte.

O trabalho em campos juiz-foranos, o primeiro do ex-aluno da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) no futebol profissional, foi interrompido em 2019, justamente quando recebeu convite da equipe do Tombense. Em março daquele ano, Stroppa percorreu os mais de 200 quilômetros entre Juiz de Fora e Tombos para se estabelecer em um dos principais clubes mineiros da atualidade. “A estrutura, aqui, é muito boa. Temos todos os recursos que se pode imaginar para trabalhar dentro de campo”, conta Stroppa à Tribuna.
Em 2020, foi a vez do Gavião-Carcará se beneficiar com a atuação do fisiologista, e novamente levar, coincidentemente, o troféu dado à equipe de fora da capital que alcança a melhor campanha no Campeonato Mineiro.
O sucesso em 2020
Em 2019, ano de estreia do fisiologista no clube de Tombos, o título do interior bateu na trave. A equipe foi derrotada pelo Boa Esporte, nas quartas-de-final, e ficou com a segunda melhor campanha entre os times de fora da capital Belo Horizonte. Neste ano, por outro lado, a trajetória foi irretocável: líder na fase de pontos corridos, o Tombense passou com tranquilidade pela Caldense na semifinal.
Agora, se prepara para enfrentar o badalado Atlético-MG do treinador argentino Jorge Sampaoli, em confrontos marcados para os próximos dias 26 e 30, em Belo Horizonte. O sucesso da equipe é visto por Guilherme Stroppa como resultado de um trabalho coletivo entre a comissão técnica e os jogadores. “Nós sempre falamos em trabalhar com honestidade e ter fé. Não só no sentido religioso, mas tendo convicção no que estamos fazendo e tentar errar o menos possível”, afirma.
A filosofia de trabalhar no nível mais alto possível perpassa todos os núcleos do clube, segundo Stroppa, e resulta em uma equipe que tenta ganhar pela força como time, mais do que por valores individuais. “Nós temos uma equipe muito homogênea. Não temos a responsabilidade centralizada em um ou dois atletas. Ela passa por todos. Eu vejo como um conjunto jogando, a equipe toda em harmonia e conseguindo resultados”, reflete o fisiologista, que credita o estilo do time ao treinador Eugênio Souza.
A consistência coletiva é justamente o fator que mais diferencia as trajetórias dos campeões Tupi e Tombense, para Stroppa. Na visão do juiz-forano, em 2018, o Galo Carijó era uma equipe batalhadora que contava com dois talentos que desequilibravam: Renato Kayser e Patrick Brey. “Na época do Tupi, a gente tinha uma característica de time muito aguerrido. E tinha atletas como o Kayser e o Patrick Brey, que são de outro nível, extremamente competitivos e elevavam muito o poder da equipe”, conta.

Exceção do interior e recuperação do ex-Fla, Ibson
O clube campeão mineiro do interior em 2020 se destaca pelo alto investimento em profissionais e em estrutura física do centro de treinamento. Campeão da Série D do Campeonato Brasileiro em 2014, o Tombense se estabeleceu na Série C se apoiando no consolidado trabalho de estruturação realizado desde o início do século. “Entre as equipes do interior, aqui em Minas, não há outra com uma estrutura como a que temos”, afirma Stroppa.
A importância da estrutura de ponta e do trabalho realizado pelo departamento de fisiologia ganha forma na trajetória do meio-campista Ibson, de 36 anos, estrela da equipe. O atleta teve de realizar uma cirurgia para recuperar-se de lesão, durante a paralisação do calendário em virtude da pandemia de coronavírus, e já está em plena forma física. “Ele tem um perfil de atleta muito grande. Nós passamos as orientações para ele e, antes do treino, ele sempre faz uma série (de exercícios) na academia e passa no departamento médico para tomar os cuidados preventivos”, relata.
O objetivo é o acesso
Para a longa temporada de 2020, o fisiologista espera uma conquista inédita na sua curta trajetória no futebol profissional: o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. Na primeira rodada, um revés jogou um balde de água fria na equipe, após sofrer três gols e não marcar nenhum contra o Ituano, em São Paulo. Mas nada que desanime Guilherme Stroppa. “É difícil jogar fora de casa, depois de uma sequência de dois jogos em uma semana, ainda tendo a viagem. Acredito que isso tenha pesado na primeira partida”, analisa.
Para a sequência, o trabalho fora do campo, como o realizado por Stroppa no departamento de fisiologia, pode ser tão decisivo quanto um gol nos minutos finais, em sua visão. “Os jogadores podem estar hoje no campo, mas amanhã, não. Por uma lesão ou alguma outra coisa. Então, precisamos ter um repertório maior para solucionar os problemas que vão acontecendo”, sintetiza.









