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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

15/08/2013 às 23h00

Vai que cola

Que golaço fez o tal do Walter contra o Flamengo, hein! A cada dia me torno mais fã do sujeito e de sua forma, digamos, arredondada. Joga fácil o gordinho. Por mais magro que eu seja, digo sem pestanejar que me identifico com o cara. E não é por gostar de litros diários de refrigerante e bolachas recheadas de chocolate. É porque o atacante do Goiás faz a gente pensar que, felizmente, o futebol não é exclusivo daqueles de físico prestigiado, construído com exercício bitolado e agulhadas de anabolizantes camuflados em antigripais. A bola também rola para gente de verdade, como Walter. Ou eu. Ou você.

O Campeonato Brasileiro está cheio de exemplos de que o melhor é aquele que joga mais com a cabeça do que o corpanzil. Entre brucutus marombados, as grandes exibições têm sido executadas por jogadores que muitos chegaram a considerar acabados para o futebol pela idade avançada. Em tempos de correria, depois dos 33 anos, o atleta já é considerado veterano. Politicamente incorreto, velho. Porém, aí estão Seedorf, Zé Roberto, Juninho e Alex mostrando que a magia está no improvável e no talento, coisas inerentes à idade ou à forma física.

O craque de verdade não é volante, polivalente, formado nas divisões de base de clube elitista ou destaque da série A2 do Paulistão. Não é taticamente inteligente. Não chama treinador de professor. O bom jogador é aquele que faz coisas inesperadas. Inverte uma jogada improvável. Como aquele seu amigo da pelada de domingo. Aquele gordinho. Ou seria aquele velhote? O craque de verdade joga por alegria e intuição. Nunca por se adequar ao 4-3-1-2 da moda.

Neste contexto, em que o caras da vez são os velhos ou o gordo, estou pensando em tirar minha chuteira do varal e me colocar à disposição para um clube que queira apostar em um magrelo de trinta e poucos anos, que já teve fama de craque no passado. Ou, ao menos, acha que tinha. Nem que seja para descolar uma pelada no final de semana. Vai que cola.