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Pelas escadas e caracóis da Torre Eiffel


Por WALLACE MATTOS

15/03/2015 às 06h00- Atualizada 15/03/2015 às 10h36

Depois de dois meses de preparação específica, chegou a hora de a juiz-forana Danielle Marie Uhebe encarar o desafio e fazer história na primeira edição da La Verticale de La Tour Eiffel. No próximo dia 20 de março, sexta-feira, a bailarina e coreógrafa de Juiz de Fora será a única brasileira entre os 61 competidores – 41 profissionais e 20 amadores – a alinhar para a largada na base de um dos mais famosos cartões postais do planeta, encarando os 1.665 degraus em 279m de subida. A competição começa às 20h30 de Paris, 18h30 no Brasil, e é feita através de tomada de tempo.

Segundo Danielle, a vontade de correr a La Verticale partiu de uma brincadeira do marido, Marcelo Misailidis. “Sempre fui apaixonada por Paris. Tenho um carinho muito especial pelos franceses, e o balé sempre me ligou àquele lugar. Agora que não danço mais, comecei a correr, e aí surgiu o desafio de voltar à capital francesa. Uma amiga me enviou um e-mail falando da prova e, brincando, meu marido me fez o desafio: ‘vai lá, se inscreve e, se você passar, eu te levo. Mas não se esqueça, (a chance de ser escolhida) é um grão na areia de Copacabana…'”, conta.

Após passar por uma processo de seleção que incluía mandar para a organização uma carta explicando porque gostaria de participar da La Verticale, exames médicos comprovando saúde perfeita e registro de participações e tempos em provas de 10km, a atleta local se viu em meio a 280 aprovados. Desses, 20 foram sorteados para participar como amadores, sendo 18 homens e duas mulheres, todos eles nascidos na França. A situação não incomoda a juiz-forana, além de única brasileira, única sul-americana na competição, incluindo os profissionais na conta. “Que venham os franceses, a mineira esta preparada”, garante Danielle.

A preparação

Assim que soube que estaria na prova, Danielle começou treinos específicos para a prova. Corredora amadora há cerca de quatro anos, ela explica que teve que mudar um pouco a rotina e se cuidar para não sofrer com contusões. “Correr na vertical não é tão simples. Requer treino, disciplina e prevenção. Tive que treinar forte e, ao mesmo tempo, evitar lesões. Até mesmo porque quero continuar a correr e enfrentar novos desafios. Treinei seis dias por semana: musculação, RPG e pilates, corridas no plano e treinos específicos nas escadas. Não podia ver uma escada que já começava a estudar a possibilidade de ela ser minha aliada. Treinei na UFJF e no Edifício Clube Juiz de Fora. No Rio, treinava no meu prédio”, conta.

Nessa caminhada até estar pronta para a Torre Eiffel, Danielle recebeu ajuda de quem sempre contou e até mesmo de fontes inesperadas. “Minha equipe me apoiou muito. Desde que iniciei no mundo das corridas, faço parte da Vem Correr, um time muito bacana. Contei com minha treinadora, Eliane Franco, e a fisioterapeuta Barbara Rossi, que cuidou para que nenhuma lesão ocorresse. No meu prédio, no Rio, as pessoas entendiam e me ajudavam também, colocando o elevador à disposição, me davam água pelo caminho. Com isso, fiz amigos. Além disso, meu amigo francês, Luc Bouff, que mora em Juiz de Fora agora, me ajudou muito. Estudamos juntos cada lance, cada platô. Sem a ajuda de cada um, jamais conseguiria chegar lá”, agradece.

Vitoriosa

Danielle já prevê qual será o ponto mais difícil da corrida, mas acredita que chegará até o topo da Torre Eiffel. “O principal desafio vai ser do segundo para o terceiro platô. Serão 961 degraus contínuos e em caracol. Não existe a possibilidade de treinar isso. Mas estou com uma resistência boa. E muito feliz de estar participando. Terei minha família comigo. Minha filha, Sophie Marie, de 3 anos, vai e poderei contar para ela mais tarde sobre essa experiência que vivemos juntas. Já me sinto uma vitoriosa.”