Tópicos em alta: delivery jf / coronavírus / vacina / chuva / polícia / obituário

‘Para mim, a corrida foi como uma analista’: os 80 anos de Giba, nome certo das provas de JF

Virando octogenário e corredor há mais de três décadas, Giba superou problemas cardíacos sem deixar de colecionar pódios e amigos no esporte

Por Gabriel Silva, estagiário sob a supervisão do editor Bruno Kaehler

15/01/2021 às 07h00- Atualizada 15/01/2021 às 08h21

Giba, e seus sorrisos como o da foto, são sempre presentes nas corridas da cidade (Foto: Rumo Certo)

“Para você começar a correr é assim: você corre 200 metros e já vai ficar ofegante, mas tudo bem”, instrui, como um professor, José Gilberto de Melo, o Giba. “No dia seguinte, você vai correr 300 metros. Daí a pouco você é picado pela corrida”, resume ele, com a experiência de quem vivenciou exatamente o que relatou nesta modalidade há mais de 30 anos. Onipresente nas corridas de rua juiz-foranas e um dos fundadores da tradicional equipe Super Amigos, Giba completa 80 anos no próximo sábado (16), sendo um exemplo de superação e devoção ao esporte.

Após oito décadas de vida, quem vê Giba dando seus passos pelas ruas da cidade talvez não imagine toda a história que as “canelas finas” – como ele mesmo define – têm. A relação do juiz-forano com as corridas começou tarde, aos 48 anos, por preocupação com a saúde. “Eu entrei para uma academia de ginástica e, quando fui fazer o teste de avaliação física, o professor viu que eu levava jeito para a corrida. Eu fiz um excelente tempo, sem pensar em correr.” E assim, ao acaso, começou a sua história que viraria uma paixão.

Da academia para as ruas, a primeira participação em uma corrida aconteceu após um amigo fazer a inscrição de Giba. No segundo evento, veio o primeiro pódio com um quinto lugar. “Formamos uma equipe no Colégio Granbery e eu comecei a participar de corridas em tudo quanto é lugar, e passei a tomar gosto”, conta o corredor.

Dois anos depois, com o encerramento da equipe do Granbery, os dissidentes formaram a Super Amigos, já com 30 anos de existência. Giba é um dos cinco remanescentes daquela primeira formação. “Eu brinco que a nossa equipe de fundadores está igual arara-azul, em extinção”, afirma, com bom humor.

Inicialmente, o atleta representou a Super Amigos em competições de Juiz de Fora e na região. Ele contabiliza 17 vitórias, dentro da própria faixa-etária, do Ranking de Corridas de Rua da cidade. Com o passar dos anos, os limites foram rompidos e provas de outros cantos do Brasil e de fora do país receberam o juiz-forano, que chegou até mesmo a participar de uma maratona em Boston, cidade do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

O conteúdo continua após o anúncio
O experiente atleta já participou de provas por vários cantos do país e até de fora (Foto: Arquivo pessoal)

Superação e competitividade

Há cerca de 20 anos, aconteceu uma reviravolta fora do circuito de corridas. Giba teve constatada uma arritmia cardíaca e precisou passar por cirurgia para inserção de um marca-passo. “Claro (que foi um susto). Eu nunca imaginei que teria que colocar marca-passo, eu nem sabia o que era isso”, recorda.

Foram 45 dias distante do esporte, mas sem perder o gosto pelas corridas. “O médico me falou: ‘você pode correr, mas não vai fazer de competir com menino mais novo’. Mas eu sou competitivo. Eu via alguém na minha frente e o meu marca-passo não fazia diferença nenhuma”, brinca Giba. Mesmo após a operação, ainda foram muitos pódios conquistados até a sua última aparição na linha de competidores, em 2018.

A “analista” corrida e o “super amigo”

Prestes a completar 80 anos, Giba ainda mantém as corridas como parte da rotina. Ele afirma correr mais de 40 quilômetros por semana. No entanto, os eventos, paralisados por conta da pandemia de coronavírus, fazem falta. “É o momento em que a gente encontra com os amigos. Durante esse período todo de mais de 30 anos em corridas, são vários amigos que eu fiz”, relata.

Questionado sobre a importância das corridas após oito décadas de vida, o esportista lembra do início da relação com o esporte. “Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande, por ser magro e ter perna fina. Era uma pessoa tímida e envergonhada por isso”, recorda. “Para mim, a corrida foi como uma analista. Ela me mostrou que eu não precisava ter vergonha, porque com as minhas pernas finas eu fazia muito mais do que quem tinha a perna grossa”.

Ao final da conversa, a orientação já não é mais sobre como começar e evoluir nas corridas de rua. Passa a ser sobre outra arte também dominada pelo esportista: como fazer amigos no esporte. “Eu vejo uma pessoa correndo na rua várias vezes, e um dia eu chego para ele e chamo para uma corrida. Chamo para treinar comigo. Daí a pouco, forma o grupo”, conta, com a experiência de quem coleciona pódios e amigos no meio esportivo.



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Desenvolvido por Grupo Emedia