Três acessos: futebol de base tem ano de alta em Juiz de Fora

Uberabinha sub-14 disputa a Primeira Divisão, e sub-20 conquista o acesso; sub-15 e sub-17 do Sport também sobem


Por Davi Sampaio

14/12/2025 às 06h00

O ano de 2025 para o futebol de base em Juiz de Fora foi o melhor possível. Três equipes disputaram o Módulo II do Campeonato Mineiro: o Sport sub-15 e sub-17 e o Uberabinha sub-20, e todos eles conquistaram o acesso para a elite do estadual. Além disso, as duas equipes mais experientes ainda conseguiram o título na categoria.

A temporada ainda contou com o Uberabinha sub-14, em parceria com o PSG Academy, na disputa da Primeira Divisão – a única competição da Federação Mineira de Futebol (FMF) dessa faixa etária. Dessa forma, quatro equipes de Juiz de Fora disputarão a elite da FMF em 2026, feito inédito na história do futebol da cidade.

“Surreal”, diz presidente do Uberabinha

Para o presidente do Uberabinha, Sérgio Eduardo, o “Dudu”, o que aconteceu com o clube esse ano é inexplicável. “É meio surreal, quando parece que estamos na pior, com tudo conspirando para dar errado, a gente se doa e se multiplica, alcançando os objetivos. Em 2021, 2022 e 2024, tinha dinheiro para fazer o processo, estrutura, organização, tudo a favor, e mesmo assim o acesso não veio. Em 2023 e 2025, sem dinheiro, com pais bancando, tinha tudo para dar errado”.

Mas nesses anos, diz Dudu, a credibilidade que o clube construiu ao longo do ano faz com que as portas se abram. “Arregaçamos a manga e começamos a correr atrás de parceiro e estrutura. Pede aqui, pede ali. Mas é um trabalho sério, feito na dificuldade, mas que conseguimos conquistas coisas enormes. É tirar leite de pedra, dar a volta por cima. Vencer quando ninguém acreditaria que era possível”, analisa.

 

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Wesley Assis (à direita) foi o treinador da base do Uberabinha no sub-20 (Foto: Arquivo pessoal)

Em 2025, o acesso conquistado pelo sub-20 aconteceu mesmo com treinos realizados em Goianá, com os garotos precisando de transporte para treinar. “O segredo para conseguir foi a equipe de trabalho. Gente que vestiu a camisa, com pouco recurso, mais muita vontade. Não tivemos vaidade, nem divisão, todos queriam o mesmo objetivo, remando para o mesmo lado”, diz. “Essa comissão técnica foi uma conquista à parte. O Wesley Assis dispensa comentários pelo potencial e mercado que tem. O mesmo vale para o Enzo, Martiley, Felipe, Gabriel e todos que estiveram com a gente em 23”.

Em resumo, Dudu acredita que os feitos são gloriosos e até incompatíveis com os problemas. “Acho que nem a ciência e nem a psicologia conseguiriam traduzir o que acontece aqui, e nem eu. Acredito muito que vem de Deus. Porque, sinceramente, diante de tudo que já passei e continuo passando, conquistar o que conquistamos sem ter a mínima condição é quase brincadeira. Mas a gente trabalha, acredita e vence”, frisa.

“Não saímos do plano”, conta diretor do Sport

Já o diretor de esportes do Sport Club, Diego Almeida, avalia que a chave para o acesso no sub-15 e sub-17 foi o “detalhe fino” em encontrar a melhor logística dentro do planejamento financeiro. “Em nenhum momento saímos do nosso plano, e isso é muito importante para a temporada, tudo bem organizado. Estruturamos o ano inteiro, contemplando todas as categorias do clube, do sub-9 ao sub-17. Definimos metas, objetivos e, a partir disso, fomos para a execução. Dentro desse processo, o ponto central foi o planejamento financeiro, para entender o que podíamos fazer ao longo do ano, o que podíamos gastar com viagens, logística, atletas e comissão técnica”, explica.

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Sport foi campeão mineiro sub-17 (Foto: Gabriel Soares/Coast FC)

Com esse planejamento financeiro bem definido, o Sport alinhou o ano aos objetivos. “Todas as categorias, junto às suas comissões, estavam extremamente organizadas dentro de um plano metodológico: metodologia de treino, forma de execução, modelo de jogo. Isso permitiu que, nas partidas, a gente demonstrasse com clareza aquilo em que acreditamos nos treinos e no nosso jeito de trabalhar. Isso vem muito do profissionalismo da comissão técnica – uma equipe que estuda, que se prepara e, principalmente, consegue aplicar aquilo que vem desenvolvendo. Esse é um ponto muito importante. E os atletas também compreenderam o que a gente queria. Esse entendimento foi decisivo para o sucesso. Todas as categorias entravam em campo sabendo exatamente o que precisavam executar, e isso gera um trabalho organizado, com projeção”, esmiúça.

Dessa maneira, ao juntar trabalho de campo, gestão e investidores, a conexão foi a ideal, avalia Diego. “Ganhamos os regionais, as competições locais, a Copa Prefeitura nas menores e o Campeonato Mineiro, com o título do Sub-17 e o acesso. Muita gente envolvida no nosso processo contribuiu direta ou indiretamente para que alcançássemos nossos objetivos”.