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Perna e Visão de ferro: paratleta pedala de Juiz de Fora a Cabo Frio

Fabrício Jobim, ao lado do guia Lucas Leite, farão trajeto de 360km até a Região dos Lagos


Por Luiza Sudré, estagiária sob supervisão da editora Juliana Netto

14/05/2021 às 07h00

A dupla idealizou o projeto Visão de Ferro, que tem como objetivo mostrar que o esporte pode – e deve – ser inclusivo. Foto: Diogo Albino

Nesta sexta-feira (14) a dupla Lucas Leite e Fabrício Jobim encara um novo desafio. De bicicleta, eles saem de Juiz de Fora com destino à cidade de Cabo Frio em um árduo trajeto de 360 quilômetros. Sem estabelecer metas ambiciosas, os dois, que se conheceram através da VidaAtiva Consultoria Esportiva, colocarão em prática um projeto adiado em 2020 por conta da pandemia de Covid-19.

Aos 41 anos, Fabrício, deficiente visual com atualmente apenas 5% de visão em cada olho, destaque nas corridas de rua, se aventura em uma nova modalidade. Segundo Lucas, 35, que dividirá a bike com o paratleta, a equipe da qual participam começou a incentivá-lo a se inserir ainda mais nos esportes. Para isso, buscaram maneiras de viabilizar a participação de Fabrício no triatlo.

A oportunidade, então, surgiu quando, em 2020, a dupla encontrou uma bicicleta Tandem, de dois lugares, onde um atleta vai na frente como guia e o colega atrás. “Era uma bicicleta de dupla, que um ex-atleta brasileiro estava vendendo. Foi um achado, porque essas bikes, além de não serem produzidas no Brasil, são muito difíceis de serem encontradas.”

Como a bike chegou junto com a pandemia, precisou ficar cinco meses parada, voltando a ser utilizada após uma flexibilização maior nas medidas restritivas. “Quando retomamos em setembro do ano passado, a gente começou a treinar juntos.” E assim, Lucas passou a acompanhar de perto o desempenho do seu colega. Para a ida até Cabo Frio, o guia de Fabrício também se vê em um grande desafio, já que o modelo da bicicleta utilizada por eles é completamente diferente de uma convencional.

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Após adiar planos por conta da pandemia, Fabrício e Lucas têm missão de chegar até a Região dos Lagos
Foto: Diogo Albino

Esporte como inclusão

Conforme foi se aperfeiçoando nos treinos, a dupla se viu capaz de almejar participações em competições. “Passamos a interagir ainda mais e, principalmente, nesse mundo do esporte inclusivo”, conta Lucas. A partir da dobradinha formada entre eles, foi idealizado o projeto Visão de Ferro, que tem como objeto mostrar que o esporte pode – e deve – ser inclusivo para todo tipo de pessoa que queira partcipar, para superar não apenas os limites de determinadas limitações, como também vir a ser uma atividade de socialização. “Queremos mostrar que não apenas o Fabrício, mas outras pessoas possuem a capacidade plena de viver o esporte”, analisa o guia.

Acostumado a fazer o percurso em bike individual, com metas estabelecidas, Lucas diz que desta vez será diferente. “Nosso maior objetivo é poder finalizar (o desafio) de uma maneira tranquila.” A gente brinca que, na verdade, é mais um passeio turístico de pedal do que um desafio mesmo, porque a paisagem de todo o caminho é muito linda”. Mesmo assim, ele não esconde a ansiedade e a determinação para chegar até a cidade da Região dos Lagos.

De Cabufa a Paris

Para Fabrício, que concilia a vida de paratleta com a de administrador, um dos desafios foi justamente conseguir achar tempo para fazer as duas coisas. Quanto aos riscos que pode enfrentar na estrada, ele teme pelos buracos e obstáculos das pistas, por não podê-los enxergá-los plenamente.

Nada, no entanto, que o assuste. Já almejando passos – e pedaladas – maiores, ele planeja melhora na performance para a disputa do Ironman, previsto para outubro, em uma possível retomada de eventos esportivos do gênero no Brasil. A dupla tem metas ainda maiores, como participar das Paraolimpíadas de Paris, em 2024. “Mas, por enquanto, temos feito o que está ao nosso alcance, devido à pandemia”, pontua.

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