‘Meu novo objetivo é completar mais mil gols’

Um dos grandes artilheiros da história do futebol brasileiro, Túlio Maravilha chegou aos 46 anos com muita sede de bola. Apesar de ter encerrado a carreira oficialmente em março do ano passado, o craque que fez parte da história de 29 clubes nacionais e se consagrou como ídolo do Botafogo, não pretende se afastar dos campos tão cedo. Ele agora integra a Seleção de Campeões, time formado por estrelas do futebol nacional para realizar amistosos pelo país. A meta de Túlio com a nova camisa não é nada modesta, ele pretende repetir o feito que alcançou durante a carreira, segundo seus próprios cálculos, e bater a marca dos mil gols.
Em Juiz de Fora para a participação do evento Futebol dos Craques, ele recebeu a equipe da Tribuna na última sexta-feira. Extrovertido e sem papas na língua, Túlio falou sobre os recentes escândalos envolvendo a CBF, a ausência de ídolos no futebol brasileiro e relembrou os 20 anos do título de Campeão Brasileiro do Botafogo.
Tribuna – São 20 anos do título de Campeão Brasileiro do Botafogo. Como foi aquele momento para você?
Túlio – Foi um momento único e muito especial. Nós comemoramos até hoje. Propus que o dia 17 de dezembro fosse instituído como o “Dia do Peixe”. Nesse dia, todo botafoguense deve comer algum tipo de peixe. Uma brincadeira em relação ao Santos e uma forma de relembrar o título. Foi um momento que marcou a minha carreira e, com certeza, está na memória dos botafoguenses.
– Qual é a sua avaliação sobre o Botafogo, que agora retorna a série A do campeonato?
– Não é o time dos sonhos, mas está caminhando firme. O retorno para série A é um momento que o Botafogo fez por merecer. Ainda há um caminho de muita preparação pela frente, mas é um caminho completamente possível. O time precisa seguir com garra e, principalmente, dar oportunidade aos jogadores da base.
– E na Seleção, o 7×1 para Alemanha já foi superado?
– Não foi superado. Acredito, inclusive, que isto vai ficar evidente em jogos contra a seleção da Alemanha. O jeito de curar esse trauma é ganhar a próxima Copa e se fortalecer. Porque ainda não superamos aquela derrota.
– É difícil apontar craques ou unanimidades no futebol brasileiro hoje. Fala-se, inclusive que a geração é pobre tecnicamente. O que aconteceu com nossos talentos?
– Nossos atletas não têm mais tempo de ganhar amor pelo time, pela camisa. Os clubes estão endividados e quando enxergam nos meninos que estão na base um talento que pode ser promissor, logo ele já é vendido para os times de fora. Não formamos mais ídolos.
– Também temos visto cada vez menos jogadores como você, Romário, Edmundo, que nunca mediram as palavras na hora de responder à imprensa ou criticar quem quer que fosse. Ao que você acha que isso se deve?
– Sempre falei tudo, acredito que isto vai da personalidade de cada um. Mas é verdade que hoje existem muitos assessores, empresários e um policiamento por conta dos patrocinadores. Com isso, o jogador perde a espontaneidade porque não pode falar isso ou aquilo para não desagradar.
– Sobre as denúncias de “venda” da escalação da Seleção Brasileira, havia alguma suspeita por parte dos jogadores?
– Nunca houve. Sinceramente, não imagino que nenhum jogador aceitasse esse esquema de “venda” das competições ou da própria escalação. É um sonho jogar pela Seleção. Eu tive essa oportunidade, e posso te garantir isso. Não acredito que um colega aceitaria esse tipo de coisa.
– Para você, qual seria um bom nome para assumir a CBF e tentar acabar com o esquema de corrupção que vigora há anos?
– O Zico é a pessoa mais indicada para esse cargo. É um profissional exemplar, com uma técnica incontestável e que tem o nome limpo. Hoje eu só consigo imaginar o Zico assumindo esse posto.
– Você chegou aos mil gols em 2012. Feito que a Fifa não reconhece, mas que foi elogiado até por Pelé. Você continua jogando amistosos, qual é a nova marca que pretende ser atingida?
– Os mil gols foram um grande marco. Meu novo objetivo é completar mais mil com a camisa da seleção master. Isso é possível. Pelos meus cálculos, devo fazer três gols por partida. Em dez anos, eu atinjo a marca. Estou com 46 anos, mas estou em forma. Vou chegar lá.









