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Carreira de Júlio Gasparette dedicada ao esporte é relembrada por amigos e dirigentes

Morto no sábado aos 71 anos, ex-vereador, ex-atleta e atual Secretário de Esporte da cidade teve a vida voltada ao fortalecimento do desporto juiz-forano


Por Iuri Fontana, estagiário sob a supervisão do editor Bruno Kaehler

13/07/2020 às 21h25- Atualizada 13/07/2020 às 21h41

interna Júlio Gasparetti Leonardo Costa Arquivo TM
Prefeito decretou três dias de luto em JF em função da perda de Gasparette (Foto: Leonardo Costa/Arquivo TM)

“O Júlio Gasparette vivia muito intensamente as questões da cidade, principalmente a do esporte.” Assim destacou o jornalista Ricardo Wagner quando perguntado sobre o legado deixado pelo ex-vereador e Secretário de Esporte e Lazer da PJF, Júlio Gasparette, morto no sábado (11) vítima de parada respiratória, aos 71 anos, quando aguardava, internado na Santa Casa, uma cirurgia prevista para esta terça-feira.

A paixão do ex-vereador, presidente do Sport, jogador de futebol e secretário de Esporte e Lazer, gerou, por exemplo, uma amizade com o atual administrador do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, Flávio Villela. “Conheci o Gasparette quando ele era presidente do Sport e eu o técnico de voleibol do Clube Bom Pastor. A gente tinha confrontos e ele, sempre muito vibrante, além de um presidente, era um torcedor. Teve um episódio, que hoje a gente ri, em que ganharam uma partida de nós, ele estava com a bandeira do Sport e esfregou ela na minha cara. Me conheceu dessa forma”, recorda Flávio, emocionado.

“A partir disso eu virei fã dele. Difícil ver um presidente com tanta vibração. Era um incentivador do esporte amador, além de gostar do futebol também. Estava sempre nos eventos. Construímos uma amizade e na administração da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), eu já era o gerente e continuei por opção dele. Nosso convívio foi muito bacana. Ele sempre sério, bravo, nos cobrando diariamente com aquela determinação de que nada poderia dar errado, sempre com a maior lisura possível. Ninguém pode falar da conduta do Julinho e isso mostra o ser humano que foi. Vai ficar em nossos corações. É um dos momentos mais difíceis da minha vida, um cara que me ajudou muito e quem devo muito. Era um paizão. Sempre tratava todos da mesma forma. Era o primeiro a chegar e o último a sair e deixa um legado não só como político, mas como um dos melhores seres humanos que já conheci”, destaca.

E nesta intensidade, relatada por Flávio e Ricardo, o amigo se mostrou durante toda a vida um incentivador e importante figura na construção de feitos para o esporte juiz-forano. “Ele colocava todos para frente para poder ajudar. Eu o acompanho e conheço desde 1988, quando entrei na Super B3, nossa equipe de esportes com o Márcio Guerra, que depois virou Rádio Solar. Ele foi presidente do Sport, além do primeiro gestor do Manchester (time originário da fusão entre Tupi, Tupynambás e Sport). Nos últimos anos estive com ele na SEL, e foi um incentivador muito grande na criação da Copa 60+. Fazia questão de ir em todos os jogos. Com ele não tinha estádio ou campo de várzea, estava todo domingo no Cerâmica, Linhares, São Benedito, ia em todos os eventos, no paralímpico, as corridas de rua”, enfatiza Ricardo.

A carreira política marcada pelo apoio às atividades esportivas de Juiz de Fora, enquanto vereador e secretário, se deu após Júlio viver a paixão dentro das quatro linhas. Gasparette foi lateral-esquerdo e ex-jogador entre as décadas de 1960 e 1970 de Tupi e Sport, sua grande paixão. No Verdão da Avenida foi presidente de 1989 a 1994 e vice-presidente entre 2001 e 2002 e de 2017 a 2018.

Hall dos “insubstituíveis”

O professor, radialista e ex-dirigente do Sport, Márcio Guerra, guarda muitas lembranças do amigo e acredita que “Julinho” encontra-se no hall dos inesquecíveis. “Tem aquela expressão de que ninguém é insubstituível, mas acho que em alguns casos essa frase não se aplica e o Julinho é um desses. Quando fui dirigente do Sport, eu fazia palestras paras as escolinhas do clube e dizia sempre às crianças, “vocês têm que ir sempre ali em frente à estátua do sr. Caputo (Francisco Queiroz, ‘presidente eterno’ do clube) e se não souberem quem foi ele, não podem vestir a camisa do Sport.” E hoje digo o mesmo. Se as pessoas não souberem quem foi Gasparette dentro do clube, não podem vestir a camisa do Sport. Era ali a casa dele. Acho que esse tipo de paixão a gente não consegue substituir. Consegue imitar ou copiar. É o máximo que pode-se fazer.”

“Respirava Sport 24h por dia”

O atual presidente do Sport Club Juiz de Fora, Jorge Ramos, classificou a morte de Júlio como uma “perda muito grande para o meio esportivo de Juiz de Fora” e que apesar dos momentos de disputa interna pela presidência do clube, sempre tiveram uma relação amigável. “Para o Sport foi um presidente que se dedicou ao clube. Era uma pessoa que respirava Sport 24h por dia. Tivemos nossos momentos de disputa interna ao cargo de presidente, mas isso jamais deixou que tivéssemos um compromisso com o Sport Club Juiz de Fora. Muitas pessoas podem achar que terminada uma disputa eleitoral eu e Júlio nos tornamos inimigos. Muito pelo contrário. A gente sempre teve muita conversa. Era uma pessoa de um gênio e personalidade muito fortes, mas também tinha o seu lado humano e coração. Fica aí um legado.”

Jorge complementa que os dias na sede social do clube não serão mais os mesmos sem Gasparette. “O Júlio vivia o Sport. Domingo era sagrado ele estar na sauna e acredito, lógico que o tempo vai fazendo com que você aceite, mas tão logo a gente retorne as nossas atividades a sauna de domingo não será a mesma, aquele papo ali na mesa com os amigos mais chegados também não. Fica um vazio, ele tinha um amor muito grande pelo Sport.”

“Era um homem do esporte”

Para o presidente do Tupi, José Luiz Mauler Júnior, o Juninho, a gestão do esporte juiz-forano perde alguém que entendia verdadeiramente do assunto. “A gente fica sentido porque era um secretário muito atuante, um homem do esporte e é muito importante ter alguém nessa função que entenda verdadeiramente do assunto. Não adianta você colocar um burocrata que não entende nada da área e que só saiba mexer com o papel, sem conhecer a real necessidade dos clubes e esportistas. Além de tudo, ele jogou no Tupi e para a gente é uma honra. Ficamos muito chateados porque ainda era uma pessoa nova. Pegou a gente de surpresa”, lamenta.