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Desimpedida na Banheira – Domingos como os meus


Por JULIANA DUARTE

13/07/2013 às 07h00

Quando eu era pequena tinha pânico de domingos, pois eles me lembravam a segunda-feira, quando teria que acordar cedo, ir à escola, voltar à rotina e aos compromissos. Com o tempo, aprendi a valorizar o lado bom das coisas e, principalmente, a aproveitar meus dias sem pensar no amanhã. Com isso, minhas melhores lembranças de domingos são recentes.

Voltando no tempo quase uma década me lembro das manhãs que já começavam no estádio. Com o Tupi mandando seus jogos às 10h, eu, minha mãe, meu avô e meu amigo Wallace Mattos chegávamos ao Mário Helênio às 9h para amarrar nossa faixa da Tupinga. Depois de instalarmos vovô Leleco na arquibancada, subíamos até o bar para comprar nosso café da manhã: churrasquinho e cerveja. Depois de assistir aos 90 minutos em pé, grudados na grade que separa as arquibancadas da pista na lateral do campo, às 11h deixávamos o estádio (independentemente do resultado) sabendo que o melhor do domingo já tinha passado.

Nos jogos fora de casa, o programa sempre foi um pouco diferente (e longo), mas a alegria a mesma. Enfrentar horas de viagem, ônibus quebrado, revista longa da polícia e truculência de torcedores adversários… tudo isso para levar nossa faixa e nosso grito de incentivo aos jogadores carijós.

Não podia deixar de citar aqui o domingo perfeito: 20 de novembro de 2011, Tupi campeão brasileiro da Série D. Os 60 mil torcedores do Santa Cruz foram silenciados pelos gols de Henrique e Allan e pelos gritos, lágrimas e bandeiras de 30 carijós que despencaram de Juiz de Fora até o Recife para gritar o nome dos atletas, o hino do Tupi e, claro, "É campeão!". Como sempre, estava eu lá, em pé, agarrada na grade, tentando ficar um pouquinho mais perto do gramado.

Relembrando cada um desses momentos, só posso pensar que os dirigentes que agora querem proibir os torcedores de assistirem às partidas em pé, tirar a camisa, gritar, balançar bandeiras, ou seja, torcer espontaneamente, deveriam, antes, experimentar um domingo como os meus.