Do ambulatório para os tatames

O ano de 2014 ainda nem acabou, mas as medalhas obtidas já fazem desta uma das melhores temporadas da carreira do karateca Pedro Paulo Bonissato. Após voltar a dedicar boa parte do seu tempo ao esporte no início do ano, a evolução do currículo do atleta conta com quatro importantes resultados nos últimos oito meses. De fevereiro para cá, o ubaense, radicado em Juiz de Fora há nove anos, foi vice-campeão da Copa do Brasil, vice da Liga Nacional Universitária, campeão do Open das Américas, disputado no Uruguai, e campeão regional da primeira etapa do Campeonato Brasileiro. A partir dessa última conquista, ele se garantiu entre os 20 participantes que disputarão a etapa final da categoria profissional adulta nacional, entre os dias 18 e 19 de outubro, em Brasília. No mesmo final de semana, ainda na capital federal, o atleta competirá também nos Campeonatos de Estilo e no Brasileiro Universitário.
Terceiro colocado no ranking nacional na categoria katá, o atleta de 24 anos busca caminhos mais audaciosos: fazer parte da Seleção Brasileira de karatê. Para isso, é preciso assegurar o título brasileiro ou, na pior das hipóteses, terminar em segundo, obtendo uma vaga para a seletiva que elegerá o segundo e último karateca da equipe verde-amarela.”Os adversários são fortes, de escolas tradicionais do karatê nacional, como Bahia e São Paulo. Um deles está na Seleção e representará o Brasil no Campeonato Mundial deste ano. Em função dos estudos, fui obrigado a dar uma pausa na carreira, mas agora voltei a focar minha vida no esporte e, consequentemente, os resultados estão vindo. Vivo minha melhor fase, tanto na parte física como na técnica. Mesmo sendo a competição mais difícil do ano, a expectativa é positiva, e a meta é medalhar para me aproximar dos dois primeiros colocados.”
Segundo Bonissato, a maior dificuldade vem de fora dos tatames. Apoiado pela Vidativa Consultoria Esportiva, que cedeu espaço e equipe de treinamento – composta pelo técnico Wagner Gomes e pelo preparador físico Dhiego Torga -, o empecilho para as frequentes viagens esbarra na falta de apoio em itens como passagens aéreas e hospedagem. “Muitas vezes, para economizar, acabo dormindo em academias de pessoas que vou conhecendo durante as competições. Esporadicamente, consigo apoio da Prefeitura de Ubá, da UFJF e de algumas empresas. Mas tenho que correr atrás desses patrocínios torneio a torneio. Ainda em 2014 haverá duas etapas open, uma em Belém (PA) e outra em Palmas (TO). Deixar de disputar os dois torneios me deixaria em uma situação muito delicada na luta pelo título da temporada.”
Diploma e faixa
Cursando o nono período de medicina, e estagiando no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU/UFJF), as quatro horas diárias de treinamento dividem espaço com os atendimentos ambulatoriais. Confiante, o atleta trabalha já visando aos próximos dois anos: “O esporte é uma coisa muito indefinida, mas, se eu conseguir competir em alto nível, quero estar na Seleção e defender o Brasil nos Campeonatos Pan-Americano, em 2015, e Mundial, em 2016. Minha previsão de formatura é no final do primeiro semestre de 2016. Pretendo, a partir de lá, seguir carreira no esporte já formado.”









