Juiz de Fora não terá representantes no Campeonato Mineiro após 50 anos
Com a desistência do Tupi de participar da Terceirinha, o futebol local não terá um time profissional pela primeira vez desde 1974
O futebol juiz-forano não será representado em nenhuma das divisões do Campeonato Mineiro após 50 anos: o fato foi confirmado depois do Tupi confirmar oficialmente, na última quinta (7), que não irá participar da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, a popular “Terceirinha”. Desde 1976, Juiz de Fora sempre teve, pelo menos, uma equipe disputando o campeonato estadual, seja na elite, seja em divisões inferiores.
Quem mais esteve presente nas competições estaduais foi o Tupi que que retomou o time profissional em 1975 para a disputa do Campeonato Profissional da Liga de Desportos de Juiz de Fora e o Torneio de Integração Regional, onde se sagrou campeão. À época, a agremiação havia suspendido as atividades profissionais em 1973 e 1974 em virtude de problemas financeiros, conforme explica o historiador Léo Lima.

O Tupynambás sofre com idas e vindas com o time profissional. Após vários anos paralisado, o Baeta tentou retomar a equipe para a disputa da Terceirinha de 2007, mas o clube não conseguiu o acesso e voltou a não disputar competições profissionais.
A principal retomada se deu em 2016, graças ao mecanismo de solidariedade que o Tupynambás recebeu da venda do lateral-direito Danilo, que passou pelas categorias de base do clube, ao Real Madrid. Com a verba, o Baeta reativou o time profissional para a disputa da Terceirinha de 2016, onde se sagrou campeão.
O Tupynambás disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro em 2017 e 2018, ano em que terminou como vice-campeão. Em 2019, o Baeta voltou ao Módulo I após 50 anos de hiato, onde permaneceu até o ano seguinte, quando foi rebaixado. Neste mesmo ano, a equipe também disputou a Série D do Campeonato Brasileiro, sua primeira e única participação em uma competição nacional.
Desde então, o Tupynambás nunca mais voltou à primeira divisão. O Baeta permaneceu no Módulo II até 2023, quando foi rebaixado. No ano seguinte, já na Terceirinha, chegou próximo do acesso, mas foi eliminado nas semifinais pelo Uberaba, neste que foi o seu último embate profissional, já que as atividades do time foram paralisadas em 2025.
Impacto vai além do espectro esportivo
Para Léo, o impacto da não participação dos times juiz-foranos em competições profissionais vai além do espectro esportivo. “Não é só o clube que vive o futebol, o esporte em si. Tem o torcedor, logicamente, que vai ficar sem o clube para torcer, sem ir ao estádio ver um time profissional, uma competição profissional, o trabalho da imprensa, a economia. O Estádio Municipal que infelizmente vai ficar um ano assim sem jogos oficiais. O impacto é geral”, analisa o historiador.
De todos os fatores elencados, Léo considera que a relação com a torcida juiz-forana será a mais impactada, uma vez que, sem time profissionais em Juiz de Fora, a paixão do torcedor com o seu clube irá perder força à medida que o cenário de incerteza com o futuro do futebol local permanece.
“Quanto mais tempo o clube fica sem atividade, sem exposição na mídia, mais ele perde identidade com a cidade. Com a tecnologia de hoje, o acesso a informações, a campeonatos de fora, o atrativo de grandes jogos, grandes jogadores, a atenção do torcedor é atraída para o futebol de fora da cidade. Já tem essa questão cultural dos torcedores de Juiz de Fora torcerem principalmente para os times do Rio de Janeiro, e a falta de futebol aqui aumenta a adesão a esses clubes em detrimento aos clubes de Juiz de Fora”, afirma.
Incerteza sobre retorno é o maior temor
Além de historiador, Léo também é torcedor fanático do Tupi. Para ele, a incerteza que existe em torno da decisão do clube de paralisar as atividades profissionais é o maior temor de quem frequenta as arquibancadas.
“Se a paralisação deste ano for uma coisa positiva, pensando no futuro, que vai ter perspectivas que o clube voltar o mais rápido possível, que isso possa trazer benefício para o clube, a gente pode até tentar apoiar esse essa decisão, mas, no momento, não temos perspectiva nenhuma. A Recuperação Judicial, que parecia que estava avançando e ia começar, foi paralisada após uma ação contrária para interromper. O que resta é aquele velho ditado: a esperança é a última que morre”, lamenta.
Apesar do cenário nebuloso, Léo mantém o otimismo de que o clube poderá voltar graças a força da marca que o Tupi possui. “A marca Tupi, o escudo, a camisa, a história centenária do Clube, tem uma credibilidade muito grande principalmente pra quem é de fora. Muita gente conhece Juiz de Fora por causa do Tupi. Acho que essa questão da marca ainda é uma esperança de um retorno positivo e o mais rápido possível do futebol juiz-forano”, almeja.

Prazo para inscrições na Terceirinha termina nesta terça-feira
Na última semana, a Tribuna de Minas procurou Tupi e Tupynambás para apurar as pretensões quanto a participação, ou não, na “Terceirinha”. Na ocasião, o Carijó não tinha confirmado.
O Baeta, por sua vez, já tinha sinalizado que não ia disputar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Conforme informado pelo presidente do Tupynambás, Cláudio Dias, a participação do clube está atrelada ao apoio de algum patrocinador ou investidor.
O prazo para confirmar a participação na Terceirinha termina nesta terça-feira (12).









