Série D é parcialmente paralisada

Torcedores foram para as ruas pedindo justiça
O Tupi conseguiu nesta terça-feira (10) a primeira vitória no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no caso complicado que se tornou o jogo de volta das oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, contra a Aparecidense-GO. Depois de protocolada a ação na qual o Carijó pede a eliminação dos goiano e a anulação da partida do último sábado, em Juiz de Fora, na qual o massagista goiano Romildo Fonseca da Silva, conhecido como Esquerdinha, invadiu o campo e evitou o terceiro gol do Carijó – que eliminaria o adversário da competição -, a entidade judicial ordenou a paralisação da chave do time juiz-forano até a decisão final sobre o imbróglio. Com isso, o Mixto-MT, que se classificou para enfrentar Aparecidense ou Tupi, terá de esperar.
O STJD também agendou para a próxima segunda-feira, às 16h, o julgamento do caso em primeira instância. Após esse ato, haverá um prazo de três dias para recurso ao Pleno da entidade, que decidirá definitivamente o caso. Segundo o advogado juiz-forano designado pelo clube para cuidar do caso, Felipe Fortuna, que atua ao lado do contratado Mário Bittencourt, a esperança é que haja agilidade. "Estamos otimistas. O julgamento da próxima segunda-feira já pode sinalizar com algo de positivo. Existe a possibilidade até mesmo da marcação de uma sessão extraordinária do Pleno para decidir a matéria. Nossa expectativa é de termos o resultado, no mais tardar, em duas semanas."
Fortuna revelou que na petição original de denúncia à Aparecidense foi juntada uma outra atitude antidesportiva de pessoa ligada ao clube no primeiro semestre deste ano. Na partida na qual o clube recebia o Grêmio Anápolis em Aparecida de Goiânia, um gandula atirou uma bola em campo impedindo um contra-ataque do adversário, que acabou perdendo o jogo por 2 a 1, no dia 17 de fevereiro. Na ocasião, apenas quem cometeu a infração, o gandula Adriano Amanço, foi punido com uma advertência e sendo brigado a doar sangue pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de Goiás. "Juntamos mais no sentido de mostrar aos auditores do STJD que não é a primeira vez esse ano que alguém ligado ao clube comete uma atitude antidesportiva", explicou Fortuna.
No entendimento dos defensores do Carijó, mesmo que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) não associe a pena de eliminação do time ao ato cometido pelo massagista da Aparecidense, os auditores do STJD podem julgar o caso de acordo com os princípios gerais do Direito. "O direito esportivo é um dos ramos do direito, assim como o civil, o penal, entre outros. Os princípios gerais se aplicam a todos. A pergunta é: é razoável se remarcar outra partida apenas? Ou estaria sendo beneficiado quem cometeu a infração?", questiona Fortuna.
Manifestação
Enquanto os advogados do Tupi agiam no Rio de Janeiro, os torcedores se reuniam em Juiz de Fora para demonstrar apoio e pedir justiça. Carijós de todas as idades foram, no início da tarde desta terça-feira, ao Centro de Juiz de Fora carregando cartazes, faixas e bandeiras da Torcida Organizada Tribo Carijó. Entoando músicas normalmente cantadas no estádio, o hino do clube e clamando pela não realização de uma nova partida, cerca de cem pessoas participaram do ato, organizado através das redes sociais.
Depois da concentração em frente à Câmara Municipal, no Parque Halfeld, o grupo percorreu o Calçadão da Rua Halfeld, ganhando apoio dos motoristas, que buzinavam na travessia da Avenida Rio Branco, e chamando a atenção de quem passava por ali. De acordo com o principal articulador do movimento, Aloysio Guedes, o objetivo da mobilização foi alcançado. "Missão cumprida. Buscamos sensibilizar a cidade para a situação que vive o Tupi, para que isso não caia na impunidade. Tivemos uma resposta positiva de quem estava aqui no Centro. Atingimos um bom número de pessoas e esperamos que prevaleça a justiça, e o STJD seja rigoroso na punição à Aparecidense", disse.
Aparecidense trabalha pela manutenção do resultado
Os dirigentes goianos também estão se movimentando para defender seus interesses na Série D. O clube quer a manutenção do resultado da partida realizada em 7 de setembro. Segundo o diretor de futebol da agremiação, João Rodrigues, a Aparecidense possui uma parceria com o Goiás Esporte Clube e é provável que quem defenda o clube no caso seja João Vicente Bosco, filho do presidente esmeraldino, João Bosco Luz. "Uma reunião amanhã (nesta quarta-feira) ainda vai definir tudo, mas nossa expectativa é que o resultado seja mantido. Apesar de lamentarmos a ação do Esquerdinha, nós sabemos que esse tipo de coisa faz parte do futebol. Não foi uma novidade, um caso isolado. Isso já foi aconteceu antes, inclusive com o Tupi", afirma Rodrigues, se referindo ao jogo Tupi 1 x 1 América, pelo Campeonato Mineiro de 1991, quando aos 40 do segundo tempo, Osmar Bueno, ex-jogador do Tupi, que já havia sido substituído naquela partida, entrou em campo e tentou afastar um lance de ataque do América, mas não alcançou a bola.
O diretor ainda destaca que Esquerdinha está sofrendo constantes ameaças de morte e que o massagista não deve voltar a Juiz de Fora, caso o jogo seja remarcado. Ele acrescenta que não houve nenhum tipo de orientação para que o ato fosse executado. "Nós sabemos que o que ele fez foi errado, um ato irracional, instintivo. Jamais houve qualquer tipo de recomendação para que ele fizesse aquilo. Ele poderia ter morrido lá. Que moral eu teria com meu funcionário se o colocasse numa situação dessas?", indaga o dirigente. A Tribuna tentou entrar em contato com Romildo, mas o massagista não atendeu as ligações.
Colocando a cabeça no lugar
Dentro de campo, o Tupi realizou um treino tático no Estádio Municipal nesta terça-feira, o primeiro da semana na qual já se sabe que o time não terá compromisso oficial. Segundo o técnico Felipe Surian, a ideia é trabalhar até a sexta-feira. "O trabalho continua normal, forte até o fim da semana. Não creio que seja necessária uma partida amistosa. Os jogadores ainda estão assimilando o acontecimento. Vou conversar com o Luis (Augusto Alvim, preparador físico), o restante da comissão e a diretoria. De repente, treinamos até a sexta de manhã e liberamos para todos verem suas famílias, colocarem a cabeça bem no lugar e voltarem fortes na segunda-feira", prevê o treinador.
O comandante carijó acredita que um novo confronto entre Tupi e Aparecidense seria dar vantagem a quem cometeu uma ato fora da lei. "Creio que a única chance de moralização do futebol brasileiro, para não haver mais fatos como o do último sábado, é essa de agora. Se houver a remarcação, será beneficiar o infrator. Nós vencemos o jogo, atuamos com 11 e para vencer a partida. Não utilizamos nenhuma força de fora para nos beneficiar", disse Surian.
Sobre a atitude do técnico Nélson "Karmino" Colombini, que após o jogo de sábado afirmou que sua equipe havia se classificado em campo, Felipe disse que o treinador perdeu uma grande oportunidade. "Eu teria uma atitude diferente. Na mesma hora, dentro de campo, pediria para o Ademilson colocar a bola para dentro do nosso gol. Se ele tivesse feito isso, receberia honras internacionalmente como exemplo de fair play", considera Surian.








