Tupi pede eliminação da Aparecidense

Vídeo mostra passos do massagista
O Tupi entra nesta terça-feira (10) com o pedido de liminar junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pleiteando a eliminação da Aparecidense-GO da Série D do Campeonato Brasileiro, com consequente classificação da equipe juiz-forana, e punição ao massagista Romildo Fonseca da Silva, o Esquerdinha, por conta dos acontecimentos no confronto do último sábado. Além disso, o time de Juiz de Fora pede a paralisação da Quarta Divisão enquanto o caso não tiver uma solução. Para atuar na defesa dos interesses do Carijó, o clube local enviou ao Rio de Janeiro o advogado Felipe Fortuna, filho do presidente carijó, Áureo Fortuna, e contratou o jurista Mario Bittencourt, que atua como representante do Fluminense nas causas judiciais.
Do último sábado até nesta segunda-feira, a diretoria reuniu provas como fotos, vídeos e matérias sobre a invasão de campo de Esquerdinha, na qual ele evitou o terceiro gol do Tupi que eliminaria a Aparecidense da Série D do Campeonato Brasileiro, aos 44 minutos do segundo tempo, após chute do atacante Ademilson. A partida no Estádio Municipal foi retomada depois da confusão originada do lance, e o placar de 2 a 2, resultado que daria a vaga nas quartas de final da competição aos goianos, não se alterou.
Para o presidente do Carijó, a punição deveria ser exemplar ao clube de Goiás, e uma resposta do STJD deve sair nos próximos dias. "Tudo vai ser protocolado amanhã (terça-feira) pela manhã. O pedido de liminar é de análise automática. Acreditamos que em até 48 horas haja um posicionamento. Por conta da comoção gerada nos últimos dias, uma resposta rápida é necessária. Pedimos a desclassificação da Aparecidense e a punição do massagista para que não se cometa um atentado ao próprio futebol."
A base dos pedidos do Carijó serão dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 203, "deixar de disputar, sem justa causa, partida, prova ou o equivalente na respectiva modalidade, ou dar causa à sua não realização ou à sua suspensão", cujo segundo parágrafo diz que "se da infração resultar benefício ou prejuízo desportivo a terceiro, o órgão judicante poderá aplicar a pena de exclusão da competição em disputa", e o 243 A, "atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente", que em seu parágrafo único diz "se do procedimento atingir-se o resultado pretendido, o órgão judicante poderá anular a partida, prova ou equivalente", estabelecendo ainda multa entre R$ 100 e R$ 100 mil, além de suspensão em jogos ou dias.
Em caso de anulação do confronto, uma nova partida seria marcada. Mas esse não é o desejo do clube juiz-forano. "O julgamento não precisa se ater somente ao CBJD, pode-se julgar com equivalências. Nesse caso, a punição do código não é correspondente ao mal causado. Realizar outra partida, na qual haverá mais 90 minutos para tudo acontecer, é punir o Tupi. Também se tornaria uma célula incentivadora para se repetir o fato, já que o máximo que acontece é ter outro jogo. Mas se tiver que jogar, vamos jogar novamente e buscar a classificação mais uma vez", disse Fortuna.

Vídeo comprovaria premeditação
Um dos trunfos do pleito carijó é uma vídeo com imagens do jogo de sábado no qual o massagista já se posiciona em um lance anterior próximo à meta defendida pela Aparecidense, o que, na opinião dos carijós, mostra que ele não agiu impulsivamente como alega. "Pouco depois dos 30 minutos, ele conversa com o técnico (Nelson Colombini) e vai para próximo do gol. Como o lance não dá em nada, retorna. Mais tarde, entra para fazer um atendimento e fica atrás da baliza, despistando. Então, parte para fazer aquilo que fez. Está claro que tinha orientação para isso", explica o auxiliar-técnico carijó, Júlio Cirico, responsável pela edição das imagens levadas ao STJD nesta terça-feira.
Mas o procurador geral do STJD, Paulo Schmitt, em entrevista à Rádio Globo AM, direto de Boston, no Estados Unidos, onde está acompanhando a Seleção Brasileira que faz amistoso nesta terça-feira com Portugal, disse ser impossível eliminar a Aparecidense. Segundo ele, nesta terça-feira o que se pode pleitear é a anulação da partida. De acordo com o jurista, é isso que a Procuradoria do tribunal vai pedir em relação ao que aconteceu em Juiz de Fora no fim de semana.
Já o mestre em direito José Eduardo Junqueira, que mantém o blog sobre direito esportivo "Esporte Legal" (globoesporte.globo.com/platb/esportelegal), acredita que a punição deve ser dura, sob risco de outros times quererem fazer o mesmo no futuro como expediente para levar vantagem. "Cabe ao STJD agora implementar a aplicação de um profunda punição ao profissional goiano, bem como em sua equipe, para que outras agremiações nacionais não se sintam tentados a atuar de forma similar, inviabilizando a realização do correto e natural resultado da partida. Se a resposta do STJD não for contundente, corremos o risco de tal prática passar a ser cogitada no futuro, em uma eventual ‘relação custo-benefício’ (…) A punição tem que ser exemplar, para ser pedagógica e assim ter efeito exemplificativo perante terceiros, evitando por conseguinte a reedição da conduta", escreveu o jurista.
Apoio geral ao Carijó
A situação enfrentada pelo Tupi no sábado gerou nos últimos dias uma grande comoção nos meios de comunicação tradicionais e nas mídias sociais. Resenhas esportivas de rádio e televisão comentaram o fato exaustivamente, e o Carijó recebeu mensagens de apoio à sua busca por justiça nas mais diversas frentes. Até mesmo no primeiro escalão do Governo federal o Tupi teve suporte. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se manifestou através da conta oficial do ministério no Twitter. "Não vejo graça nenhuma neste acontecimento. Aliás, acredito que é uma pequena tragédia do futebol brasileiro. Acho que o STJD deve tomar alguma providência em favor do time que foi prejudicado. Este tipo de coisa tira a credibilidade da Série D."
Junto à Federação Mineira de Futebol (FMF), o Tupi também teve apoio. O secretário geral, Rodrigo Diniz, que responde pela administração da entidade enquanto o presidente, Paulo Schettino, está fora do país também acompanhando a delegação brasileira em Boston – e deve tratar do assunto com o presidente da CBF -, a estrutura da FMF está à disposição do clube de Juiz de Fora.
"O nosso presidente, Paulo Schettino, está em contato direto com o presidente do Tupi, Áureo Fortuna, e colocou à sua disposição todo nosso staff para tentar agilizar esse julgamento. Já entramos em contato com a direção de competições da CBF. É importante destacar que o Tribunal (STJD) trabalha separadamente, e pedimos agilidade para julgar esse caso o quanto antes for possível. O trabalho de muitas pessoas está em jogo. O nosso anseio é que haja uma punição severa, exemplar, não só para a pessoa, mas também para a equipe. Estamos acompanhando a repercussão do caso e esperamos que o STJD seja criterioso, para que essa situação não abra precedentes para outros casos", afirmou Diniz.
Esperança
Em meio ao turbilhão, o elenco do Tupi se reapresentou nesta segunda-feira à tarde, sem a presença de seu comandante. O técnico Felipe Surian foi até o Rio de Janeiro, onde participou ao vivo do programa da TV fechada "Arena Sportv". Os jogadores receberam a garantia do diretor-executivo de futebol do clube, Alberto Simão, de que a rotina de atividades vai permanecer a mesma. O atacante Núbio Flávio disse que o grupo não deseja um novo confronto com a Aparecidense e sim sua eliminação da Série D. "Se há justiça nesse país, tem que ser feita. O correto é a eliminação, pela atitude antidesportiva deles. Mas nem tudo é da forma que a gente quer. Se tiver essa remarcação, vamos entrar com mais motivação ainda, mais raiva, para conseguir a classificação", garante.
Manifestação
Nesta terça-feira, um grupo de torcedores que se mobilizaram pelas mídias sociais vai se reunir ao meio-dia no Parque Halfeld para se manifestar em apoio ao Tupi e pedindo a eliminação da Aparecidense. De acordo com o organizador do protesto, Aloysio Guedes, é hora de um abraço ao clube local. "O que o torcedor quer é a vaga nas quartas de final. Ninguém consegue entender aquele lance, ficamos pensando como vamos educar nossos filhos se aquilo ficar impune. Então resolvemos fazer essa manifestação. Vamos levar cartazes, vestir mesmo a camisa do Tupi. É tempo de a cidade fazer isso."







