Os pés pelas mãos
Um único alento
É difícil ser torcedor em tempos de Copa São Paulo de Futebol Júnior. A cada ano, nosso sub-20 parece mais juvenil, e a bola tem sofrido nos gramados onde o maior destaque continua sendo os penteados estilosos. Jeito de boleiro os futuros atletas têm, todavia precisam melhorar muito no quesito "jogar bola", tão esquecido no futebol moderno. Tentei assistir a umas dez partidas da tal Copinha. Não cheguei ao final de nenhuma. O pior é que o marasmo do início de 2014 se estende até mesmo ao (quase) sempre aquecido "mercado de negociações", mais parado que o Fenômeno em fim de carreira.
Tudo bem! Sei que o Santos contratou o Damião, ainda com status de promessa. Na base do vale quanto pesa, o Flu venceu o leilão por Walter. Tem também o Elano, na base do assina hoje, assina amanhã com o Flamengo. As três situações, entretanto, parecem-me exceções no oásis da pasmaceira vista nos primeiros dias do ano. Nesse cenário, a meu ver, a grande contratação do ano até aqui foi a manutenção de Ronaldinho no Atlético-MG.
Nunca fui um grande fã do Gaúcho. Sempre cobrei dele – com o direito pertencente a todo torcedor de chinelos – maior objetividade. Seu excesso de firulas e a exacerbada preocupação com a plasticidade sempre me irritaram. Porém, admito que o futebol brasileiro está carente desse tipo de craque à moda antiga. Mais preocupados com o espetáculo do que com o jogo. Ou com a guerra física que acostumamos a chamar de jogo.
No Brasil, hoje, futebol que realmente dá gosto de ver – pela categoria ou pelo talento genuíno – só existe quando Ronaldinho ou Neymar estão em campo. Assistindo à correria e ao estilo de jogo "Bumba Meu Boi" da Copinha, surge o temor de que as exceções sejam cada vez mais raras. Em meio a uma geração mediana, a permanência de Ronaldinho se torna um grande e solitário alento.









