Cria da casa em franca evolução

Robison e Raphaela em seu habitat preferencialLEONARDO COSTA/04-11-14
Uma temporada com título coletivo inédito para a cidade, marcas expressivas individuais, convocação de atleta para a Seleção nacional e perspectivas de evolução no próximo ano é tudo o que qualquer iniciativa esportiva nas mais diversas modalidades poderia sonhar. E esse sonho se tornou realidade para o Centro Regional de Iniciação ao Atletismo (Cria) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2014. Depois de um ano colhendo frutos plantados desde 2012, a projeção é continuar a evoluir em 2015.
Projeto coordenado pelo professor Jorge Perrout, o Cria conquistou seu principal título em casa, no mês de outubro, e teve também destaques individuais. “Fomos campeões mineiros mirins (atletas de 13, 14 e 15 anos), e isso para nós já vale muito. Nossos atletas estão praticamente todos nessa faixa etária. Além de colocarmos atletas na Seleção Mineira desde 2013, esse ano tivemos a Raphaela Diesse (14 anos) convocada para a Seleção Brasileira.” A evolução foi gradual, segundo Perrout. “Começamos indo a campeonatos regionais, depois estaduais, tendo destaques em brasileiros e agora colocamos uma atleta para representar o Brasil. Tivemos também o Robison Gomes Júnior (17 anos) vice-campeão brasileiro nos 1.500m, e o Luiz Maurício (15 anos), que foi segundo no arremesso de dardo nos Jogos Escolares da Juventude.”
O idealizador da iniciativa local também destaca outros aspectos da evolução do Cria em 2014, além dos destaques individuais. “Colocamos diversos atletas entre os dez primeiros do país em seus rankings. Nesse nível, crescemos muito e estamos no caminho certo. Nosso treinador Jefferson Verbena já é técnico da Seleção Mineira, então estamos evoluindo nesse aspecto também. E esse ano tivemos uma dissertação de mestrado desenvolvida aqui, ou seja, estamos dando também os frutos acadêmicos”, comemora Perrout.
Aporte
O Cria já contava com o Governo do Estado, através do programa Minas Olímpica, como parceiro, além da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), e esse ano ganhou um reforço e tanto fora das pistas. “Uma das grandes novidades para 2014 foi a parceria com o Sesi. Porque a UFJF tem toda a infraestrutura, com material humano altamente qualificado, mas estava com dificuldades com as despesas de competição e federativas. O acordo com o Sesi veio a complementar isso. Assinamos o convênio para o meio do ano, mas mais para o fim é que realmente passou a engrenar. Foi uma grande conquista, até porque o Sesi é uma instituição de tradição no esporte brasileiro. É um parceiro com o qual pretendemos entrosar cada vez mais. Para 2015 essa é uma das metas para que esse casamento deslanche de vez”, projeta Perrout.
Equipado
Uma boa notícia no fim do último mês deve afetar diretamente o futuro do Cria. O Centro tem alinhavado com a UFJF o investimento de R$ 1,6 milhão em equipamentos homologados pela Federação Internacional de Atletismo. “Isso permitirá que organizemos competição maiores, a nível nacional por exemplo”, explica Perrout. Serão adquiridas barreiras, equipamentos para salto em altura, salto em distância, cronometragem eletrônica, entre outros. Hoje, os que existem na UFJF são para treinamento e não podem fazer parte de um torneio oficial adulto, por exemplo. “Queremos nos estabelecer como centro de referência. Acho que não seria sonhar muito alto sediarmos uma competição nacional já no ano que vem. Isso tudo nos preparando também para recebermos as delegações internacionais que virão para cá em 2016 (China e Canadá)”, projeta o professor.
Temporada especial para Raphaela e Robison
Pode-se dizer que os atletas de maior sucesso no Cria em 2014 foram os jovens Robison Gomes Júnior e Raphaela Diesse. Ele está em ação esse fim de semana no Campeonato Brasileiro Escolar, em João Pessoa, na Paraíba, disputando atualmente a categoria menores e competindo nos 800m e 1.500m. Ela, na divisão mirim, aguarda ansiosa a realização do Sul-Americano para disputar os lançamentos de dardo e martelo.
A dupla comemora a grande temporada. “Esse ano foi muito bom. Em 2013, minha meta era chegar ao Brasileiro, já estava satisfeito. Mas em 2014 não só disputei como fui vice-campeão nacional nos 1.500m, quebrando o recorde mineiro de menores (baixando a marca de 4min01s para 4min00s). Ainda acrescentei uma prova nova ao meu repertório, que são os 800m”, celebra Robison.
Raphaela não está menos feliz. “Consegui conquistas inesperadas. Fui campeã mineira e vice-campeã brasileira no lançamento de dardo. Evoluí 9m no ano, passando de 33m para 42,05m já dentro da competição. Se não tivesse feito isso, não conseguiria o vice nacional. Fiquei muito feliz. Ainda fui convocada para representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano que aconteceria no fim desse ano em Aracaju. Mas a competição foi adiada para 2015 e pode até mudar de país, então seria a primeira vez que competiria fora”, festeja.
Para o próximo ano, a meta da dupla é continuar evoluindo. “A grande meta é ir bem no Sul-Americano no ano que vem. Espero conquistar mais competições, melhorar minhas marcas. Quero ir bem no Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg) para me classificar novamente para o Brasileiro e, quem sabe, poder ser convocada de novo para uma competição continental”, deseja Raphaela. “O ano de 2015 será o meu primeiro como juvenil. Sei que vou precisar de um treinamento diferenciado, pois virão mais pedreiras pela frente, mas estou preparado. Já corro junto com os mais velhos. Eles são bons, mas nosso trabalho aqui é bem feito. Com a ajuda de todos aqui no projeto, vamos mostrar que não estamos de brincadeira”, garante ele.
Treinamentos, gratuitos, estão abertos a toda a comunidade
Mas não é só nos resultados e medalhas, nas grandes competições, que está o foco da iniciativa. Pensando no futuro a longo prazo, Perrout quer intensificar a captação de novos praticantes para formar uma base ampla na busca por talentos. Por isso, o Cria tem convite aberto a todos os interessados. “É só vir à UFJF e começar a treinar. Os treinos são segunda, quarta e sexta, 8h para quem estuda à tarde, e 14h para quem estuda de manhã. Não há taxa nem mensalidade, é só vir. O aluno vem, faz alguns treinamentos experimentais e, se gostar, faz sua inscrição. Estamos de portas abertas para que todos experimentem e possam despertar em si o gosto pelo atletismo.”
Nesse sentido, os dois núcleos em Juiz de Fora ganharam mais um companheiro em uma cidade vizinha. “Firmamos um acordo com a Prefeitura de Matias Barbosa e, com isso, esperamos ampliar nossa base de captação e renovação, somando os trabalhos do campus da UFJF e no Linhares, onde temos uma parceria sólida com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL). Hoje, no total, são 150 meninos e meninas, entre 8 e 17 anos. Queremos aumentar isso”, diz Perrout.









