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Nada no balaio


Por RICARDO MIRANDA

08/06/2013 às 07h00

Muito barulho por nada

Teve um professor, talvez um dos melhores da minha fase universitária, que recomendava cuidado com a ostentação. Na sua avaliação, quando se alardeia demais, é porque há algo para ser compensado. Sua maior implicância era com as formaturas de alguns cursos universitários. Para ele, as muitas flores, os balões, as festas, as celebrações, as roupas e os sapatos são uma forma de contrabalançar uma vida acadêmica tacanha. Ou seja, o profissional, em alguns casos, era gabaritado na saída e não durante o curso. Seguindo o mesmo raciocínio, o tal professor atacava os casamentos e, acima de tudo, as festas de 15 anos. Mas aí são outras histórias.

No meu caso, o que pesa são os modernos e caros estádios de futebol. De fato, eles são incontestavelmente uma forma de compensação para o fraco futebol de nossas equipes e, principalmente, de nossa seleção. Não é à toa que a maioria dos comentaristas de futebol e outros bichos do gênero têm focado apenas em suas nem sempre lúcidas análises a infraestrutura do novo Maracanã, Mineirão… Quanto ao futebol, a coisa mais sensata dita nos últimos dias é de que a folga da Copa das Confederações veio em boa hora.

O problema é que, por conta dessa mesma Copa da Confederações, os jogos do Campeonato Brasileiro abandonaram os novos estádios, propícios a compensações de toda natureza. Essa conjunção de fatores levou o infeliz do torcedor para frente da TV para ver um Flamengo e Náutico no Orlando Scarpelli. Bem pior foi o Cruzeiro e Atlético-PR no enlameado Estádio Érton Coelho Queiróz, conhecido como Vila Olímpica do Boqueirão, em Curitiba. Foi um Deus nos acuda!

Por outro lado, no Campo do Cerâmica, alguns dias atrás, foi possível ver um jogão de bola. A leveza de um adolescente franzino pelo lado esquerdo do campo, como aqueles antigos pontas, trouxe uma beleza para aquela terra batida com alambrado destruído. Era o inverso das formaturas.