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Por Wallace Mattos

08/05/2011 às 07h00

Nas últimas semanas, muito se falou a respeito de o Flamengo utilizar o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora, como um de seus locais de mando de campo nas próximas partidas no ano. Com o Maracanã em reforma, o Rubro-Negro ficou sem sua tradicional casa para os jogos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. Para piorar, alguns fatores empurram o clube para fora do estado do Rio de Janeiro, como as altas taxas cobradas pelo Botafogo para ceder o Engenhão, o estado ruim do gramado do Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, e as dificuldades nos traslados da delegação flamenguista de ida e volta a Macaé, no Norte Fluminense, onde o Fla já mandou jogos pelo Campeonato Carioca no Estádio Cláudio Moacyr de Azevedo (Moacyrzão).

Com tudo isso e pela simpatia dos jogadores pelo Mário Helênio, local onde alguns atletas do Flamengo – como o lateral-direito Léo Moura, o zagueiro Ronaldo Angelim e o meia Renato Abreu – já atuaram, Juiz de Fora surgiu como alternativa para sediar os jogos do clube carioca. A facilidade no transporte da delegação entre o Rio de Janeiro e a Manchester Mineira, seja pela BR-040 ou por avião, também é um ponto a favor do município mineiro. Mas a realidade é que, hoje, o Estádio Municipal não poderia abrigar um jogo do Flamengo ou de qualquer outro time válido pelo Brasileirão ou pela Copa do Brasil, pois não atende à capacidade mínima de 15 mil lugares exigida nos regulamentos de ambas as competições.

A atual capacidade máxima liberada do Mário Helênio, de acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, é de 14.500 torcedores. Mas, a arena local está limitada a abrigar somente até 10 mil pessoas por conta da falta de sistemas de acesso através de catracas e bilhetagem eletrônicas e de monitoração do público por câmeras, através de uma central de segurança, como previsto na Lei 10.671 de maio de 2003 – alterada em julho de 2010 pelo Executivo nacional -, mais conhecida como Estatuto do Torcedor. Na Copa do Brasil, a capacidade mínima exigida é de 15 mil lugares.

Ambos os regulamentos ainda colocam outro impedimento para que os jogos do Flamengo venham para Juiz de Fora, ao determinarem que "o mando de campo das partidas será exercido no limite da jurisdição da federação a que pertença o clube mandante". Mas, abrem uma brecha para análise de uma possível mudança de estado dos confrontos quando afirmam que essa exigência pode ser modificada "em situações excepcionais, a critério da Diretoria de Competições da CBF e de acordo com o Regulamento Geral das Competições".

As expectativas são de que o Flamengo envie um representante a Juiz de Fora nos próximos dias. Isso porque, na próxima quarta, 11 de maio, termina o prazo para que o Rubro-Negro se manifeste e peça à CBF a alteração do local de sua estreia no Brasileirão 2011, contra o Avaí, às 18h30, prevista para acontecer no dia 21 de maio, dia anterior ao show que o ex-beatle Paul McCartney fará no Engenhão – a montagem do palco impossibilita a partida no estádio. O secretário de Esporte e Lazer, Renato Miranda aguarda novidades. "Esperamos uma posição do Flamengo."

Por enquanto, as conversas entre a diretoria do clube carioca, através do supervisor Isaías Tinoco, e Miranda foram apenas sondagens. Mas, o titular da pasta municipal sabe que, hoje, o Mário Helênio não teria condições de abrigar uma partida de competições nacionais. "Para liberar o local para um número maior de espectadores, precisamos adequar o estádio ao que é estabelecido no Estatuto do Torcedor, além de passar por novas vistorias. Mas, se o Flamengo disser que vem, acredito que teremos condições de, rapidamente, fazê-lo. Então, entram em curso ações para liberar o estádio para sua capacidade máxima, que é de cerca de 34 mil pessoas", explica.

Para receber mais de 10 mil torcedores nas competições, o Estádio Municipal precisa de catracas eletrônicas, sistema de câmeras e uma sala de monitoramento para vigilância. Mas, por enquanto, não há dinheiro disponível para a aquisição. A locação poderia ser uma alternativa.

"É um investimento que não estava previsto no orçamento da Prefeitura para esse ano. Mas, na minha opinião, vale o esforço de se buscar os recursos, um trabalho orçamentário, pois essa é uma oportunidade de modernizarmos nosso estádio até mesmo visando uma melhor estrutura para equipes que queiram vir para a cidade e tê-la como local de treinamentos antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. É um interesse da cidade como um todo. Estamos estudando inclusive fazer como grandes clubes de São Paulo, como Palmeiras e Corinthians, fazem quando mandam seus jogos no interior. Eles alugam esse equipamentos. Já tivemos até contatos com as empresas que fazem isso. Vamos apresentar como uma alternativa", diz Miranda.

Além do que está na exigência legal, o Mário Helênio, que completa 23 anos de inauguração em outubro, dá sinais de desgaste pelo tempo e precisa de reparos. Alguns deles já começaram, e outros precisarão ser feitos rapidamente. "Precisamos reformar os vestiários para atender melhor às equipes. Queremos resolver o problema das infiltrações (que aparecem principalmente nas juntas dos blocos de pré-moldados do teto do setor onde se localizam os vestiários, a administração, o posto médico e o almoxarifado do Mário Helênio), além de ter um espaço maior e mais adequado para o atendimento e conforto da imprensa. O torcedor também precisa ser melhor atendido na questão dos banheiros, que já passaram por reparos no início do ano, quando ganharam reservados com acessibilidade, mas precisam de novas correções", explica Renato.

Uma das principais críticas do Flamengo ao Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, é o estado do gramado. Mas, segundo o secretário e os responsável pela administração do Estádio Municipal, apesar do desgaste, a grama do Mário Helênio estará em boas condições para atender os rubro-negros caso resolvam adotar Juiz de Fora como sede de algumas de suas partidas. "Claro que é um gramado que está aí tem quase 23 anos. Mas, seu volume de utilização não é tão grande, e há manutenção constante", confia Miranda.

O administrador do Estádio, Cláudio Rogel, assina embaixo."Podemos garantir que o Flamengo será bem atendido. Temos um grande trunfo com relação aos outros estádios, que é a dimensão do gramado, de 110m de comprimento por 70m de largura, o que facilita para jogadores de times grandes.