Atletas de futsal feminino lideram ajuda para vítimas das chuvas em Juiz de Fora

Jogadoras do Clube Bom Pastor organizam pontos de apoio em diferentes bairros da cidade e também em Ubá


Por Davi Sampaio

08/03/2026 às 07h43

Em meio aos impactos das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e cidades da Zona da Mata nas últimas semanas, atletas de futsal feminino do Clube Bom Pastor se mobilizaram para ajudar famílias afetadas por alagamentos e deslizamentos. As jogadoras passaram a arrecadar doações, preparar alimentos e levar ajuda diretamente a quem perdeu bens ou precisou deixar suas casas.

Entre elas está Ana Beatriz Rosa, a Bia, que ajudou a organizar um ponto de apoio no bairro Borboleta. A iniciativa começou de forma simples, mas rapidamente ganhou adesão de voluntários e moradores da região. “Eu peguei um ponto de apoio na quadra, na terça-feira (24). De começo foi eu e a Yasmin, uma outra amiga minha. E aí a galera foi vendo e abraçou a causa”, conta.

Com a mobilização, o grupo chegou a reunir cerca de 30 voluntários para arrecadar e distribuir doações. A partir de quarta-feira (25/2), elas também começaram a preparar refeições para quem estava desabrigado ou trabalhando na limpeza das ruas.

“A demanda foi muito maior. Conseguimos uns cinco motoboys para ajudar a fazer as entregas. A gente também começou a fazer sanduíche natural para ajudar a galera que estava limpando as ruas e quem estava precisando de alimentação”, elenca.

Mais de 100 litros de água

Outras atletas do clube também se juntaram à iniciativa. Uma delas foi Ana Carolina Oliveira, também conhecida como Karol. Empresária no bairro Granjas Bethânia, ela decidiu fechar temporariamente a loja para se dedicar às ações de ajuda. Com uma caminhonete 4×4, Karol passou a buscar doações e levá-las diretamente às famílias atingidas em diferentes bairros.

“Na terça-feira mesmo eu tive a iniciativa de tirar dinheiro do meu bolso. Eu e minha namorada compramos 10 cestas básicas e quase 100 litros de água. Depois a Bia me chamou com a ideia de conseguir uma quadra para a gente colocar as doações”, explica.

Segundo ela, a ajuda chegou a diferentes regiões da cidade. “Eu ia nos pontos de arrecadação, as pessoas entregavam lá e eu distribuía direto nas casas de quem estava precisando. Fui em Três Moinhos, Industrial, Paineiras, Marumbi, Monte Castelo. A gente fez de tudo para poder ajudar”, frisa.

Durante uma das entregas, Karol chegou a enfrentar novamente o avanço da água nas ruas. “Na quarta-feira, quando voltou a chover, eu estava entregando até de noite e não consegui voltar para minha casa. A água chegou quase na maçaneta do meu carro. Ali eu fiquei com medo, senti muito medo”, relembra.

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Atletas do Clube Bom Pastor se mobilizaram para as doações (Foto: Leonardo Costa)

 

Ajuda às vítimas das chuvas, mesmo com perdas

A mobilização também contou com o trabalho de Fernanda Almeida, que mesmo tendo sido diretamente afetada pela enchente decidiu participar das ações de apoio. “Geladeira, móveis de madeira, guarda-roupa, cama, essas coisas eu perdi. Mas, graças a Deus, dos males o menor:  foram só coisas materiais”, afirma.

Depois de limpar a própria casa, Fernanda se juntou ao grupo no ponto de apoio. “Coloquei as coisas no lugar e já fui para lá ajudar, recolhendo, separando as doações e também saindo de carro para entregar nos lugares onde o apoio não chegava”, narra.

Ela fala que, em alguns momentos, foi necessário subir morros para levar os mantimentos até as famílias. “O pessoal não subia para entregar, então a gente subiu. As pessoas realmente estavam precisando de tudo: não tinham água, estavam sem luz, sem comida”, reflete.

A rede de ajuda também se estendeu para cidades vizinhas. A atleta Rayane Senna, moradora de Tocantins, cidade próxima a Ubá, também na Zona da Mata, participou das ações de apoio às vítimas das enchentes na região.

“Estou na linha de frente. Faz uma semana que eu não trabalho, estou por conta de ajudar pessoas nesse momento tão difícil. Tenho amigos que perderam tudo nessa enchente. Você vê tudo que a pessoa construiu indo embora em segundos”, lamenta.

Mesmo diante da dimensão da tragédia, Rayane destaca o esforço coletivo para levar algum alívio às famílias. “A gente arrecadou muita roupa, muito alimento. Fizemos cachorro-quente, marmitex e levamos para o pessoal. Está todo mundo abraçando a causa“, garante.

Com muitas horas de trabalho voluntário, as quatro atletas mostram que o compromisso com a comunidade também se manifesta fora das quadras. “Por mais que eu tenha perdido coisas, não tinha nem comparação. Eu não podia deixar de fazer o que estivesse ao meu alcance para ajudar quem tinha perdido muito mais do que eu”, finaliza Fernanda.