Na orelha da bola
Técnico povão
Time de povão, o Flamengo.
Tem umas coisas engraçadas, o Flamengo.
Desde que Jayme de Almeida, que remete os quase quarentões como eu a Jaiminho, o carteiro da vila do Chaves, apareceu, ocupando a vaga do cabriocárico Mano Menezes, o time deslanchou. Tem um aproveitamento excelente no Campeonato Brasileiro, embora tarde demais, e chega com moral à decisão da Copa do Brasil.
Time de povão não aceita técnico de grife, é isso?
Pois só pode.
Em 2009, o humilde Andrade levou a equipe rebocada por Petkovic e Adriano dentro de campo ao título nacional.
Em 1987, com um timaço que tinha Renato Gaúcho, Zico e Bebeto, e em 1992, com um time meia-boca, mas que tinha um fora-de-série de nome Júnior, foi a vez do silencioso Carlinhos, por duas vezes, levantar o caneco do Brasileirão.
Antes, em 1982 e 1983, por mais que digam que aqueles esquadrões não precisavam de comandante, o Flamengo foi campeão com dois boleiros recém-saídos dos gramados: Paulo César Carpegiani e Carlos Alberto Torres.
A regra que confirma a exceção é Cláudio Coutinho, professor, militar, ex-técnico da Seleção Brasileira. Aquele sim, profissional de grife. Ganhou o Brasileiro de 1980, o primeiro dos seis que o Flamengo viria a conquistar. Os outros cinco viriam sob a batuta de treinadores mais… povão.
É.
Time de povão, o Flamengo.








