Nas raias da democracia atlética
As águas da piscina do Complexo Esportivo da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vão ficar agitadas durante todo o dia de hoje. O local sediará a Maratona Aquática 12 Horas Nadando, na qual equipes locais permanecerão com seus integrantes nas raias durante todo o evento, ininterruptamente. Estarão na disputa os times Higéia/Clube Bom Pastor, Colégio Militar, Tupi, Jesuítas, Vidativa, SaúdePerformance, Sesi/Bombeiros, AABB e Academia Mergulho.
Segundo a organizadora do evento, Maria Rita "Maíta" Daibert, cerca de 250 nadadores, que se revezarão de 15 em 15 minutos na piscina, devem passar pelas águas da Federal neste domingo. "O objetivo é incentivar a natação em Juiz de Fora. É uma grande confraternização dos nadadores com atletas, triatletas e praticantes que não competem. Homens, mulheres, crianças, todo mundo dividindo a mesma piscina e convivendo no mesmo espaço. Será uma verdadeira festa, e todos que caírem na água vão ganhar medalhas de participação, assim como as equipes levarão troféus", explica.
Competição
A promotora da maratona conta também que, além de uma grande confraternização, haverá competição durante as horas de braçadas. "Iremos manter um registro de distâncias, e a equipe vencedora será a que for mais longe no tempo do evento. Isso é só mesmo para manter o espírito competitivo, porque o grande objetivo é incentivar a natação. Vale nadar de qualquer jeito, qualquer estilo, mudar de estilo durante os 15 minutos, é bem democrático. Só não vale andar na piscina e nem utilizar aparatos que auxiliem na propulsão e nem na flutuação – como pés de pato ou pranchas, por exemplo", conta Maíta.
Para o responsável pela equipe da AABB, André Fonseca, 52 anos, a descoberta tardia do esporte foi um despertar para as competições. Segundo o nadador, com a vida mais estabilizada é possível conciliar melhor as obrigações e o esporte. "Procurei a natação aos 35 anos, por orientação médica, e não parei mais. Tenho prazer em ir treinar de manhã bem cedo e, com os filhos criados e mais tempo para me dedicar ao que quero fazer, fica fácil estabelecer uma rotina em que caiba o treinamento e o trabalho. As competições, encaro como grandes encontros de amigos nos quais meu adversário é o relógio. Acho um barato, e a meta é sempre ser mais rápido que eu mesmo, sem me importar com colocação", explica.
O movimento da natação master local é encarado com bons olhos pela coordenadora e professora do Bom Pastor, Elisa Rodrigues, responsável pela modalidade no clube que revelou os dois principais talentos recentes das piscinas juiz-foranas, as nadadoras Larissa Martins, 20 anos, hoje no Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, e Giulia Fazza, 15, atualmente no Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte. "É realmente um movimento bem forte. Para mim, é uma volta à época prazerosa que as pessoas experimentam. Quando começa a nadar, a criança sempre se diverte muito. Depois, conforme o tempo vai passando, o treinamento fica mais sério, surgem as cobranças, é um trabalho árduo", observa.
Com a proximidade da vida adulta, os compromissos escolares, a expectativa sobre o futuro profissional, a maioria dos jovens desiste. "Temos que ter em mente que os resultados são a longo prazo, surgindo por volta dos 17, 18 anos. Muitos não continuam nessa faixa etária, pois o trabalho é para uma carreira. Na natação master, muitas vezes, o treinamento é para se ter qualidade de vida, e a preparação intensa visa a uma ou outra competição." Porém, Elisa observa, permanecer nadando não é, necessariamente, ter de permanecer disputando provas de alto rendimento. "A natação master é um ótimo exemplo para os nadadores mais jovens, de que eles podem continuar nadando pelo resto de suas vidas e continuar em um ambiente de amizades e confraternização através do esporte", encerra Elisa.
Uma maneira de seguir nas piscinas
Uma olhada mais de perto nas equipes que estarão em ação durante a Maratona 12 Horas Nadando revela uma tendência da natação juiz-forana: os atletas master têm se mobilizado de forma sistemática para competir e participar de eventos como o de hoje. Times como AABB, Higeia/Bom Pastor, Sesi/Bombeiros, Vidativa e SaúdePerformance são formados por nadadores com mais de 20 anos – idade na qual a natação amadora começa a dividir-se nas faixas etárias dos masters.
"Realmente, a maioria dos atletas é de masters. É um movimento que hoje, em Juiz de Fora, é muito grande e organizado. Existem vários ex-atletas que encontraram nas competições de masters uma forma de continuar no esporte, e várias pessoas que descobriram a natação mais tarde e tomaram gosto por competir com uma idade mais avançada", diz Maíta.
Coordenadora da equipe Higeia/Bom Pastor, Carolina Zacharias, 35 anos, foi atleta entre os 13 e os 20 anos e conta que as disputas hoje são uma forma de viver o ambiente de competição sem tanta pressão como no passado. Mas ela também sabe que existem muitos nadadores que não conseguem levar essa relação com as piscinas em idade mais avançada com naturalidade. "Competir no master foi uma forma que encontrei de estar inserida no meio. Antes, quando treinava para as competições, queria melhorar, bater recordes, estar bem classificada, conseguir índice para as competições e ganhar medalhas. Hoje é mais para participar, encontrar com as pessoas nos eventos. A competição é a grande oportunidade de estar com quem gosta do esporte como você. Quem nada desde pequeno fica um pouco traumatizado de contar azulejos todos os dias e não é fácil ter uma relação tranquila com a natação depois. Mas, no meu caso, consigo levar bem", garante.









