Os pés pelas mãos
Damião pagou o Pato
As coisas no futebol mudam conforme o vento. Mais do que falta bem cobrada por netos, zicos, juninhos ou marcelinhos da vida. Veja o exemplo da Seleção. Nos primeiros meses do ano, o time de Felipão convivia com as dúvidas e as nuvens negras do até então fracassado legado de Mano Menezes. Hoje, a equipe está em Brasília sob céu de brigadeiro e convive sorridente com a pecha de favorita a conquistar a Copa do ano que vem. Dentro de seus próprios domínios. A conquista da Copa das Confederações trouxe de volta o batido conceito da família Scolari. Ou seria famiglia, à italiana, visto a rasteira que o treinador do Brasil deu no centroavante Leandro Damião na última convocação? Com a contusão de Fred, o nome do atacante do Internacional era o mais indicado para ficar com a vaga por tudo que ele fez até aqui com a camisa brasileira desde a renovação iniciada após o ocaso na África do Sul, em 2010.
Felipão preferiu Pato. O ex-integrante da famiglia Berlusconi tem um lobby danado. Mesmo não sendo unanimidade nem entre os torcedores de seu atual clube, cavou sua vaguinha. Nunca consegui entender o que o atacante fez para merecer a pecha de estrela internacional. Nada em suas passagens por Colorado, Milan ou Timão justifica os elogios que sempre foram feitos ao camisa 7 do Corinthians. O jogador desembarcou no Parque São Jorge há nove meses valendo seu peso em ouro – ou melhor, euros. Contudo, não conseguiu se firmar como titular. Mesmo assim é comum ouvir seus defensores afirmarem que ele é dono de uma técnica invejável. Discurso que acaba esvaziado pelas suas atuações na temporada. Mostrou um breve lampejo de craque apenas no segundo gol da goleada contra o Flamengo, domingo passado. E só. Pato tem potencial, mas enquanto for tratado como estrela, não vai mostrar a evolução que se espera. Talvez teria sido melhor ter convocado o Walter. Pelo tal merecimento.








