Alex não descarta voltar a treinar uma equipe fora do Brasil no futuro
Treinador já comandou o Antalyaspor-TUR por cinco meses na temporada 2024/25
O nome de Alex de Souza é um dos que carregam mais expectativa da nova geração de técnicos brasileiros, muito por conta do que o agora treinador do Athletic Club foi como atleta. Em entrevista exclusiva à Tribuna de Minas, o ex-jogador analisa o espaço existente dentro do mercado interno para os profissionais locais, comenta sobre o seu estilo como técnico e diz que não descarta voltar a treinar fora do Brasil no futuro, como fez no Antalyaspor-TUR, na temporada 2024/25.
Para Alex, o determinante para aceitar uma proposta de emprego não é a origem dela, mas sim as ideias que a embasam.
“Eu acredito em ir para um lugar em que o gestor me convide e acredite naquilo que eu vou fazer no dia a dia. Existe um pensamento do Pep Guardiola, que hoje, como treinador, eu acho que serve muito: você normalmente é contratado pelas suas ideias. E as ideias, elas são conversadas e discutidas. No dia a dia, esse gestor que te contratou vai ver se você está trabalhando dentro daquelas ideias que foram colocadas. No meio disso, tem jogo. E aí nós vamos entender se os resultados do jogo estão correndo a favor ou contra”, afirma.
Mesmo não descartando treinar um clube fora do Brasil no futuro, Alex destaca que está focado em seguir desenvolvendo o seu trabalho no Athletic durante a Série B do Campeonato Brasileiro.
“No meio disso a gente vai ganhar e vai perder, coisas totalmente naturais no futebol. O que eu quero é fazer com que aquilo que eu conversei com os gestores do Athletic um pouco mais de 30 dias atrás esteja acontecendo no dia a dia, que muito do meu discurso sejam as minhas ações”, projeta.

“Somente os dirigentes podem responder”
Dentro da primeira prateleira do futebol brasileiro, há uma preferência dos clubes em contratar treinadores estrangeiros, principalmente portugueses, como fez, recentemente, o Cruzeiro com Artur Jorge para o lugar de Tite, e o Flamengo, que trouxe Leonardo Jardim para a vaga de Filipe Luís. Para Alex, não há uma explicação clara sobre essa tendência, mas sim uma necessidade de se questionar os gestores do futebol brasileiro.
“Tem que buscar entender o que eles buscam nos estrangeiros e que eles não enxergam nos brasileiros. Eu, sinceramente, não tenho essa resposta, porque muito se aponta o dedo para o treinador brasileiro, mas quem comanda o clube não é o treinador. Quem comanda o clube são os gestores. Então, esses gestores que contratam e demitem, e aí contratam um novo, talvez eles tenham essa resposta para essa pergunta. Eu acho que nós temos bons profissionais brasileiros, como também tem bons profissionais estrangeiros. A decisão de quem vai dirigir o clube A ou o clube B, ou a própria seleção brasileira, são desses gestores”, afirma Alex.
Estilo de jogo simples e organizado
Camisa dez clássico, Alex se descreve como um jogador simples e organizado, que não se preocupava em fazer firula, mas sim em colocar em prática os seus gestos técnicos da forma mais eficiente possível. E é esse estilo que o agora treinador busca implantar no Athletic.
“A minha maior exigência é que, tecnicamente, os jogadores possam evoluir o tempo todo e, em termos de comportamento, que eles levem para dentro do jogo aquilo que se treina na semana. Eu sempre digo para eles que eu não vou cobrar nada deles que eu não tenha treinado. Agora, se eu tiver treinado e eles deixarem de fazer, essa cobrança vai acontecer. […] Como treinador, no meu dia a dia, eu busco treinar comportamentos que eu acredito que irão deixar o time organizado e dar moral e confiança para que os jogadores possam se desenvolver e colocar em prática aquilo que eles sabem fazer”, explica.









