Ex-companheiro de Romário e Ronaldinho Gaúcho, Alex Dias lembra carreira, partida em JF e lamenta cenário vivido pelo Tupi
Ex-atacante de Vasco, São Paulo e PSG esteve em Juiz de Fora no fim de julho e conversou com a Tribuna
O ex-jogador Alex Dias, com passagens marcantes por Vasco, Fluminense PSG e Saint-Étienne, esteve em Juiz de Fora no fim de julho para participar de um jogo festivo no Desafio Bahamas de Fut-7. Antes do evento, o craque conversou com a Tribuna de Minas e falou sobre carreira, a experiência na França, as parcerias com Romário e Ronaldinho Gaúcho, a situação do Tupi e o atual momento do futebol brasileiro.
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Confira a entrevista na íntegra:
Tribuna: Você já esteve em Juiz de Fora outras vezes. O que te traz de volta agora?
Alex Dias: “Primeiro, quero agradecer ao Maurício (Carvalho) pelo convite. Essa já é a segunda vez que venho a Juiz de Fora e é sempre um prazer. Na primeira oportunidade, encontrei vários craques do futebol e agora estou de volta para mais um evento. Sempre sou muito bem recebido, com tratamento de primeira. Então, sempre que o Maurício me chamar e eu tiver agenda, vou fazer questão de vir.”

Você já enfrentou o Tupi em Juiz de Fora. Lembra desse jogo?
“Joguei aqui no fim da minha carreira, quando estava no America do Rio, clube para o qual o Romário me levou. Enfrentamos o Tupi no estádio daqui. Foi uma experiência muito bacana. Se não me engano, nós vencemos a partida. Faz bastante tempo, acho que foi em 2009 ou 2010, então não lembro do placar. Mas recordo que foi um jogo legal e que o gramado estava em boas condições. Hoje, conversando no caminho, falaram da situação do Tupi, e isso entristece. Uma cidade como Juiz de Fora precisa ter um clube forte, de referência.”
Sua passagem pelo PSG foi num período bem diferente do atual. Como foi aquela experiência?
“Na nossa época ainda não existia o investimento do sheik, mas foi uma passagem muito marcante. Joguei ao lado do Aloísio e do Ronaldinho Gaúcho. Fomos campeões da Copa Intertoto, que garantia vaga para a disputa da Champions League. Não fui titular absoluto, mas consegui marcar alguns gols importantes. Hoje a realidade é completamente diferente. O PSG é bicampeão da Champions, investe muito e disputa em igualdade com qualquer gigante da Europa. Recebi até um cartão de Legend do clube para renovar. Sempre que posso volto a Paris para assistir aos jogos da Champions. Já tive a oportunidade de acompanhar partidas inesquecíveis, com jogadores como Messi, Mbappé e Neymar. É muito bom manter esse vínculo.”
Jogar ao lado de Ronaldinho Gaúcho deve ter sido inesquecível.
“Guardo lembranças muito especiais. Tem até um gol meu contra o Lens em que ele vem comemorar comigo. São momentos que ficam para sempre.”
E a parceria com Romário no Vasco?
“O Romário foi um fenômeno. Em 2005, formamos uma dupla de ataque muito forte no Vasco e brigávamos pela artilharia. Naquele período eu até cobrava os pênaltis porque estava na frente dele na disputa pelos gols. Depois sofri uma lesão contra o Santos, em São Januário, e ele brincou que agora teria que assumir a responsabilidade. Nossa amizade ficou muito forte. Até hoje faço um jogo beneficente em Goiânia e ele sempre participa.”

Olhando para a carreira, você realizou os sonhos que tinha?
“Realizei praticamente todos os sonhos que tinha, inclusive vestir a camisa do São Paulo, meu time de coração. Minha trajetória não foi fácil. Só tive a oportunidade de entrar em um grande clube já no último ano de júnior, quando fui para o Remo, aos 19 anos. A partir dali minha carreira deslanchou. Fui bicampeão paraense, conquistei títulos importantes e vivi momentos inesquecíveis. O único sonho que ficou faltando foi jogar pela Seleção Brasileira. Acho que, pelo que fiz no Vasco e também na França, principalmente no Saint-Étienne, eu poderia ter recebido uma oportunidade.”
Fala-se muito do PSG, mas o Saint-Étienne também marcou sua trajetória…
“Muita gente lembra da minha passagem pelo PSG, mas o clube onde mais brilhei foi o Saint-Étienne. Fui eleito por dois anos seguidos o melhor jogador estrangeiro da equipe. Naquela época, o Campeonato Francês não tinha a visibilidade que tem hoje. Atualmente qualquer jogo passa na televisão e nas plataformas.”
E depois que pendurou as chuteiras, o que faz?
“Continuei no futebol. Trabalho com agenciamento de atletas em parceria com um amigo e também participo desses eventos pelo Brasil. É uma forma de continuar próximo do esporte.”
Como enxerga o futebol brasileiro hoje?
“Hoje o futebol está muito mais físico. Acho que isso precisa mudar desde as categorias de base. O jogador brasileiro sempre foi conhecido pela criatividade, pelo drible e pela liberdade para jogar. Estamos perdendo essa característica. Basta olhar a última Copa do Mundo. Ver a Seleção Brasileira sendo dominada na posse de bola é algo que antigamente parecia impossível. Precisamos rever esse caminho.”
Quem são as referências no futebol atual para você?
“Gosto muito do Mbappé e sempre fui fã do Cristiano Ronaldo. São jogadores que servem de referência para qualquer atacante.”
E o Neymar na última Copa?
“O Neymar fez um esforço enorme para disputar a Copa do Mundo, mas já chegou machucado. Nossa principal esperança era ele, só que acabou não conseguindo se recuperar totalmente. Em uma competição curta, isso faz muita diferença.”
O que esperar da nova geração da Seleção?
“O Endrick, o Matheus Cunha e outros jogadores jovens têm muito potencial. Se o Ancelotti continuar no comando, acredito que precisa dar mais oportunidades para essa nova geração. Também precisamos resolver problemas em posições como as laterais, onde hoje faltam opções.”
O futevôlei também entrou na sua vida?
“O futevôlei é uma paixão. Depois que parei de jogar, passei a acompanhar de perto o crescimento da modalidade. Hoje vemos muitos artistas e ex-jogadores envolvidos, principalmente em Goiânia. É um esporte que cresceu muito e conquistou ainda mais espaço.”
Que mensagem deixa para quem sonha em ser jogador?
“Não desistam dos seus sonhos. Minha trajetória foi construída com muita luta e perseverança. Saí de Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul, acreditando que poderia me tornar jogador profissional. Além de trabalhar duro, é importante ouvir os pais, respeitar os treinadores e manter o foco. Quem faz isso aumenta muito as chances de alcançar seus objetivos.”
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