Ouça agora

Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

05/07/2011 às 07h00

O bicho pegou…

Caros e caras, vamos combinar: a estréia da Seleção Brasileira na Copa América foi muito ruim. Não importa que o grupo tenha sentido o nervosismo da primeira partida, que o time esteja em formação, que os jogadores estejam desentrosados e que o técnico venha tentando mudar radicalmente o esquema de jogo – isso tudo explica, mas não justifica. Empatar em 0 a 0 com a Venezuela – país no qual o futebol é antepenúltimo esporte preferido, atrás do beisebol, basquete, malha, bocha, paciência spider e jogar pedra n’água – é extremamente péssimo.

Para se ter uma idéia da ruindade do jogo, em uma partida na qual havia um Pato e um Ganso do qual se esperava muito, quem deu show mesmo, provocando o lance mais feliz da partida foi um cachorro. Realmente, o bicho pegou… para o lado dos brazucas.

Como o comandante Mano Menezes não quis individualizar as análises, eu faço. No gol e na zaga, não fomos testados, então, a avaliação fica para outro confronto. Nas laterais, um Daniel Alves nitidamente sentindo o ritmo de uma temporada inteira na Europa jogando ao máximo errou praticamente tudo o que tentou, e André Silva caminha a passos largos para se tornar o Felipe Melo de Mano. Dos volantes, o único que esteve bem foi Lucas Leiva (inventaram essa agora para não confundir com o Lucas meia), mas sempre preso na marcação, limitando, a meu ver, seu potencial ofensivo. Já Ramires parece ter desaprendido na Inglaterra. Bateu muito nos últimos jogos que fez pela Seleção e, no domingo, como não tinha em quem dar bordoadas, tentou sair para o jogo – coisa que fazia com perfeição no Cruzeiro – e errou todas as jogadas.

Chegamos no meio de campo ofensivo e ataque, de onde se esperava muito do time brasileiro. Para mim, só Pato se salvou, jogando como homem de área – diga-se de passagem, ele não é – e fazendo o que se espera de um centroavante: finalizando sem muita conversa. Assim, acertou a trave, em uma bola que poderia facilitar toda a partida se entrasse. Robinho afunilou muito, Neymar idem – com o agravante das fintas muitas vezes desnecessárias – e Ganso foi muito marcado. Mesmo assim, o 10 do Brasil ainda produziu algo no primeiro tempo, antes de desaparecer por completo no segundo.

Não sou daqueles que acha que há que se descartar tudo em um primeiro momento. Gostei do sistema mais ofensivo de Mano, mas achei que seus comandados não entenderam o recado para jogarem mais abertos. Contra a retrancada Venezuela, ou os atacantes estavam longe demais ou embolados pelo meio, facilitando, em ambas as situações, o trabalho dos marcadores. Acredito que o sistema precisa de tempo e treino para funcionar bem. Mas, os atletas que vestem a Amarelinha têm que perceber que esse é um luxo que eles não têm. Ou o Brasil melhora bastante para encarar o Paraguai no sábado ou vai passar a última rodada fazendo contas para se classificar da primeira fase da Copa América.