Expandindo todos os limites
Para muitos, jogar-se de um avião em movimento, a 6km de altura, é coisa de maluco. Imagina saltar junto com outros cem "loucos", em movimento coreografado, e formar uma figura em pleno ar, antes de acionar o paraquedas? É exatamente este o hobby de dois juiz-foranos que integraram a equipe de 130 membros do Brazilian Dream Team que, em abril passado, quebrou o recorde brasileiro de formação em queda livre, alinhando um desenho com 102 paraquedistas nos céus de Eloy, no Arizona (Estados Unidos).
Apesar da marca, o representante comercial Luiz Cláudio Santiago, 38 anos, e o empresário Frederico Amorim, 35 – ou Dim e Presuntinho, respectivamente, como são conhecidos -, não estão satisfeitos. A dupla já se prepara para voltar aos EUA em abril do ano que vem, quando o Brazilian Dream Team tentará estabelecer novo recorde, com 150 paraquedistas.
"Vamos iniciar os treinamentos oficiais em dezembro, em um nova área de saltos próximo a Campinas (SP)", explica Dim. O paraquedista estava no desenho que estabeleceu o novo recorde. "É preciso muita técnica. Todos fazem sua parte. É uma coreografia." Entre os 130 membros da equipe, Presuntinho ficou fora do desenho final. "Havia o objetivo de chegar a 130 paraquedistas. Mas, por conta da organização, não tivemos a oportunidade de tentar aumentar o recorde", lamenta.
A dupla acredita que o esporte no Brasil está entre os melhores do planeta. "O recorde mundial com 400 paraquedistas é realizado por uma seleção mundial, com atletas de vários países. Formações com cem paraquedistas de uma única nacionalidade só foram alcançadas por cinco países. Entre eles, o Brasil", explica Dim.
Com 1.100 saltos no currículo, Dim começou no esporte há 15 anos. "Fui acompanhando meu irmão e fiz o curso. Aí, já era", sorri. "Apesar da experiência, ainda sinto a adrenalina e um certo medo. Com um tempo nos acostumamos e aprendemos a dosar as coisas, mas acho que é exatamente essa emoção que nos faz continuar no esporte."
Há sete anos no paraquedismo, Presuntinho já realizou 460 saltos e é incapaz de descrever a sensação proporcionada pela formação em queda. "Não encontro palavras. Tocar seu companheiro a 200km/h e formar um desenho em queda livre é uma experiência única. Algo mágico."
Dificuldades
Com a aeronave de saltos do Aeroclube de Juiz de Fora em manutenção desde maio e ainda sem previsão de voltar a operar, Dim e Presuntinho – que são ligados aos clubes de paraquedismo locais Águias de Ouro e Asas de Ouro – unem forças para tentar realizar um evento de paraquedismo na cidade. "Está quase tudo certo para trazermos uma aeronave de Belo Horizonte no próximo final de semana para saltos no Serrinha", afirma Dim. Como em um movimento coreografado nas alturas, Presuntinho completa: "Será aberto a todos. Até para aqueles que queiram realizar o primeiro salto."
O presidente do Aeroclube de Juiz de Fora, Nei Frossard, promete apoio caso o evento seja confirmado. "Somos todos parceiros. Toda nossa estrutura estará disponível." Em outra luta, os locais buscam patrocinadores para auxiliar nos custos da viagem para o Arizona, onde esperam quebrar o recorde nacional de formação em queda.









