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Na orelha da bola – Agora, o futebol de verdade


Por Wendell Guiducci (editor)

04/07/2013 às 19h04

Encerrada a Copa das Confederações, recomeça agora o futebol de verdade, em toda a sua plenitude. Porque, vocês sabem, o futebol envolvendo seleções é legal, a Copa das Confederações foi muito legal, uma pá de jogos excelentes, como aquele Itália x Japão, ou o Brasil x Uruguai, até mesmo a disputa de terceiro lugar foi um jogaço de bola, e teve aquele baile na final, bola de altíssimo nível… Mas fica sempre faltando alguma coisa, aquela que não habita as quatro linhas. Falta avacalhação.

Sei que o Campeonato Brasileiro é avacalhado, assim como a Copa do Brasil e a Libertadores da América, avacalhada sin perder la ternura jamás, mas não é a essa avacalhação que me refiro. Falo da avacalhação do derrotado, da gozação do caído, da bravata de véspera… Diabos, eu não tenho amigos mexicanos – quisera tê-los! -, japoneses ou italianos, nem uruguaios e muito menos espanhóis. Foi duro torcer para o Brasil, vencer e não poder passar aquele SMS covarde depois do jogo, não provocar o colega de trabalho na segunda-feira vazia de graça. (Claro, tem sempre aqueles pela-sacos que torcem pela Itália, pela Argentina, mas o que a maioria desses quer é justamente chamar a atenção, e que graça tem zoar quem quer ser zoado?)

Mas isso acabou. O falso ocaso do futebol pleno chegou ao fim. A bola voltou a rolar nos gramados da apaixonante América do Sul e as provocações circulam novamente no ar, trilhando caminhos invisíveis e explodindo nas telas dos computadores, dos celulares, nos corredores das empresas, nas mesas dos botecos, nas portarias dos prédios, nos quartos de hospitais, nos velórios… e mais piadas estão sendo engatilhadas para o final de semana, e alvo é que não falta. Porque onde faltam mexicanos e espanhóis, sobram botafoguenses e atleticanos e são-paulinos e cruzeirenses e tricolores e vascaínos e corintianos…