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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

04/02/2014 às 07h00

Ele é sinistro!

Caros e caras, levei meu Arthur ao jogo entre Tupi e Minas no último sábado. Dia de futebol com direito a tudo: comprei camisa da torcida, levei o menino na cabine da Rádio Solar – onde ele soltou a voz nos microfones da 1010 AM -, ele entrou em campo com o capitão Felipe Lima, comeu pipoca e batata dos ambulantes, enfim, fez a festa, além de acompanhar, pela primeira vez consciente e entendendo um pouco, uma partida in loco – ele já havia estado no Mário Helênio antes, mas era muito pequenininho. Mas ia ficar faltando alguma coisa se não visse gol do maior artilheiro do Estádio Municipal.

Depois do 1 a 1 da primeira etapa, eis que, logo nos movimentos iniciais do segundo tempo, Ademilson dispara da área de aquecimento para ter um pé-do-ouvido-que-quase-niguém-entende-ou-faz-quando-entra-em-campo com o Gottardo, e o Arthur alerta: olha o Ademilson papai! Vi e gostei. O centroavante carijó não decepcionou, precisou de apenas dez minutos em campo para balançar a rede – sinceramente, não sei como alguém que tem 1,75m com a chuteira de travas mais altas que existe no cimento consegue fazer tanto gol de cabeça – e menos de 15 para guardar o segundo.

Fiquei especialmente feliz com o segundo gol, porque, no calor do jogo, o Arthur se distrai várias vezes, natural para seus agitados 4 anos. Mas, na hora do pênalti, todo o estádio para e meu pequeno também ficou de antenas ligadas na cobrança do Adê. Bola na rede, explosão de alegria, Arthur é atirado aos ares pelo resto de minhas forças e desce gritando: Ah! É A-de-mil-son!, a exemplo de todo o Mário Helênio. Pensei comigo: só um ídolo de verdade é capaz desse tipo de empatia espontânea. O cara realmente é sinistro!