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Pelas vias e veias de Juiz de Fora


Por WALLACE MATTOS

04/01/2015 às 07h00

Pista de atletismo da UFJF deve ser o aparelho mais utilizado

Pista de atletismo da UFJF deve ser o aparelho mais utilizado

Parque do Museu Mariano Procópio, indicado para

Parque do Museu Mariano Procópio, indicado para “easy run”

Com a escolha de Juiz de Fora para abrigar os treinos de adaptação das delegações de atletismo do Canadá e da China antes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, que acontecem no Rio de Janeiro, a atenção se voltou principalmente para a pista do Complexo Esportivo da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da UFJF. Mas os atletas, principalmente corredores de longas distâncias, não ficarão restritos ao aparelho esportivo do Campus. Pelo contrário, pode-se dizer que praticamente todo o mapa viário da instituição de ensino superior, juntamente com locais como a Via São Pedro e as estradas de chão próximas à BR-040 vão virar locais de treinamento para atletas estrangeiros.

Para mapear, preparar e apresentar variados percursos a canadenses e chineses, a UFJF contou com a ajuda de um dos mais experientes corredores juiz-foranos, Toninho Buda, 65 anos, mais de 30 deles correndo diariamente. Com a experiência de quem já está chegando a 94.000km percorridos – ele brinca que vai para a terceira volta ao mundo, que tem cerca de 42.000km na Linha do Equador -, o engenheiro civil especializado em segurança do trabalho, professor de educação física e mestre em psicologia do esporte, cujo nome de batismo é Antônio Walter Sena Júnior, desenvolveu trajetos e oportunidades de treinamentos não só para os profissionais estrangeiros, mas também para corredores amadores, cujo número aumenta a cada dia em Juiz de Fora.

“Elaborei os percursos baseado na planilha geral de treinamento para maratona e evidentemente baseado na minha própria experiência como maratonista e nos trabalhos de especialização, graduação e mestrado na Faefid. Há alguns anos, venho levantando locais e colecionando outros em meus treinos. Dessa maneira, fiz alguns roteiros que atendessem às necessidades dos atletas”, explica Toninho Buda.

Variados

Nos percursos propostos por Buda, estão as principais necessidades dos corredores de fundo. Para o treino de velocidade, há a pista de atletismo da UFJF. As inúmeras ladeiras do Campus também serão úteis para os corredores canadenses e chineses, associadas também à estrutura da Faefid. “As rampas da UFJF variam de inclinação desde 6% até 18%, equivalente à inclinação da Garganta do Dilermando, por exemplo. Mas como complemento para treinamento de força existe também a sala de musculação do complexo”, lembra o professor.

Para os treinamentos de variação de velocidade e intensidade, outro trabalho importante para os atletas de longas distâncias, Buda elencou três opções. “Os americanos chamam esses trabalhos de fartlek, easy run, ‘as you feel’ ou ‘tempo run’, com duração de 20 a 30 minutos. Eu sugeri a pista de 1km em torno da Faculdade de Engenharia, mas também coloquei como possibilidade o Museu Mariano Procópio e vários circuitos na Cidade Alta, próximos à Via São Pedro.”

Vacas e cavalos, sim; ursos não

Por conta do pouco movimento, a BR-440 deve frequentemente receber os atletas canadenses e chineses. Aproveitando a proximidade da UFJF, Buda apresentou o local e teve respostas positivas. “Para os treinamentos de média distância, entre 15km e 25km, em ritmo constante, os estrangeiros adoraram a pista que chamamos de Via São Pedro, principalmente no trecho depois do German Village, que deverá ser isolada para as sessões de treino, e cujo anel principal tem cerca de 3.050m de pista plana e sem perturbações. Ali poderão treinar também os paralímpicos”, projeta.

Já para os trabalhos mais longos, entre 25km e 35km ou mais, nos quais os corredores precisam aliviar o impacto nas articulações e para os treinos de adaptação a terrenos diferentes, no caso dos corredores de cross country, por exemplo, o especialista juiz-forano escalou as diversas estradas de chão próximas à BR-040. “Ambas as delegações adoraram as pistas de estrada de chão que ficam na região do restaurante Tradição Mineira, onde fizeram questão de que atletas veteranos corressem junto comigo, para testar o tipo de piso das estradas. Ficaram fotografando vacas e cavalos, mas ficaram um pouco espantados com os cães. Perguntaram se não tínhamos animais ferozes que pudessem atacar os atletas. Eu os tranquilizei e disse que aqui não tínhamos os pumas e ursos que existem no Canadá, por exemplo.”