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Ciclistas pedalam de Matias Barbosa até o Santuário Nacional de Aparecida

Adeptos do cicloturismo cruzaram mais de 340 quilômetros entre as duas cidades, inaugurando caminho oficial


Por Iuri Fontana, estagiário sob supervisão da editora Juliana Netto

03/11/2020 às 22h11- Atualizada 03/11/2020 às 22h27

interna matias by arquivo pessoal
Grupo partiu de Matias Barbosa no sábado (Foto: Arquivo Pessoal)

Um grupo de 16 ciclistas completou, durante o feriadão, um duro caminho até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no estado de São Paulo. Com saída em Matias Barbosa, os aventureiros cruzaram 342 quilômetros de percurso misto (estrada pavimentada e não pavimentada), com passagem por cerca de 20 cidades. O longo pedal passou pelo trajeto denominado Caminho da Padroeira, oficializado pelo Santuário em setembro. A iniciativa da rota e organização da romaria partiu do ciclista Ricardo Sartine Fernandes de Oliveira, um dos componentes do grupo que partiu no último sábado (31) em direção a Aparecida.

“A romaria começou a ser organizada em março de 2020 e, ao longo do ano, foram feitos todos os preparativos para uma jornada de três dias. Foram realizados muitos treinos e longões para condicionar o corpo. Ao todo foram 16 ciclistas com idades variáveis, o mais novo com 18 anos e o mais velho com 57, além das duas primeiras mulheres de Matias Barbosa a completar a romaria. Tivemos um carro de apoio. O retorno de todos foi na última segunda-feira através de uma van com carretinha para mountain bike para 21 bicicletas”, relata o organizador.

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“O cansaço deu lugar à contemplação”, relembra Ricardo Sartine sobre chegada à basílica (Foto: Arquivo Pessoal)

No primeiro dia de romaria foram percorridos aproximadamente 148 quilômetros de Matias Barbosa até Santa Rita do Jacutinga (MG). A peregrinação precisou passar por uma rota alternativa margeando o Rio Paraibuna e o Rio Preto. No trajeto os ciclistas enfrentaram chuva fina e muita lama. No segundo dia o grupo partiu de Santa Rita do Jacutinga (MG) e pernoitou em Queluz (SP), percorrendo aproximadamente 120 quilômetros. Já no terceiro e último dia, os mineiros foram de Queluz até Aparecida cruzando 66 quilômetros pela Via Dutra. “Quanto mais pedalamos mais energia sentimos para chegar em Aparecida e encerrar nossa peregrinação sobre duas rodas. Quando adentramos os portões da Basílica, o cansaço deu lugar à contemplação”, relembra Ricardo, complementando que o adicional de 12 quilômetros no trajeto original, de 330 quilômetros, foi uma opção para rodagem em um trecho de altimétrica mais baixa, o que sacrifica menos os ciclistas.

 

Preparação

Adepto do cicloturismo, que consiste em viajar utilizando como meio de transporte uma bicicleta, e integrante do grupo matiense da modalidade Pedal Real, Ricardo e os colegas percorrem longas distâncias sobre duas rodas em todos os fins de semana de preparação, com trajetos que variavam entre 90 e 120 quilômetros. A prática, segundo ele, exige muito preparo. “A pessoa que, por exemplo, comprou uma bicicleta no mês passado e já pensa em fazer o Caminho da Padroeira precisa ter um treinamento rigoroso, uma alimentação balanceada e foco. Caso contrário, ela não vai. Em situações de pedalar continuamente 148 quilômetros você começa a entender os limites do seu corpo.”

Primeiro caminho oficial com origem na Zona da Mata

No ano passado ele e outros três amigos já haviam realizado o trajeto em romaria e, a partir dali, surgiu o interesse em tentar oficializar a rota junto ao Santuário. “Eu fiz uma pesquisa sobre os caminhos em direção à Basílica e descobri que não existia nenhum oficial partindo da Zona da Mata. Então escrevi um projeto e nele eu solicitava uma autorização de estar identificando esse caminho como um dos possíveis de se fazer até o Santuário. Fizemos primeiro uma reunião virtual. Em setembro, eles me convidaram para apresentar o projeto novamente. Eles então autorizaram e eu o denominei como Caminho da Padroeira.”

O projeto ainda conta com um passaporte que pode ser obtido pelo peregrino. O documento pode ser carimbado em cinco pontos ao longo do caminho, mais a sede em Matias Barbosa. Ao fim da peregrinação, o documento deve ser apresentado no Centro de Informações Turísticas e Religiosas do Santuário para o recebimento do certificado de conclusão. Para isso, o peregrino deve ter percorrido no mínimo 169 quilômetros ou obtido três carimbos ao longo do caminho.

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Grupo percorreu longas distâncias sobre duas rodas em todos os fins de semana de preparação, com trajetos que variavam entre 90 e 120 quilômetros (Foto: Arquivo Pessoal)

Melhorias

A sinalização provisória do trajeto está sendo instalada com identificação visual, além de setas laranjas, localizadas em postes, moirões e árvores, que apontam para a direção do destino final. As placas definitivas têm previsão de serem instaladas em 2021. A rota conta ainda com pontos de apoio ao peregrino a cada 30 ou 40 quilômetros. Conforme o organizador, outras informações serão disponibilizadas em breve no portal oficial do Santuário, no www.a12.com.

Os interessados em adquirir o passaporte do Caminho da Padroeira podem fazer contato com a organização por meio do e-mail [email protected] ou Whatsapp (32) 98830-2120.