História em uma foto

Toledinho disputa bola com Pelé em um jogo-treino preparatório para a Copa de Mundo de 1966
Um dos maiores nomes da história do futebol de Juiz de Fora vai ser homenageado em um dos mais antigos bares da cidade. A partir de amanhã, a foto histórica na qual o ex-jogador do Tupi, Moacir Toledo, o Toledinho, disputa a bola com ninguém menos que o Rei do Futebol, Pelé, estará exposta no mezanino do bar Procopão (Rua Mariano Procópio 1115).
A fotografia estará acompanhada de um breve histórico da partida na qual o Carijó empatou com a Seleção Brasileira, que estava em preparação para a Copa do Mundo de 1966, em Caxambu, no Sul de Minas. O jogo aconteceu em abril daquele ano, e o Tupi atuou com Valdir; Manoel, Murilo, Dário, Walter, Mauro, França, João Pires, Toledo, Vicente e Eurico, comandados por Geraldo Magela Tavares. Já o Brasil tinha Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Denilson, Lima, Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho, sob a batuta de Vicente Feola.
O jogo ainda está bem vivo na memória do ex-craque local, que completou 78 anos na última sexta-feira. "A gente fazia parte daquele time que tinha, há pouco tempo, vencido o torneio dos grandes de Belo Horizonte e ganhado o apelido de ‘Fantasma do Mineirão’. Então, o Feola nos convidou para jogar com a Seleção Brasileira. Imagina, quando nós chegamos lá, de ônibus, o Atlético-MG tinha ido embora de avião, levando sete gols na bagagem. Imaginávamos que seríamos goleados. Mas, entramos em campo e fomos para o jogo. E não é que o João Pires fez 1 a 0 logo no começo. Aí, como é que o Brasil empataria? Terminaram os 45 minutos previstos e não haveria mais jogo. Mas, o Feola mandou voltar para jogar mais. Tanto é que foi o reserva do Pelé, o Servílio, quem igualou o marcador", relembra Toledo.
Trazida pelo Rei
Terminada a partida, começa a história da foto propriamente dita, sem dúvida, a mais emblemática da carreira do grande ídolo da torcida do Tupi. "Voltamos para o hotel, nos trocamos e estávamos no saguão quando fomos surpreendidos. O próprio Pelé, com a foto em mãos, me procurou dizendo: ‘cadê aquele loirinho sardento que jogou no meio de campo hoje?’ Me apresentei e ele disse: ‘olha, o fotógrafo ali tirou essa foto e me deu, mas acho que deveria ficar com você’. Então me presenteou com a fotografia, que acabou até hoje marcado minha vida e rodando o mundo", conta Toledinho.
Responsável pela pesquisa sobre a partida, o filho de Moacir, Paulo Henrique Toledo, viveu uma grande emoção. "Levantar as informações para essa homenagem através da foto foi muito bacana. Me entusiasmei e me emocionei muito. Tínhamos a foto, mas mesmo a gente desconhecia sua história. Agora, vai ficar eternizada para quem quiser ver."
Para o proprietário do bar, que coleciona fotos antigas e históricas de Juiz de Fora e fez do estabelecimento uma espécie de galeria retratando a cidade em diversas épocas, além de personalidades locais, a intenção é de render homenagem a quem fez história pelo Tupi. "É importante a gente homenagear em vida quem fez parte da história daqui. Fui testemunha ocular do quanto o Toledo jogava. Mesmo já com mais de 40 anos, ele ficava no banco do Tupi e, quando entrava, acabava com o jogo. Se fosse jogador hoje, certamente estaria em um grande clube de fora. Nada mais justo que, com a aproximação dos 100 anos do Tupi e 80 do Toledo, rendermos essa homenagem", diz Sérgio Alves.









