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Rumo à série C


Por RENATO SALLES

02/10/2011 às 07h00

Estendendo sobre nós a resignação dos justos (…), rogamos que, pela força do nosso clamor, sejamos amparados pelo teu obsequioso auxílio. No dia de Santa Terezinha, cada torcedor deve ter repetido, à sua maneira, estes trechos da oração da padroeira do Tupi. Palavras de ordem tomavam conta do Municipal antes do embate contra o Volta Redonda, ontem à tarde, no Municipal. Vai para cima deles, Galo! O Carijó precisava vencer por dois gols de diferença para avançar às quartas de final da Série D. As preces foram atendidas, graças à dedicação dos jogadores, o ímpeto ofensivo da equipe e os gols de Chrys, Wesley Ladeira, Allan e Henrique: 4 a 2 e classificação garantida.

O apito inicial foi o sinal para o Tupi seguir seu destino no confronto: atacar. Nos cinco primeiros minutos, três chances claras de gol. Allan finalizou após belo passe de calcanhar de Luciano Ratinho. Vitinho cabeceou à queima-roupa, após cruzamento de Felipe Cordeiro. Ratinho driblou para lá, para cá, e arrematou dentro da área. Por três vezes, o goleiro Mauro apareceu bem para salvar o Voltaço.

O Carijó parecia cumprir uma penitência pela derrota por 1 a 0 na partida de ida e atacava resignado. Aos 24 minutos, Felipe Cordeiro cruzou da direita, Chrys se atirou e cabeceou para fora. Na sequência, a dupla brilhou novamente. O lateral-direito tabelou com o atacante, que bateu cruzado e viu Mauro fazer bela defesa.

Aos 28, a redenção veio dos céus. Augusto cobrou escanteio da esquerda, Wesley Ladeira desviou na primeira trave e Chrys, de carrinho, colocou a bola no canto direito, abrindo o placar.

O Tupi dominava o jogo. Apático, o Voltaço ainda não havia feito uma boa jogada de ataque sequer quando o técnico Dario Lourenço fez sua primeira substituição. Saiu o meia Donizete. Entrou Jhonnathann. Se o atacante não economiza letras nem no nome, lançou mão de mais três em sua primeira jogada. Gol. Também de carrinho, após cruzamento de Tiago Costa da direita, aos 30. Fim de primeiro tempo. Preces silenciosas no Municipal.

Do inferno ao céu em 45 minutos

O segundo tempo começou com novo susto. Aos 5, Tiago Costa arrancou sozinho e dividiu com a zaga carijó. O rebote sobrou para Vinícius, dentro da área, tocar para Jhonnathann marcar de novo e virar para os visitantes.

Os jogadores do Tupi partiram em nova peregrinação rumo ao gol adversário. Aos 12, Henrique cobrou escanteio da direita. A bola bateu, rebateu e sobrou para Wesley Ladeira. O zagueiro acertou belo voleio. À la Bebeto. Tudo igual no Municipal. Vamos virar, Galo!

O técnico carijó Ricardo Drubscky sacou o volante Denílson e colocou o meia Michel. A ousadia seria recompensada, aos 20. Henrique cruzou da direita. Mais uma vez, a bola bateu em todo mundo antes de se deleitar nos pés de Allan. Em sua reestreia no Municipal, o atacante acertou o ângulo e recolocou o Carijó na frente.

Devoção traduzida em uma súplica da torcida: mais um, mais um. O pedido foi atendido. Ratinho cobrou falta da esquerda. A bola pingou na área, foi desviada, bateu na trave. Parecia que quem manipulava os destinos da partida procurava um pé alvinegro. E ele apareceu. Henrique bateu cruzado, sem chances para Mauro: 4 a 2 para o Tupi. Em cada rosto, a satisfação de quem tem um pedido atendido. O tempo seguiu como um filme de Chaplin. Acelerado e divertido. Tudo era festa para os torcedores, que iriam dormir tranquilos, classificados e a dois jogos da Série C. Com as bênçãos de Santa Terezinha e do torcedor. Vamos subir, Galo!