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Nada no balaio


Por RICARDO MIRANDA

02/07/2011 às 07h00

OH LÍNGUA!

Contrariar a tradicional discrição mineira não podia dar em outra coisa. Há uma semana, apontei uns quatro meio-campistas como decepções deste início do Campeonato Brasileiro. Veio a rodada seguinte e pronto: eles arrebentaram. Dos quatro, três marcaram gols com belas atuações. Ficasse calado, não estaria aqui dando a mão à palmatória. Mas, da mesma forma, o quarteto também poderia continuar jogando mal. Em ambos os casos, a exclamação seria a mesma: oh língua!

São os ócios do ofício. Imaginem se há uns 15 dias, ao ler a mão de um corintiano, uma cigana previsse a vitória do seu time por 5 a 0 sobre o São Paulo. No mínimo, caso tivesse pago a consulta, esse torcedor pediria o dinheiro de volta. Da mesma forma, nem o Geraldo Muanis poderia imaginar que o Atlético-MG levaria uma surra do Internacional em Sete Lagoas na quinta-feira.

Aliás, são por essas e outras, como a saída inexplicável do Cruzeiro da Libertadores, que o futebol é o que é. A bem da verdade, coisas inacreditáveis envolvendo o futebol, dentro e fora dos gramados, já não são mais tão inacreditáveis assim. Talvez seja isso o único conforto em relação à Copa de 2014. Mas também acontece de o imponderável ser previsto. O Elkeson, do Botafogo, chegou a insinuar que arriscou o chute do primeiro gol apostando no frango do Rogério Ceni. Vai entender!?

Parece até aquela história do jornalista que, não conseguindo falar com nenhum instituto de meteorologia, resolveu por conta e risco anunciar um chuvão danado para o dia seguinte, um domingo. Veio o amanhecer, e o céu não poderia estar mais azul. Assis Chateaubriand, dono do jornal, saiu à caça do autor da gafe e o demitiu ainda antes das 10h. Ali pelas 15h, no entanto, o dia virou noite e, pouco tempo depois, choveu como se Noé estivesse pronto para zarpar mais uma vez. Antes das 19h, o jornalista estava readmitido e promovido, não para o caderno de esportes, é claro.