Ouça agora

Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

01/11/2011 às 08h00

Meninos, eu vi… e subi!

Caros e caras, finalmente o Tupi conseguiu um acesso nacional! E eu estava lá, em Anápolis, no coração do Brasil, acompanhando os passos dos carijós rumo à Série C do Brasileiro. Deixei as partes mais importante do meu coração – meu filho Arthur e sua mãe – em Juiz de Fora e parti para o Centro-Oeste, impulsionado pela vontade jornalística de presenciar esse dia histórico e obrigado pelo que sobrou da máquina aqui no peito que vibra a cada vitória do Alvinegro de Santa Terezinha.

Não sei ao certo o que aconteceu de verdade. Talvez, só consiga perceber o quanto é importante essa conquista de vaga na Terceirona ao longo do tempo, com o distanciamento necessário das emoções do momento. Hoje, só posso mesmo é contar o que vi em um jogo memorável, com todos os ingredientes típicos das já famosas sagas carijós.

Vi um time consciente entrar em campo sabendo que o adversário viria para cima, e nem por isso se desesperar. Vi um comandante, ciente das principais armas do oponente, armar seus comandados com um sistema defensivo sólido para minimizar os sustos. Vi os zagueiros Silvio, Adalberto e Wesley Ladeira – esse último só faz evoluir -, sempre protegidos pelos ferozes Assis e Marcel, formarem um paredão intransponível, que só levou o primeiro gol em um lance de bate-rebate.

Vi um meio de campo com a magia de Luciano Ratinho, para quem o futebol não só parece simples, mas realmente é. Vi também um jovem e talentoso Vitinho, formando um forte lado esquerdo com o lateral Augusto, peça fundamental nas saídas de bola e no expediente de segurá-la.

Vi um esforçado e abnegado Allan. Jogando no ataque, voltava para acompanhar adversários como um lateral, fechava avanços pelo meio de campo e ainda tinha fôlego para chegar à frente, puxando contra-ataques ao seu melhor estilo.

E vi Ademilson. O que dizer de um jogador que participou de todos os lances dos seis gols do Tupi nesse confronto com a Anapolina? Se já era ídolo do torcedor de Juiz de Fora, após o acesso o centroavante foi alçado à condição de mito, transcendeu. Traduziu com sua luta e persistência toda a batalha do clube para alcançar o tão sonhado acesso.

Para quem acompanhou na torcida a decepção em 1997, cobriu profissionalmente as chances de 2003 e 2009, atravessadas por arbitragens duvidosas, a subida para a Terceirona foi mais do que alcançar o C de centenário. Para mim, foi C de catarse!