Em duas semanas, Procon/JF registra 159 denúncias de preços abusivos
Reclamações referem-se a valores do álcool em gel, luvas, máscaras e até alimentos
Com a rotina alterada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os cidadãos juiz-foranos também mudaram o foco de reclamações registradas no Procon/JF. Do último dia 17 até esta terça-feira (31), o órgão registrou 159 denúncias de aumento abusivo em preços de produtos. De acordo com o superintendente da agência, Eduardo Schröder, mais da metade das reclamações foram fiscalizadas, e diversos estabelecimentos, notificados para apresentação das notas fiscais dos produtos para análise.
O quantitativo de denúncias de supostos aumentos abusivos representa 63% de todas as queixas registradas durante as duas semanas analisadas. Até esta terça-feira, 116 ocorrências já foram acolhidas e apuradas, e, na maior parte delas, os fornecedores terão que apresentar os documentos das compras em até dez dias, conforme o Procon. Em caso de descumprimento da normativa, os estabelecimentos podem ser multados. “O Procon não está funcionando de maneira presencial, mas recebe denúncias por telefone, principalmente com relação ao aumento de preços abusivos em álcool em gel, luvas, máscaras e até alimentos com preços altos”, afirmou Schröder em entrevista à Rádio CBN de Juiz de Fora.
Os consumidores que notarem aumentos injustificados, de acordo com o Procon, devem guardar a nota dos produtos para que seja possível comprovar o valor da aquisição. A análise da agência se dá a partir da comparação dos preços de compra e venda dos itens, possibilitando comprovar o possível abuso em função da alta demanda por insumos, principalmente os relacionados ao enfrentamento da Covid-19.
Manifestação contra os preços dos combustíveis
Além dos novos problemas gerados pelo cenário de exceção imposto pela pandemia de coronavírus, velhas reclamações seguem chegando ao Procon. Nos últimos dias, motoristas de aplicativos reclamaram dos preços de combustíveis em Juiz de Fora, inclusive com ato em função do tema nessa segunda-feira. As reivindicações se dão, sobretudo, pelo fato de a queda do preço da gasolina nas refinarias não chegar aos postos de combustíveis.
O Procon/JF não fica alheio à situação, e diversos consumidores registraram reclamações sobre o tema na agência juiz-forana. Eduardo Schröder destacou que o órgão não participa de manifestações, mas atua na fiscalização dos valores praticados nos postos da cidade. “Nós estamos fazendo um levantamento no sentido de verificar o que está acontecendo no mercado, porque é anunciado pelas revendedoras que os preços são repassados mais barato, mas não chegam até os postos. Mas, com o isolamento, o estoque dos postos demora a acabar, e, por isso, os preços demoram a descer”, alerta.
Apesar de ser um problema recorrentemente reclamado pelos consumidores, a diferença entre os valores das refinarias e os dos postos, no momento atual, ganha outra conotação, segundo o superintendente. Com a queda na demanda, os proprietários dos postos podem aumentar a margem de lucro para conseguir manter os estabelecimentos abertos, conforme análise de Schröder, e cada caso deve ser investigado com cuidado. “A margem está aumentando porque o consumo diminuiu e os gastos são os mesmos, ou porque o dono do posto está se beneficiando da situação? A pessoa que contrata o combustível vai ter que pagar aluguel e vai ter que pagar funcionário”, pondera o superintendente, ainda alertando. “É hora de muita razoabilidade, não é hora de manifestação, porque não vai levar a nada, só a aglomeração.”
Atendimentos
Os atendimentos na agência juiz-forana ocorrem pelos telefones 3690-7610 e 3690-7611, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30. A plataforma consumidor.gov.br também é disponibilizada para reclamações.









