Juiz-forano lota lotéricas, sonhando ser milionário

Caixa proíbe a prática de bolões
Apostadores juiz-foranos estão lotando as casas lotéricas em busca do sonho de se tornarem milionários. Na última quarta-feira, a Caixa informou que o volume das apostas da Mega da Virada totalizou R$ 250 milhões, com mais de 37 mil bilhetes vendidos. O banco não informa o total de apostas provenientes de Juiz de Fora, mas as lotéricas estão registrando movimento cerca de cinco vezes maior. Por conta da procura, as filas são frequentes, em um período em que normalmente o movimento é fraco, já que o pagamento de contas concentra-se na primeira quinzena de cada mês. O fato de um sortudo da cidade ter ganhado R$ 7 milhões na última semana com uma aposta simples, de R$ 2, animou ainda mais os juiz-foranos.
Na comparação com as vendas de 2010, a Mega da Virada arrecadou até agora 30,5% a mais que o ano passado. A quantidade de bilhetes vendidos também aumentou, registrando um crescimento de 31% nem relação ao mesmo período. As apostas podem ser feitas até às 14h de amanhã em todas as lotéricas. A aposta simples custa R$ 2 e pode ser feita nos volantes especiais da Mega da Virada e também nos volantes comuns da Mega-Sena.
Nos estabelecimentos, apostadores fazem planos enquanto escolhem cuidadosamente os números. A aposentada Aparecida Lima Gabriel joga as mesmas dezenas há pelo menos dez anos. "É uma mistura de datas de aniversário de filhos e acontecimentos importantes da família. Não troco, pois se um dia eles saírem, vou ficar muito arrependida. Mas também preencho os bilhetes com números aleatórios." Já a professora Núbia Lucas não tem o costume de apostar, mas sempre vai à loteria quando o prêmio é mais vultoso. "Não sei bem o que faria com o dinheiro, mas não vou querer trabalhar mais. Só viver de rendimento e passear."
O auxiliar de lavanderia Geraldo Antônio de Oliveira diz que irá voltar para sua cidade natal, no interior de Minas, caso leve a bolada. "Não vou dizer o nome, pois, se eu levar o prêmio e voltar, as pessoas vão saber que eu fui o ganhador." A aposentada Maria Izabel Marques espera ajudar todas as pessoas que gosta caso acerte as seis dezenas. Já a também aposentada Alianar Carvalho tem receio de levar o prêmio. "Não sei o que vou fazer. Acho que vai dar tanta confusão que tenho até medo. As pessoas vão ficar muito folgadas e não vão querer trabalhar", disse. Mesmo assim, levava dois bilhetes na mão com os números já preenchidos. Nos planos de Ruth Fonseca, a família está em primeiro lugar. "Esse ano passamos muita dificuldade, com parente com dívida muito alta."
Caixa não reconhece bolões
Mesmo proibido pela Caixa, a Tribuna flagrou venda de bolões em todos os cinco estabelecimentos visitados na tarde de ontem. Entre as modalidades, havia bilhetes de cinco apostas por R$ 3 (quando sairiam a R$ 10 caso feitos isoladamente), seis apostas pelo mesmo valor, apostas de nove dezenas por R$ 21, com rateio para dez apostadores, entre outras.
Segundo a Caixa, os bolhões não são reconhecidos. "O único comprovante reconhecido pela Caixa para fins de recebimento de prêmios é aquele original emitido pelo terminal financeiro lotérico, no ato da aposta. É a garantia do apostador." Porém, há um estudo do banco que discute a possibilidade de oficializar a prática, mas não tem prazo para conclusão. Enquanto a regra não mudar, lotéricas estão sujeitas a descredenciamento caso.
Ainda de acordo com a Caixa, a unidade lotérica pode receber multas ou pontos. O acúmulo de pontos pode levar à perda da permissão. Porém, a fiscalização é falha. O órgão conta com menos de 300 consultores para fiscalizar cerca de 11 mil casas credenciadas no país. Em Juiz de Fora são 35 lotéricas. Em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, o bolão virou caso de polícia no ano passado. Os apostadores dizem que ganharam a Mega-Sena, mas não receberam o prêmio porque o bilhete não foi registrado pela loteria.









