6.856 novos negócios em dez anos


Por Gracielle Nocelli

30/05/2013 às 06h00

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Juiz de Fora abriu 6.856 novos negócios, entre estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços, nos últimos dez anos, conforme registro cadastral da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) da Prefeitura. Deste total, quase 70% foram instalados fora da região central (4.718), o que consolida o processo de pulverização dos empreendimentos ao redor da cidade. De 2004 a 2013, a Região Oeste, que compreende bairros como São Pedro, Borboleta, Aeroporto e a área em torno da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), foi a que mais cresceu. O número de estabelecimentos mais do que dobrou no período, saltando de 532 para 1.129, o que representa aumento de 112%. Em seguida, estão as regiões Sul, Norte, Nordeste, Sudeste e Leste, respectivamente (ver arte). No total, a cidade tem hoje 24.766 estabelecimentos, 34% a mais que os 17.910 registrado pela SAU em 2004.

O processo de descentralização dos negócios em Juiz de Fora é visto com bons olhos pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Geração de Emprego e Renda, André Zuchi. "É um reflexo do crescimento da cidade. Esta pulverização é uma tendência em municípios de porte médio e grande", analisa. Para ele, a criação de outros polos comerciais contribui para a dinamização da economia. "As empresas que se instalam em bairros agregam valor àquelas regiões, pois geram oportunidades de emprego, atraem novos públicos consumidores e, também, motivam o empreendedorismo e a instalação de novos negócios."

No caso da Região Oeste, Zuchi explica que a expansão foi motivada pelo crescimento da ocupação residencial. "É uma área que atraiu muitos condomínios. Diante desta demanda, naturalmente, surgiram os novos negócios." Dados da SAU mostram que, entre 2004 e 2013, o número de residências aumentou quase que na mesma proporção dos estabelecimentos comerciais (108%), passando de 5.312 para 11.074. Zuchi também destaca a presença da UFJF e dos hospitais da região como equipamentos indutores do crescimento comercial da região.

Para o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, os bairros reservam vantagens para os empresários. "Os preços de aluguéis são mais competitivos, há menos congestionamento, e o cliente consegue estacionar próximo à loja. Além disso, há negócios que demandam espaços maiores que dificilmente você encontra no Centro." Como principal vantagem ao consumidor, ele destaca o conforto para realizar tarefas cotidianas. "O morador não precisa mais se deslocar, pois encontra no próprio bairro uma gama de serviços que, antes, só existia no Centro."

 

 

Movimento propicia segmentação

A pulverização do eixo comercial juiz-forano tem propiciado o fenômeno de segmentação comercial, segundo avaliação do presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti. A região Sul, por exemplo, concentra grande parte de negócios do setor moveleiro. Englobando bairros como Cascatinha, Teixeiras e Santa Luzia, a área foi a segunda com maior percentual de novos estabelecimentos entre 2004 e 2013, passando de 1.074 para 2.056, conforme dados da SAU.

A Região Norte aparece em terceiro lugar, com crescimento de 69,5%. O número de negócios aumentou de 2.153 para 3.650 no mesmo período. Dentre os principais tipos de empreendimentos localizados na região estão distribuidoras, atacadistas e indústrias. "O setor industrial está presente em várias áreas da cidade, mas o Distrito Industrial abriga hoje as empresas de grande porte", afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) da Zona da Mata, Francisco Campolina. Outras áreas de concentração de setores específicos citadas pelos empresários são a Avenida Brasil, com estabelecimentos do segmento elétrico e de veículos, o Bairro São Pedro, com negócios de gastronomia e material de construção, a Rua Santa Rita e Marechal Deodoro, ambas no Centro, com presença de restaurantes e lojas de calçado, respectivamente.

Sobre a abertura de novos negócios, Campolina alerta que é preciso avaliar a contribuição econômica dos estabelecimentos. "No período de dez anos é esperado um número maior. Precisamos entender qual é o tipo de negócio que estamos atraindo, o número de empregos que é gerado e quanto é recolhido em imposto", declara. "Sabemos que nos últimos anos passamos de terceira para a sétima economia de Minas. Não podemos acomodar com números, temos que trabalhar na política de atração de grandes investimentos para Juiz de Fora."