Exportações em março caem quase 70%

A desvalorização do dólar frente ao real está refletindo na produção juiz-forana voltada ao mercado externo. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/MDIC), divulgados na última semana, o volume de exportações de Juiz de Fora em março caiu 69,87% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram 7,77 milhões de dólares em FOB ("free on board"), contra 15,68 milhões no ano passado. No trimestre, o impacto do dólar baixo também influenciou as exportações locais. Houve uma queda de 58,59% de janeiro a março, ante o mesmo período de 2010, passando de 35,5 milhões de dólares FOB, ante 20,34 milhões de dólares este ano (ver quadro).
A queda da moeda norte-americana, contudo, não influenciou de forma expressiva o volume de importações. Em março, houve uma baixa de 0,17% nas importações e de 16% no trimestre, na comparação com os mesmos períodos do último ano. Já o saldo da balança comercial de Juiz de Fora apresentou, no mês de março, um déficit de 63,50 milhões de dólares, contra um déficit de 39,65 milhões em fevereiro. Em março do ano passado, foi registrado déficit de 30,41 milhões de dólares.
Em relação às exportações, a redução mais expressiva está relacionada ao fim da produção do veículo CLC na planta Mercedes-Benz, em Juiz de Fora. Porém, produtos de ferro e aço tiveram uma redução de quase 80% nas exportações no ano, passando de 5,67 milhões de dólares para 1,16 milhões este ano. O professor de comércio exterior das Faculdades Integradas Vianna Junior, Carlos Henrique Paixão, explica que o grande impacto na balança comercial juiz-forana é provocado sobretudo pela Mercedes, que recebe peças para o sistema de montagem drawback e depois exporta (com suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado). Outro problema, segundo ele, é o impacto da desvalorização do dólar. "Especialistas estimam que o valor ideal para favorecer as exportações seria entre R$ 2,10 e R$ 2,40, valor que estamos longe de atingir." Ainda de acordo com Paixão, o mercado interno não tem condições de absorver todo o volume que iria para o exterior. "A perda no mercado internacional e a diminuição do preço das commodities têm feito com que o déficit na balança comercial atinja níveis preocupantes."
A analista de negócios internacionais da Fiemg Regional Zona da Mata, Maria Fernanda Quirino, também aponta que a área metalúrgica foi a que mais impactou na redução das exportações juiz-foranas. Para ela, a queda na produção da Mercedes influenciou na mudança do principal destino dos produtos locais, que passou a ser os Estados Unidos, em vez da Alemanha, como acontecia até então. A exportação de produtos destinados aos norte-americanos teve um crescimento de 62,42% no trimestre, enquanto para a Alemanha houve queda de 84,61%.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Juiz de Fora, José Tadeu Filgueiras, destaca que o dólar é o fator que mais tem influenciado na queda das exportações do setor. "As indústrias que já têm contratos assinados estão deixando de ganhar o que foi proposto. Já as que não exportam estão completamente desestimuladas diante do atual cenário. Há ainda insegurança por parte do empresário quanto ao Governo que se inicia, além do peso da inflação." Filgueiras observa que a demanda externa é grande e que muitas usinas estão sem capacidade de produzir para atender aos pedidos, mas destaca entraves também em relação à alta da energia elétrica e dos combustíveis.
Apesar de responder por um impacto menor nos números locais, as pequenas e médias indústrias também foram afetadas pela desvalorização do real frente ao dólar. Segundo o gerente financeiro da empresa especializada em moda fitness Rosa Shock, Leonardo Franco, diante das dificuldades decorrentes da valorização do real, a saída foi adotar alternativas no mercado interno, como a inauguração de mais duas lojas e a ampliação da rede de revendedores da marca. Ele conta que os Estados Unidos, que eram o carro-chefe das vendas externas, estão com sua participação reduzida a quase zero na empresa. "Para driblar esse problema, estamos focando nossas vendas em países emergentes, como a Angola, na África."
Importação
Apesar da queda de 45,46% nas importações, a Alemanha continua sendo o principal fornecedor de produtos para o mercado juiz-forano. Na segunda posição está a Argentina, seguida do Peru e dos Estados Unidos. Em relação aos blocos econômicos, a União Européia teve uma queda de 44,53% no trimestre. Porém, permanece no primeiro lugar do ranking, à frente da Associação Latino Americana de Integração (Aladi) e do Mercosul. Os bens de consumo duráveis e não duráveis respondem por 42,43% das importações locais, à frente dos bens de capital, com 31,42%.









