Juiz de Fora cria 551 postos de trabalho em fevereiro
Apesar do saldo positivo, em 12 meses foram extintos mais de quatro mil empregos no município
Em fevereiro deste ano, Juiz de Fora abriu 551 postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério da Economia nesta terça-feira (30). O desempenho é resultado das 4.393 admissões ante as 3.842 demissões feitas no período. No mês de referência, o aumento na empregabilidade ocorreu, especialmente, pelos saldos de comércio, indústria e construção (ver quadro). Apesar do valor positivo, em 12 meses (março de 2020 a fevereiro de 2021), Juiz de Fora acumulou 4.083 postos de trabalho extintos.
No caso do comércio, houve o maior saldo positivo: 315 novos empregos. Em fevereiro, foram 1.319 admissões e 1.004 desligamentos. Os números surgem após uma baixa no setor, que registrou, em janeiro, o fechamento de 303 postos. Na ocasião, foram 847 admissões e 1.150 desligamentos. O desempenho de fevereiro foi melhor, inclusive, que o mesmo período no ano passado. Em fevereiro de 2020, o comércio fechou 220 empregos.
Em relação à indústria, em fevereiro deste ano, manteve tendência positiva em comparação com o mesmo período de 2020 e, também, ante o mês anterior. Em fevereiro do ano passado, foram criados 101 postos de trabalho. Em janeiro deste ano, foram 131. Já em fevereiro de 2021, o setor abriu 218 novas oportunidades.
A construção também registrou aumento na empregabilidade no mês. Com 494 trabalhadores contratados e 359 demitidos, o setor criou 135 postos de trabalho. No mês anterior, o saldo também foi positivo, com 81 novos empregos. A tendência seguiu o registrado em fevereiro de 2020, quando houve a criação de 122 postos de trabalho.
Setores em baixa
Ao contrário do que foi registrado em janeiro, o setor de serviços registrou baixas na empregabilidade. Foram 1.891 admissões e 2.005 desligamentos, com 114 postos fechados em fevereiro, enquanto, em janeiro, o saldo foi positivo, com 140 empregos criados. Em fevereiro do ano passado, o setor havia registrado alta de empregos, com a abertura de 338 postos de trabalho.
Sindicomércio teme novos reflexos da pandemia na empregabilidade
Apesar do saldo positivo observado no comércio em fevereiro, o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Belotti, se mostra temerário com o cenário da empregabilidade a partir de março, por conta da ampliação das medidas restritivas de enfrentamento à pandemia da Covid-19, implementadas por decretos municipais e pela onda roxa do programa estadual Minas Consciente. “Em fevereiro tivemos esse resultado, pois o comércio estava aberto. Agora, vamos para 30 dias fechados. Isso vai causar impactos na empregabilidade, sem dúvida.”
“As empresas já não estão resistindo. Não têm mais fôlego. Não vejo um cenário promissor de empregabilidade. Pelo contrário. Temos que nos preocupar com isso. O maior setor empregador de Juiz de Fora é o comércio, que tem um universo de 44 mil trabalhadores. Essa recuperação da economia se mostra cada vez mais lenta, e o setor se enfraquece cada vez mais”, avalia Belotti.
O presidente do Sindicomércio cobra celeridade em políticas públicas que permitam a retomada do segmento, como o avanço da vacinação, e dê fôlego ao setor, como a edição de novo medida provisória pelo Governo federal, nos moldes do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) colocado em prática no ano passado.
“A questão agora é dar agilidade na vacinação. Já temos cidades vacinando de domingo a domingo para intensificar a imunização, e Juiz de Fora ainda não chegou neste ponto. Com uma maior eficiência e agilidade na vacinação, haverá mais segurança para o comércio abrir”, afirma, antes de resumir sua preocupação com um questionamento. “Queria ser mais otimista, mas não vejo um cenário de empregabilidade. Se não houver empregabilidade, como teremos consumo?”
Minas e Brasil também mantém saldos positivos
Minas Gerais também registrou balanço positivo em fevereiro. Com 182.895 contratações e 130.956 demissões, o saldo positivo foi de 51.939, impulsionado, sobretudo, pelos setores de serviços e indústria. Os números superaram o do mês anterior, quando foram criados 25.617 postos de trabalho formais, e do mesmo período no ano passado, com 27.255 novas oportunidades. Dentre os estados, apenas o de São Paulo registrou saldo maior do que o de Minas: 128.505.
No Brasil, o estoque chegou a 401.639 em fevereiro. Foram 1.694.604 admissões e 1.292.965 desligamentos. A empregabilidade no país também superou a registrado no mês anterior e no mesmo período de 2020. Em janeiro, o saldo foi de 260.353 novos empregos formais. Já em fevereiro do ano passado, foram criados 225.648 postos de trabalho.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, destacou que o saldo positivo registrado no país ocorreu em função de uma série de políticas públicas, especialmente as voltadas à proteção do emprego. “Eu creio que a solidez de todas essas políticas e também os resultados que estamos colhendo certamente são frutos não só das medidas emergenciais, mas de tudo que foi feito para que pudéssemos robustecer o mercado de trabalho”, diz.
Por outro lado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, relembrou os empregos informais no Brasil, destacando que a vacinação contra a Covid-19 é o principal caminho para auxiliar essa parcela dos trabalhadores. “Os números de fevereiro indicam que nós estamos definitivamente no caminho certo do ponto de vista de recuperação das atividades econômicas. O nosso foco agora tem que ser a vacinação em massa, principalmente para a proteção dos quase 40 milhões de brasileiros do mercado informal”, diz.









