JF pode receber dois novos caminhões


Até 14 mil unidades devem ser produzidas este ano
A planta juiz-forana da Mercedes-Benz deve fabricar mais dois modelos de caminhões nos próximos dois anos. A perspectiva do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, foi divulgada nesta segunda-feira (28), um dia após a montadora anunciar que vai investir R$ 1 bilhão na produção de caminhões e ônibus nas fábricas de Juiz de Fora e São Bernardo do Campo (São Paulo). A Mercedes não divulgou o montante previsto para cada unidade, mas afirmou que os recursos, a serem utilizados no biênio 2014 e 2015, serão destinados a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e produtos, modernização de áreas de produção e otimização de processos nas plantas mineira e paulista. Atualmente, com a produção restrita aos tipos Actros e Accelo, a utilização da capacidade instalada em Juiz de Fora gira em torno de 35%. A expectativa do sindicato é que, com a incorporação de novos projetos, consiga-se, pela primeira vez na história da montadora no município, chegar perto da marca de 40 mil unidades/ano. Este ano, deve-se produzir entre 13 mil e 14 mil unidades na cidade até dezembro.
Em entrevista à Tribuna, o diretor de Comunicação Corporativa da Mercedes-Benz do Brasil, Mario Laffitte, afirmou que a informação de dois projetos em dois anos para cidade "não procede do ponto de vista técnico". Laffitte, no entanto, reconhece que há espaço na planta juiz-forana para novos projetos, além da intenção de crescer no mercado brasileiro. Conforme o diretor, o planejamento estratégico da montadora tem sido discutido profundamente, inclusive com os trabalhadores, em busca de maior eficiência e de um trabalho mais alinhado entre as plantas mineira e paulista.
Segundo a Mercedes, o plano de investimentos contempla a nacionalização da linha de caminhão extrapesado Actros. Em setembro, o vice-presidente de Vendas e Marketing, Joachim Maier, anunciou à Tribuna a expectativa de alcançar a marca de 100% de nacionalização do modelo no segundo semestre de 2014. Atualmente, o Actros conta com 60% de peças nacionais. No pacote anunciado também foram citados projetos de cunho social e ambiental.
Centro de distribuição
Ainda não foi dessa vez que a Mercedes confirmou as especulações de que um centro de distribuição que está sendo erguido no Distrito Industrial, com perspectiva de inauguração no próximo mês, tenha sido criado para comportar o parque de fornecedores da montadora. Informações de bastidores, porém, dão conta de que estão sendo investidos R$ 60 milhões para erguer o complexo, com área estimada em 30 mil metros quadrados. As associações à empresa devem-se à chegada da Ceva Logistics a Juiz de Fora, conforme anunciado em maio pela Tribuna. A multinacional, que já presta serviço para a montadora, atuaria neste centro de distribuição. A Ceva foi procurada nesta segunda, mas não se posicionou. Já a Mercedes afirmou que, nesse momento, não há nenhuma informação de terminal logístico na cidade.
Autopeças
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda da PJF, André Zuchi, considera positivo o direcionamento de parte do R$ 1 bilhão para a cidade até 2015. Ele destaca a importância do projeto para a cidade e os resultados esperados nos próximos quatro anos, com a consolidação do potencial do segmento automotivo. "A expectativa é por alto impacto para a cidade e região." Conforme o secretário, a Prefeitura tem recebido demanda de empresas de autopeças, interessadas na consolidação da fabricação de caminhões na cidade pela montadora. A expectativa, segundo ele, é que, este ano, a Mercedes responda por 10% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Juiz de Fora.
Sindicato aponta cortes em JF
Nesta quarta-feira (30), conforme o presidente do sindicato dos metalúrgicos, João César da Silva, acontecerá reunião com a direção da empresa para discutir a situação dos trabalhadores juiz-foranos. Um dos pontos polêmicos das negociações este ano é a implementação de banco de horas. Segundo João César, nos últimos dois meses, teria havido 35 desligamentos na cidade. Ele falou, ainda, sobre "risco de demissão" de outros 30. Hoje a fábrica mantém entre 900 e mil funcionários.
João César destacou um comunicado recebido pelo sindicato em que a empresa alegaria excedente de capacidade produtiva na planta local. Com o objetivo de adequar a disponibilidade de pessoal ao programa de produção teriam sido adotadas medidas, como duas folgas coletivas, quatro dias de licença remunerada e a previsão de mais duas licenças nos dias 19 e 20 de novembro. "Se for para concretizar os investimentos é para ter contratações e não demissões. Tem algo errado."
Laffitte afirmou que não tem informação sobre cortes em Juiz de Fora relacionados a excesso de capacidade. Conforme o o diretor, demissões podem acontecer por motivos diversos. Ele ponderou, ainda, que, em um universo de quase mil profissionais, turnover (rotatividade) de 17 trabalhadores por mês não é uma situação anormal. Laffitte destacou, no entanto, a necessidade de apurar informações junto ao setor de RH para falar em detalhes sobre o assunto.











