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Restaurantes mudam perfil e investem em preço fixo


Por Flávia Lopes

29/10/2011 às 07h00

Restaurante Nathália cria cartão 'pré-pago'

Restaurante Nathália cria cartão ‘pré-pago’

A concorrência acirrada entre os restaurantes, sobretudo os localizados na área central da cidade, está mudando o perfil de alguns estabelecimentos, que investem no preço fixo para atrair clientes. Com as opções de prato executivo, prato feito ou self-service sem balança, muitos dos que trabalhavam com o self-service estão deixando esta modalidade ou oferecendo as duas opções ao cliente. Segundo levantamento feito pela Tribuna junto a sete estabelecimentos, os preços variam entre R$ 5,50 e R$ 22.

A oferta de duas modalidades (self-service e executivo) foi a medida adotada pelo restaurante Niver Site Gourmet para ampliar as vendas. Segundo a gerente do estabelecimento, Luciana Lima, a mudança, ocorrida há menos de um mês, já ampliou o movimento em cerca de 40% no estabelecimento. "Decidimos colocar um preço fixo para atrair as pessoas que comem fora todos os dias e não têm condições de pagar o valor do quilo diariamente." Segundo ela, a medida foi adotada diante do crescimento da concorrência.

Um dos restaurantes que iniciou o movimento de mudança foi o Sabor Bem Mineiro, localizado no Centro. O estabelecimento passou de cobrança por quilo para preço fixo há três anos. Segundo o proprietário Marcelo Menezes, a medida ocorreu após a verificação de uma queda no movimento. "No estabelecimento do Alto dos Passos mantivemos o self-service, pois o perfil é diferente. Mas no Centro, a concorrência é muito grande. Acho que a cobrança de preço fixo veio para ficar, mas temos que nos preocupar sempre com a qualidade." No local, o preço é de R$ 7,50 ou R$ 10 (para quem consumir acima de 500g).

No restaurante Natália, que possui seis unidades na cidade, o consumidor tem três opções de preço definido, como o self-service de preço fixo, refeição e prato feito (PF), com preços entre R$ 5,50 e R$ 6. De acordo com o proprietário dos estabelecimentos, Marinaldo Ferreira da Silva, a opção mais procurada é o self-service. Para fidelizar a clientela, o empresário trabalha, há três anos, com a opção de um cartão comprado antecipadamente nas lojas por R$ 100, que dá direito a 20 refeições (cada prato sai a R$ 5). "A procura cresceu muito depois que fizemos essa promoção."

Para um dos proprietários do Gruta do Leão, que abriu uma unidade há três meses no Centro, Ivan Tavares Filho, a opção pelo prato executivo ocorreu devido ao alto índice de desperdício no self-service. "Controlar a sobra é muito complicado." Ainda segundo ele, os clientes também têm sido atraídos por essa modalidade, que não gera surpresa na hora de receber a conta. "A pessoa sabe que vai pagar os R$ 8."

Na Churrasqueira, que está abrindo para almoços há um ano, o prato executivo, no valor de R$ 22, também é o que tem sido mais procurado, segundo o gerente Júlio César Rosa. "As pessoas normalmente procuram uma opção mais rápida, e o prato executivo atende a esse perfil."

Concorrência

De acordo com um dos diretor da Abrasel/JF, Luiz Cézar Menezes, a concorrência é o principal fator que vem fazendo com que muitos restaurantes mudem sua forma de venda. Segundo ele, o mercado se expandiu rapidamente nos últimos anos, acirrando a disputa pelo clientes em vários estabelecimentos. "Muitos avaliam que abrir um restaurante é um bom negócio e não se planejam adequadamente." Ainda conforme o diretor, o índice de abertura e fechamento de negócios no setor alimentício é alto. "É necessária uma maior sensibilidade ao mercado, para que haja equilíbrio."

O comerciante José Roberto Freitas Sobrinho diz que sempre opta pelo preço fixo para economizar nas refeições. "Como fora de casa todos os dias e, se fosse pagar um prato no quilo, gastaria quase R$ 400 em um mês. No preço fixo não chego a gastar R$ 150." Já a estudante Fernanda Moreira Machado diz preferir o self-service devido à variedade de opções. "Como uma média de 250g e o preço acaba ficando muito próximo do que eu pagaria no PF."