Novo cenário para investimentos

O ano começou com um corte mais brusco do que o habitual na taxa de juros Selic, que passou de 13,75% para 13% no último dia 11. A redução de 0,75% é maior do que as registradas anteriormente, que ficaram em torno de 0,25% e 0,5%, e mostra a intenção do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de intensificar o ritmo de queda da Selic, que tem expectativa de encerrar o ano em 9,75%. Este cenário traz impactos diretos para o bolso do brasileiro que tem planos de investir, quitar dívidas ou tomar empréstimo. Especialistas orientam sobre quais as melhores escolhas a serem feitas com o dinheiro neste momento.
O modelo mais comum de aplicação feita pelos brasileiros, a caderneta de poupança, continua não sendo atrativo. “Não haverá mudanças no rendimentos, pois, se a Selic for maior ou igual a 8,5% ao ano, a poupança paga sempre 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR)”, avalia o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos.
“Desde maio de 2012, ela se tornou um dos piores investimentos do mercado, perdendo apenas para títulos de capitalização”, afirma a professora de Economia da UFJF e coordenadora do projeto Conjunturas e Mercados, Fernanda Finotti Perobelli. “Naquela época, uma Medida Provisória definiu que o rendimento estaria limitado a 70% do que rendesse a taxa dos Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). Com isso, mesmo sendo isenta de imposto de renda, a poupança já ‘larga’ perdedora em 30% dos rendimentos em relação a outros investimentos, o que ‘anula’ o benefício da isenção do imposto.”
Pré-fixados
A redução da taxa de juros favorece a escolha de títulos pré-fixados que se tornam mais rentáveis em comparação aos pós-fixados, conforme explica Fernanda. “Ao comprar um título pré-fixado hoje, o investidor ‘pré-fixa’ a taxa atual mais alta até o vencimento. Os pós-fixados rendem de acordo com as taxas de juros futuras, que têm expectativa de queda.”
Na prática, quem optar por fundos de investimento deve priorizar aqueles de renda fixa em relação aos fundos DI. “É importante ter os cuidados de preferir fundos de longo prazo, que cobram menos imposto de renda do que os de curto prazo, e estar atento às taxas de administração, que não devem passar de 1%.” Para a aplicação em títulos do Tesouro Direto, as melhores escolhas são LTNs e NTN-F e as NTN-B.
O investimento em ações passa a ser interessante tanto para empresas quanto consumidores, pois o crédito se torna mais barato com a taxa de juros menor. Em contrapartida, a taxa de câmbio será levada um patamar mais estável, de forma que investir em dólar não é recomendável.
Avaliação de perfil e renda
Um dos objetivos do Governo federal ao efetuar o corte mais agressivo da Selic é impulsionar o consumo, segundo os especialistas. “A decisão é um claro sinal de que se busca motivar a população a voltar a comprar”, destaca Reinaldo Domingos. “A queda da taxa pode ser uma boa novidade, dependendo da situação de cada um. O momento é mais propício para a tomada de empréstimos, mas a recomendação é pensar duas vezes antes de fazê-lo. É preciso ter cautela, pois o cenário ainda não é dos melhores. Assim, o consumo deve ser focado nas reais necessidades e objetivos, acabou a era da festa dos gastos.”
Para quem tem dívidas em atraso, a orientação é tentar renegociar diretamente com o credor. “Uma das expectativas do Ministério da Fazenda é reduzir a inadimplência. O momento é bastante propício para renegociações. Lembrando que existe a portabilidade de crédito, e se o credor não estiver disposto a renegociar, é possível tentar outra instituição financeira que esteja disposta a oferecer melhores condições”, alerta Fernanda Finotti Perobelli.
Tomada de empréstimo com cautela
Escolher a melhor forma para investir o dinheiro requer não só uma análise do cenário econômico, mas também, um conhecimento sobre o perfil e a renda disponível, conforme explica o planejador financeiro da XP Investimentos em Juiz de Fora, Luciano Castagnon. No escritório, ele faz um atendimento individual de cada cliente antes de recomendar os tipos de aplicação mais adequados. “É preciso considerar o perfil, as expectativas, a vida financeira.”
Com a queda da taxa Selic, a orientação para os clientes mais conservadores tem sido sair dos títulos atrelados à taxa. Os pré-fixados e os fundos de renda fixa podem ser alternativas interessantes. “Com uma renda maior, o melhor é diversificar a carteira de aplicações. Não é interessante para quem é conservador e tem uma liquidez diária, investir apenas em CDB, por exemplo.” Ele ressalta, ainda, que o investimento em CDB só é válido quando há remuneração de 100% da taxa CDI.
A pessoa com um pouco mais de patrimônio e sem necessidade de usar o recurso a curto prazo se enquadra no perfil de investidor moderado. Neste caso, títulos mais sofisticados podem ser indicados como, por exemplo, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Imobiliários (CRI) e os fundos de multimercados, que têm rentabilidade maior. Para os investidores agressivos, a bolsa de valores é disparada a melhor opção. “Foi o melhor investimento em 2016, e esta é a tendência para este ano. Mas é válido para quem tem um patrimônio maior. Mesmo para o cliente que tem este perfil, nós orientamos aplicar no máximo 10% do patrimônio. Então, se for pouco dinheiro, a rentabilidade será pequena.”










