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Falta de peças provoca espera por conserto


Por Tribuna

28/02/2013 às 07h00

Na Delta Veículos, 220 carros aguardam conserto no pátio

Na Delta Veículos, 220 carros aguardam conserto no pátio

O aquecimento da indústria automotiva no país tem trazido reflexos negativos nas oficinas e concessionárias. Em janeiro, o setor contabilizou recorde para o mês, com produção de 279,3 mil veículos, o maior volume desde 2008. Com o aquecimento da demanda de novos, a produção foi direcionada para atender as montadoras e provocou um "apagão" no setor de reposição de autopeças. Em Juiz de Fora, os proprietários enfrentam espera para consertar seus veículos que pode durar até cinco meses.

Este é o caso do soldador Saturnino Coelho da Silva Júnior. Em setembro de 2012, seu pai sofreu um acidente com o carro da família, um Chevrolet Cobalt, e desde então, o veículo está na oficina. "A concessionária fala que não tem peça da fábrica. O mais revoltante é que ainda estamos pagando a prestação do carro e não não podemos usá-lo. É um absurdo", desabafou.

Na Delta Veículos, concessionária da Fiat, o gerente de pós-venda, Victor Preu, conta que já teve que devolver o valor pago pelos veículos para clientes em função da falta de peças. "Caso o defeito não seja assistido em 30 dias, o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor define a devolução do bem corrigido monetariamente. É uma situação que gera desconforto, pois o cliente acreditou na marca e houve o problema". Segundo ele, aproximadamente 220 veículos aguardam conserto no pátio da empresa.

Preu diz que, em média, 1.800 carros passam mensalmente pela empresa. Desses, 60% apresentam algum tipo de defeito que demanda substituição de material. A maioria dos problemas está nos setores de estamparia (lataria), elétrica, eletrônica e ótica (faróis e lanternas). "Existe um gargalo. Devido à redução do IPI, a produção está voltada para a linha de montagem, o que gerou um desabastecimento no mercado", afirma.

Na Ford Original, a dificuldade na reposição das peças também é apontada como razão de atraso. "Como o número de vendas da empresa é muito grande, algumas vezes nós temos dificuldades com determinadas peças", afirma o gerente de peças, Sílvio Medeiros. Os representantes de Volkswagen e Chevrolet em Juiz de Fora também admitiram problemas na reposição, mas não se pronunciaram oficialmente.

O proprietário da oficina Catmiel, Arthur Eduardo Rosa Pereira afirma que o "apagão" também afetou seu negócio. "Estou tendo dificuldade de encontrar todo tipo de peça. Infelizmente, tenho clientes que estão há dois meses sem o carro", afirmou. A situação é parecida na Auto Mecânica César. "A gente passa aperto. Temos muitas reclamações dos clientes, mas não há o que fazer, pois nem lojistas nem concessionárias têm peças", desabafa o proprietário César Romário Filgueiras.