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Embrapa abre centro de pesquisa da pecuária


Por GRACIELLE NOCELLI

27/10/2012 às 07h00

Foi inaugurada ontem a sede do Complexo Multiusuário de Bioeficiência e Sustentabilidade da Pecuária no Campo Experimental José Henrique Bruschi, da Embrapa Gado de Leite, em Coronel Pacheco. Com investimento de R$ 12 milhões e uma área de 14 mil metros quadrados, o empreendimento possui 22 prédios que abrigam quatro conjuntos laboratoriais, divididos em 15 setores de pesquisa, e estruturas de apoio para o desenvolvimento de estudos e tecnologias que aumentem a eficiência da produção de leite e carne em clima tropical. De acordo com a Embrapa, que completa 36 anos, o local tem capacidade de instalação para 400 animais e é o primeiro deste porte na América Latina.

Para o chefe geral da Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela, o complexo irá fomentar a pecuária nacional, já que, em vez de adaptar a dieta dos animais às exigências de tabelas nutricionais estabelecidas nos países de clima temperado, serão desenvolvidos estudos para a elaboração de tabelas e fórmulas próprias. As pesquisas serão direcionadas para aumentar a produção, melhorar a qualidade dos produtos e facilitar os processos da atividade, destaca.

Atualmente, o Brasil produz 32 bilhões de litros de leite por ano, sendo Minas Gerais o principal estado produtor, responsável por 27,3% deste total, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rebanho leiteiro nacional tem 23,2 milhões de cabeças de gado, 24% delas em terras mineiras.

Os estudos realizados no complexo serão conduzidos em parceria com 17 instituições, incluindo as principais universidades mineiras, e contarão com a colaboração, até o momento, de 75 pesquisadores. Trabalharemos com as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), Juiz de Fora (UFJF), Viçosa (UFV), Lavras (UFLA), São João Del Rei (UFSJ) e outras instituições de pesquisa. Além disso, estudiosos interessados podem procurar a Embrapa para buscarmos a viabilização de outros projetos, garante a pesquisadora na área de nutrição animal, Mariana Magalhães Campos. A proposta do complexo é trabalhar de forma interinstitucional e interdisciplinar, completa.

Ainda dentro das comemorações de aniversário da instituição, na tarde de ontem foi realizada a palestra sobre macrocenários pelo ex-presidente da instituição, Alberto Duque Portugal. Também foi assinado contrato com as empresas CRV Lagoa e Pfizer Saúde Animal para o desenvolvimento de tecnologia genômica. Serão investidos R$ 5 milhões para que pesquisadores identifiquem genes de interesse econômico para a pecuária de leite de, aproximadamente, 20 mil animais, como resistência aos parasitas e ao estresse térmico. Segundo o pesquisador da Embrapa, Marcos Vinícius Barbosa da Silva, a partir dos resultados, será possível criar uma ferramenta de seleção que permitirá testes genéticos em animais ainda em fase embrionária.

Inovações estarão no mercado em 5 anos

Os resultados das pesquisas desenvolvidas no Complexo Multiusuário serão colocados no mercado futuramente, afirma um dos coordenadores do complexo e pesquisador da Embrapa, Luís Gustavo Ribeiro Pereira. Os trabalhos são de médio a longo prazo. Contabilizamos, aproximadamente, cinco anos para que possam ser gerados os primeiros resultados aplicáveis.

Os quatro conjuntos laboratoriais do empreendimento atuarão nas áreas de metabolismo e impactos ambientais da pecuária, biotecnologia e ambiência, zootecnia de precisão e saúde animal. A pesquisadora Mariana Magalhães Campos explica que os animais de pequeno e grande porte terão acompanhamento integral e receberão dietas específicas. A cada 30 dias, eles serão encaminhados para câmaras respirométricas, onde será avaliado a desempenho em relação ao tratamento recebido. Poderemos ver o que é necessário para que o animal atinja o nível de produção que lhe é peculiar, garantindo a qualidade do produto final.

No Laboratório de Biotecnologia e Ambiência será possível analisar os impactos dos alimentos oferecidos na reprodução dos animais. A ideia é que eles sejam bioeficientes. Buscamos a qualidade do leite sem afetar a saúde ou causar impactos ao meio ambiente. Ela informa que, através do diagnóstico por imagem, pesquisadores poderão detectar característica e doenças dos animais a fim de realizar o melhoramento genético das raças. Além disso, também serão desenvolvidos estudos de controle de carrapatos e testes de medicamentos.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Gado Girolando, José Donato Dias Filho, os resultados são esperados com ansiedade pela categoria. A Embrapa é mais do que uma parceira, é um norte para os produtores. Ela nos oferece a sustentação científica e tudo que é aprimorado tem reflexo imediato em nossa atividade.